Eleição de Bolsonaro seria "regressão terrível", diz Piketty

Revista ihu on-line

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Hans Jonas. 40 anos de O princípio responsabilidade

Edição: 540

Leia mais

Mais Lidos

  • O Sínodo nos ajuda a entender que a solução não está no Direito Canônico, mas na profecia

    LER MAIS
  • “O que acumulamos e desperdiçamos é o pão dos pobres”, afirma o papa Francisco em carta à FAO

    LER MAIS
  • Metade dos brasileiros vive com R$ 413 mensais

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

14 Outubro 2018

Em análise publicada neste sábado (13) no site do jornal Le Monde, economista francês alerta para as consequências nefastas para o país caso o candidato chegue ao poder.

A reportagem é publicada por Radio France Internationale, 13-10-2018.

A democracia no Brasil está em risco, diz Thomas Piketty, autor do livro O Capital no século XXI. Militar, homofóbico e machista, o candidato também é contrário a políticas sociais e não gosta de pobres, lembra o economista francês, citando seu programa de governo. 

Bolsonaro, diz, “surfa na nostalgia da ordem do homem branco, em um país onde os brancos não são mais maioria”. A população branca ainda representava 54% dos brasileiros em 2000, destaca. Segundo ele, diante das condições “duvidosas” da destituição da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, e do impedimento da candidatura de Lula, em 2018, a eleição no Brasil pode deixar “traços terríveis”. 

Ausência de reforma eleitoral

Em sua análise, Piketty também cita pontos positivos do governo do PT, como o aumento do salário mínimo, a criação do Bolsa Família e a retomada da economia acompanhada da queda da pobreza. Cita ainda a implantação de mecanismos de acesso preferenciais às universidades para as classes populares e para os negros.

O PT, entretanto, não realizou a reforma do sistema eleitoral, o que tornou inviável o combate à diminuição fiscal estrutural. Piketty dá como exemplo o imposto indireto que pode chegar a 30% nas faturas de eletricidade, enquanto a taxa sobre a herança é de 4%. O efeito, diz, é que desta forma a queda da desigualdade se torna o ônus da classe média, e não dos mais ricos.

De uma maneira mais ampla, hoje, no mundo, explica Piketty, o campo progressista, que no passado lutou para aplicar reformas políticas, sociais e fiscais, se recusa a organizar um debate sobre a democratização das instituições europeias, americanas ou brasileiras. Mas ele lembra que a democracia não pode ser salva se “o monopólio da ruptura do sistema” ficar nas mãos de reacionários como Bolsonaro

Democracia frágil

O economista também lembra que foi somente com a reforma constitucional de 1988 que o voto se tornou um direito de todos os cidadãos no Brasil. Até então, analfabetos não tinham direito de votar.

“Na prática, foram os ex-escravos, e de uma maneira mais geral, os pobres, que foram excluídos do jogo político durante um século”, ressalta. Essa exclusão, entretanto, não veio acompanhada de uma política educacional de inclusão. Isso porque as classes dominantes nunca “tentaram inverter a dura herança histórica”, diz.

Segundo Piketty, a eleição de Lula em 2002, com 61% dos votos no 2° turno, ele que recebia críticas constantes por sua falta de diploma, marca a entrada simbólica do país na era do voto universal. Um país, diz o economista francês, que tem uma democracia recente, frágil, e que atravessa uma grave crise.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Eleição de Bolsonaro seria "regressão terrível", diz Piketty - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV