Ni una menos: Peru diz basta à violência contra as mulheres

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Por: João Flores da Cunha/IHU | 16 Agosto 2016

Dezenas de milhares de pessoas participaram de uma manifestação contra a violência de gênero em Lima, capital do Peru, no sábado, 13-08-2016. Inspirados pelo Ni una menos, movimento que surgiu na Argentina em 2015, os peruanos pediram o fim da violência contra as mulheres sob o lema “mexem com uma, mexem com todas”. Protestos menores também ocorreram em outras cidades do país e no Exterior.

O ato ocorreu em um contexto de mobilização nacional. A imprensa encampou as pautas do movimento e convocou os peruanos a saírem às ruas. Políticos de diferentes partidos também expressaram seu apoio.

A marcha contou inclusive com a participação do recém-empossado presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski. Para ele, “sem respeito não há sociedade que funcione. Rejeitamos qualquer ato de desigualdade e violência de gênero”. 

Violência de gênero

O país sofre com altos índices de feminicídio, o assassinato de uma mulher por ela ser mulher. Segundo o Observatório de Criminalidade do Ministério Público do Peru, foram 795 entre 2009 e 2015. 57% delas morreram em sua casa. Nesse período, em média 10 mulheres a cada mês foram assassinadas por seu marido ou companheiro.

O movimento busca chamar a atenção da sociedade para um problema que não dá sinais de evolução. Apenas em 2016, já ocorreram 54 feminicídios, além de 118 tentativas, de acordo com o Ministério da Mulher e Populações Vulneráveis.

Um estudo da Organização Mundial da Saúde – OMS de 2013 atribuiu ao Peru o terceiro lugar na lista de países mais violentos para mulheres entre 15 e 49 anos. À sua frente estão apenas Etiópia e Bangladesh.

Impunidade

O estopim do movimento foram sentenças judiciais para dois homens que agrediram suas companheiras que foram vistas como leves pelos apoiadores do Ni una menos no Peru. A impunidade é um problema em um país marcado pelas esterilizações forçadas durante o governo de Alberto Fujimori (1990-2000).

O Judiciário do país promete orientar os juízes a atuar contra a violência de gênero. Após o ato, o governo de Kuczynski anunciou que tomará medidas contra o feminicídio. O que há de concreto no momento é a conscientização sobre o problema. Segundo uma pesquisa Pulso Perú/Datum International publicada pelo jornal Gestión no dia da manifestação, 74% dos peruanos consideram que a sociedade é machista.