Atentado provoca sessão especial do Congresso no Paraguai

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30 Agosto 2016

O governo atribuiu o atentado ao Exército do Povo Paraguaio, e embora tenha admitido que ainda não dispõe de dados suficientes para identificar os autores da agressão, declarou que a zona do ataque é apontada como área de influência do EPP.

A reportagem é publicada por Página/12, 29-08-2016. A tradução é de André Langer.

O crime de oito membros das forças de segurança paraguaia provocou uma forte rejeição no país vizinho. Dissidentes da situação e opositores reclamaram, no domingo, a renúncia do presidente e do ministro do Interior do Paraguai, Horacio Cartes e Francisco de Vargas, respectivamente. O Senado, no entanto, convocou para esta segunda-feira uma sessão extraordinária por motivo do assassinato dos oito militares, ocorrido no sábado e atribuído à organização guerrilheira Exército do Povo Paraguaio (EPP), grupo que mantém sequestrados um policial e dois colonos menonitas. Cartes viajou no domingo para a região onde aconteceu o ataque, no distrito de Horqueta, no Departamento de Concepción, para encontrar-se com os comandos da Força de Tarefa Conjunta, corpo encarregado do combate ao EPP e ao qual pertenciam todas as vítimas.

Enquanto o país seguia comovido pelas mortes, o presidente paraguaio fez referências à morte dos oito militares. “Eu assumo aqui a primeira linha. Esta dor deve ser transformada em ação”, disse Cartes, que apareceu acompanhado pelo ministro do Interior, Francisco de Vargas, e pelas principais autoridades da Polícia Nacional. No seu retorno no sábado à noite do México, onde se encontrava em viagem oficial, o chefe de Estado leu um comunicado aos jornalistas, no aeroporto de Assunção, no qual se comprometeu a acabar com o terrorismo no tempo de mandato que ainda lhe resta, que termina em 2018. “As reações violentas e covardes do EPP são o preço que pagamos por nossa intenção de acabar com eles e cedo ou tarde esta história tem um só fim: vamos encontrá-los e fazê-los pagar por toda a dor”, disse Cartes.

Para esta segunda-feira, o Congresso convocou uma sessão extraordinária e simultânea, tanto na Câmara dos Deputados como no Senado, com o objetivo de debater o atentado.

Os oito militares mortos integravam uma patrulha da Força de Tarefa Conjunta que realizava tarefas de controle no caminho vicinal, onde foi colocado um artefato explosivo que foi detonado com a passagem do caminhão que transportava tropas e apetrechos. Após a explosão, os militares foram atacados a tiros por um grupo de pessoas que ainda não foi identificado, segundo anunciou o comunicado da Força de Tarefa Conjunta, criada em 2013, no início do governo de Cartes, para combater o EPP.

O atentado despertou uma série de condenações e demonstrações de repúdio em todo o Paraguai, que se manifestou nos meios de comunicação e nas redes sociais. O governo do Departamento de Concepción, para onde foram levados os corpos de alguns dos mortos para serem velados, declarou três dias de luto, uma medida que foi adotada pelo município de Assunção. As condenações também vieram de um amplo setor do arco político, desde a situação até a oposição, embora com matizes, já que alguns deputados da oposição pediram a saída do ministro do Interior.

Enquanto o Partido Colocado, no governo, qualificou o ataque como “grave e covarde atentado” e o atribuiu a “criminosos que operam no norte” do país, segundo um comunicado assinado pelo presidente do partido, Pedro Alliana, a Frente Guasú, à qual pertence o ex-presidente paraguaio Fernando Lugo, responsabilizou o governo e disse que mantém “uma estratégia fracassada em matéria de segurança”.

“Cartes deve se decidir a cumprir suas funções ou deixar o cargo, para que outro o faça”, afirmou a senadora Desirée Masi, do Partido Democrático Progressista (PDP), da oposição.

Outros atores sociais também se somaram às condenações, como a Conferência Episcopal, que pediu em um comunicado o fim da violência. “Parem! Basta de tanta dor e luto!”, pediram os bispos aos autores do atentado, e exigiram às autoridades tomar as medidas legais para o seu castigo e para evitar o derramamento de mais sangue inocente.

A seção paraguaia do Serviço Paz e Justiça (Serpaj) e a Coordenação pelos Direitos da Infância e da Adolescência (CDIA), por sua vez, pediram o esclarecimento do atentado e lamentaram que a perda de vidas humanas seja a norma de convivência no país. O Ministério Público indicou no domingo que ainda não contava com dados suficientes para elaborar um relatório definitivo sobre o que aconteceu, nem para identificar os autores do atentado.

No entanto, o ministro do Interior declarou à imprensa que o lugar onde aconteceu o ataque é uma das zonas identificadas como área de influência do EPP. O governo responsabiliza esse grupo de ter perpetrado cerca de 50 assassinatos desde a sua fundação, em 2008. O grupo tem, atualmente, três pessoas sequestradas: um policial, sequestrado há dois anos; um colono menonita, sequestrado há um ano; e outro membro dessa mesma comunidade religiosa, de 17 anos, sequestrado desde o mês passado.

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