Elogio e crítica aos comentários de Francisco sobre LGBTs

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05 Outubro 2016

"O pedido de Francisco a um acompanhamento pastoral mais sensível é um passo ousado para a Igreja Católica, porém o que ele disse sobre gênero e educação mostra também uma incompreensão daquilo que os defensores dos direitos LGBTs realmente propõem", escreve Francis DeBernardo, diretor executivo do New Ways Ministry, respondendo a comentários do Papa Francisco sobre assuntos relacionados à comunidade LGBT, em artigo publicado por New Ways Ministry, 03-10-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

A mais recente entrevista do Papa Francisco a bordo de um avião sobre o acompanhamento pastoral a pessoas LGBTs mostra uma profunda sensibilidade para com a necessidade de julgar, caso a caso, as situações morais. Ao mesmo tempo, tais comentários também revelam que ele, o papa, precisa abandonar a sua confiança nas assim-chamadas “teoria de gênero” e “colonização ideológica”, ideias que não se encaixam na realidade.

O pedido de Francisco a um acompanhamento pastoral mais sensível é um passo ousado para a Igreja Católica, porém o que ele disse sobre gênero e educação mostra também uma incompreensão daquilo que os defensores dos direitos LGBTs realmente propõem.

No primeiro ponto, o modelo de ministério pastoral de Francisco a pessoas confrontadas com a questão da moral sexual ou identidade de gênero é o de não ignorar, não condenar nem fornecer respostas prontas, como deram a entender líderes eclesiásticos do passado. Ajudando as pessoas a discernirem uma resposta a uma questão moral vexatória, o Papa Francisco disse que os ministros devem “acolher, acompanhar, estudar, discernir e integrar cada caso”. E ele está certo quando diz que “Isso é o que Jesus faria hoje”.

Eis um modelo que deveria ser adotado pelos bispos, padres e ministros pastorais ao redor do mundo. É um modelo que o New Ways Ministry e muitos defensores católicos dos direitos da comunidade LGBT vêm propondo há décadas. É, portanto, renovador ver que tais ideias estão, neste momento, sendo compartilhadas nos mais altos níveis da autoridade religiosa. Esse modelo de ministério valoriza os ensinamentos da Igreja sobre a primazia da consciência, e reconhece todas as pessoas como singular e maravilhosamente criadas por Deus.

No segundo ponto sobre a teoria de gênero e colonização ideológica, as observações do papa revelam que ele pensa que as crianças estão sendo incentivadas a escolher o próprio sexo de uma maneira frívola. Este não é o caso. Em geral, a educação em torno da identidade de gênero dá um suporte às pessoas cujas caminhadas de vida mostram que elas descobriram, não escolheram, uma identidade de gênero, o que é totalmente coerente e permanente.

De forma semelhante, os comentários feitos sobre o matrimônio no começo de sua viagem indicam que ele, o papa, não enxerga que os verdadeiros problemas que estão a prejudicar o matrimônio são problemas sociais, econômicos, religiosos e pessoais. Lançar termos como “teoria de gênero” e “colonização ideológica” é uma maneira de desvirtuar a verdade. Manda para longe uma análise mais profunda das causas que deterioram os casamentos.

A respeito das identidades transexuais, o papa observou se tratar de “um problema moral. É um problema moral. Um problema humano”. Ele está certo somente no sentido em que as pressões para se negar a verdadeira identidade sexual interior causam grandes problemas pessoais aos indivíduos. A verdadeira solução moral é permitir a essas pessoas a liberdade de escolher quais serão os caminhos que elas determinam que como os caminhos da integração psicológica, relacional e espiritual, como Deus desejaria.

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