"Dominus Iesus": a vez em que o Papa Wojtyla deu um soco na mesa

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26 Abril 2011

Em um livro-entrevista publicado às vésperas da beatificação de João Paulo II, o cardeal Tarcisio Bertone (foto) revelou os bastidores da Dominus Iesus, a declaração dogmática publicada pela Congregação para a Doutrina da Fé no dia 6 de setembro de 2000, que reforçou a absoluta unicidade de Jesus Cristo em ordem à salvação de todos os homens. O livro intitula-se Un cuore grande. Omaggio a Giovanni Paolo II [Um coração grande. Homenagem a João Paulo II] (Livraria Editora Vaticana, 2011, 124 páginas).

A nota é de Sandro Magister, publicada em seu blog Settimo Cielo, 25-04-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Essa declaração foi muito criticada fora e dentro da Igreja, também em altos níveis hierárquicos. Difundiu-se a lenda de que o Papa Karol Wojtyla, pessoalmente apático, só a publicou para satisfazer o cardeal Joseph Ratzinger, na época prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, da qual Bertone era secretário.

Bertone desmantela totalmente essa lenda. Ele diz ao entrevistador:

"Um elemento típico da firmeza doutrinal de João Paulo II refere-se justamente à sua paixão por uma cristologia verdadeira, autêntica. O próprio Papa quis, em primeira pessoa, a declaração dogmática acerca da unicidade e da universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja Dominus Jesus, apesar dos boatos que atribuíram a uma `fixação` do cardeal Ratzinger ou da Congregação para a Doutrina da o fato de querer essa famosa declaração, boatos que se propagaram também no campo católico.

"Sim, foi o próprio João Paulo II que pediu em primeira pessoa a declaração, porque havia ficado tocado pelas reações críticas à sua encíclica sobre a missionariedade, a Redemptoris Missio, com a qual queria encorajar os missionários a anunciar o Cristo também nos contextos onde outras religiões estão presentes, para não reduzir a figura de Jesus a um fundador qualquer de um movimento religioso. As reações haviam sido negativas, sobretudo na Ásia, e o Papa havia ficado muito entristecido com isso.

"Então, no Ano Santo – ano cristológico por excelência –, ele disse: `Por favor, preparem uma declaração dogmática`. Assim foi preparada a Dominus Jesus, densa, concisa e com uma linguagem dogmática. Ela continua sendo muito importante na atual intempérie da Igreja, porque, partindo da análise de uma situação preocupante em nível mundial, oferece aos cristãos as linhas de uma doutrina fundada sobre a revelação que deve guiar o comportamento coerente e fiel ao Senhor Jesus, único e universal salvador".

E, ao entrevistador que lhe pergunta como o Vaticano reagiu às críticas, Bertone prossegue:

"Não só no campo laico, mas também no campo católicos, alguns se alinharam a essas críticas. O Papa ficou duplamente entristecido. Houve uma sessão de reflexão justamente sobre essas reações, sobretudo dos católicos. No fim da reunião, com força, o Papa nos disse: `Quero defendê-la e quero falar sobre isso no domingo 1º de outubro, durante a oração do Ângelus – estávamos presentes eu, o cardeal Ratzinger e o cardeal Re – e quero dizer isso e aquilo`. Anotamos as suas ideias e redigimos o texto que ele aprovou e depois pronunciou.

"Era o domingo em que seriam canonizados os mártires chineses. A coincidência havia sugerido a alguns uma certa prudência: `Não convém – alguns lhe sugeriam – que o senhor fale da Dominus Iesus justamente nesse dia. É melhor que o faça em um outro contexto. É melhor que o adie. Poderia torná-lo público no dia 8 de outubro, no domingo do jubileu dos bispos, na presença de centenas de prelados`. Mas o Papa respondeu assim a tais objeções: `Como? Agora devo adiar? Absolutamente não! Decidi pelo dia 1º de outubro, decidi por esse domingo, e domingo o farei!`".

No Ângelus daquele 1º de outubro de 2000, com efeito, João Paulo II apresentou a Dominus Iesus como "aprovada por mim de modo especial".

 

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