Bicicletas fantasmas: por menos ciclovias e mais educação. Entrevista especial com Eduardo Macedo

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22 Fevereiro 2015

“As ciclovias são feitas para dar segurança ao ciclista. E ela só existe ou vai existir pela falta de respeito dos motoristas. A ciclovia nada mais é do que nossa sociedade e nosso governante admitindo que os motoristas não têm educação”, dispara o cicloativista.

Foto: Leandro Leite
Enquanto muitos olham quilômetros de ciclovias como sinônimo de desenvolvimento e civilidade, o empresário e cicloativista Eduardo Macedo os vê como espaços de confinamento. Para ele, cada quilômetro de pista exclusiva para ciclistas que se faz necessário atesta a selvageria de uma sociedade, evidenciando a impossibilidade de convivência entre carros e bicicletas num mesmo espaço. “Falta informação, respeito e boa vontade de querer compartilhar o trânsito”, destaca, em entrevista concedida por telefone à IHU On-Line.

A morte de mais ciclistas em Porto Alegre reacendeu o debate sobre a inserção da bicicleta no espaço urbano. Para Macedo, a discussão sobre tamanho, trajeto e locais para construção de ciclovias e ciclofaixas é vazia. Ele defende uma discussão mais profunda, não só capaz de inserir uma intervenção na paisagem urbana. Mas sim permitir que a bicicleta possa ser vista como um meio de transporte. “O ideal é uma educação mútua entre ciclistas e motoristas. É o ciclista saber trafegar na via, respeitando o espaço do pedestre e se mantendo em linha, e o motorista respeitando a vida do ciclista”, completa.

A forma encontrada pelo empresário e um grupo de cicloativistas para provocar essa reflexão é instalando as bicicletas fantasmas, as chamadas Ghost Bikes, pela cidade. Inspirados num movimento internacional, eles usam a bicicleta da vítima do trânsito e a pintam toda de branco.

Como um fantasma, é instalada no local do acidente com uma placa lembrando o que aconteceu. “Realizamos o Ghost Bikes com dois objetivos: é uma homenagem ao ciclista que perdeu a vida no trânsito e um sinal de alerta para quem está passando por ali, para simbolizar algo que ocorreu”, explica.

Eduardo Macedo é empresário e cicloativista. É visto como criador do movimento Ghost Bikes em Porto Alegre. Também é integrante do Movimento Massa Crítica.

Confira a entrevista.

Foto: Leandro Leite

IHU On-Line - O Ghost Bikes é uma ação que nasceu nos Estados Unidos em 2003. O que é esse movimento? Quais as especificidades do movimento no Brasil?

Eduardo Macedo - Realizamos o Ghost Bikes com dois objetivos: é uma homenagem ao ciclista que perdeu a vida no trânsito e um sinal de alerta para quem está passando por ali, para simbolizar algo que ocorreu. Muitas pessoas que já viram nossas Ghost Bikes, num primeiro momento, estavam dirigindo estressadas, atucanadas, acima do limite de velocidade e, quando viram a bicicleta, levaram um choque. A partir daí, reduziram o ritmo. Todo mundo que entende o que o Ghost Bikes significa — que é menos um ciclista, uma morte no trânsito de um ciclista na rua — encara aquilo como a representação de algo negativo e, automaticamente, reduz o ritmo. É como o trabalho da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, o Vida Urgente, que pinta borboletas no asfalto em locais onde houve acidente. Quando as pessoas observam uma borboleta ali no chão, logo vem uma conscientização: “bah, o que estou fazendo?!”. Hoje em dia, vivemos uma vida muito rápida. Estamos correndo o tempo todo e, às vezes, corremos tanto que acabamos colocando nossa vida em risco. Tudo por causa de nossa pressa. A Ghost Bike quer simbolizar que a sua pressa, a nossa pressa valem uma vida. E, claro, ao mesmo tempo é uma homenagem ao ciclista morto.

IHU On-Line - Como conheceu o Ghost Bikes?

Eduardo Macedo - Há três anos, uma criança foi atropelada por um ônibus em Porto Alegre, na Avenida Voluntários da Pátria. Logo após o acidente, ocorreram manifestações de comoção na internet. E, num grupo, o pessoal sugeriu fazer uma Ghost Bike. Começaram a perguntar quem poderia fazer. Eu me ofereci, pois como sempre trabalhei com bicicletas, para mim é fácil. A partir desse dia, comecei a fazer todas as Ghost Bikes em Porto Alegre. Já foram 15.

IHU On-Line - Porque é importante fazer essa homenagem aos ciclistas atropelados?

Eduardo Marcedo - Parece que a bicicleta é abandonada dentro de nossa sociedade. Se vê pouca informação sobre a bicicleta. Hoje em dia, se você nunca andou de bicicleta e comprar uma, não saberá como andar na rua. Não sabe os direitos dos ciclistas. Tem muita gente que ainda fica apavorada quando vê o ciclista dividindo espaço com os carros. Mas a bicicleta tem total direito de andar na rua, é um meio de transporte. Ela não foi feita para andar em cima da calçada. Bicicleta tem que ter um convívio sadio com os automóveis, com os ônibus, com os caminhões. E ela tem que ser respeitada, pois é o veículo mais fraco. Por isso tem que ser feita uma homenagem ao Joel, e aproveitar essa oportunidade para dizer que a bicicleta tem espaço e que, se ela fosse respeitada, talvez o que aconteceu com ele poderia ter sido evitado.

IHU On-Line - Você diz que as pessoas ainda se surpreendem ao ver as bicicletas entre os carros. Por quê?

Eduardo Macedo - Porque a cultura da bicicleta está totalmente defasada. Muitas pessoas ganham a bicicleta quando criança e a veem como um brinquedo. Não conseguem encarar como um meio de transporte. As pessoas não têm a cultura de que conseguem chegar do ponto A ao ponto B sem ser de carro, de ônibus, mas de bicicleta. Muitos vivem uma vida sedentária. Não conseguem se imaginar fazendo cinco quilômetros pedalando, subindo uma lomba mais íngreme. Esqueceram que nosso corpo é uma máquina e que podemos condicionar a atividade física para isso.

Eu faço entre 40, 45 quilômetros todos os dias. E não me sinto nem um pouco cansado, não me sinto nem um pouco fatigado, porque meu corpo já acostumou e absorveu isso. A pessoa começa a pedalar e, nos dez primeiros quilômetros, está muito cansada. Isso porque não tem a cultura da bicicleta inserida, não tem o costume de andar de bicicleta e acaba achando: “o cara vem lá da zona sul de bicicleta. Isso é uma coisa impossível”. Na verdade, pensa assim porque não se permitiu condicionar a essa situação e porque não vive essa cultura de que bicicleta pode ser um meio de transporte.

Ghost Bike e o sentimento de culpa

Muitas pessoas, ao verem uma bicicleta branca acorrentada com o nome da pessoa, reagem com estranheza. Automaticamente, em seguida, têm um sentimento de culpa. Já vieram me dizer que, depois que viram a Ghost Bike do Joel, sentiram-se culpados por todos aqueles ciclistas que passaram tirando fininho. E esse fininho, com diferença de pouco espaço, poderia ter causado um acidente grave. Então, é como se a Ghost Bike fosse um alerta e ao mesmo tempo um peso na consciência de quem não respeita.

IHU On-Line - E como mudar essa cultura e fazer com que as pessoas encarem a bicicleta como meio de transporte?

Eduardo Macedo - A primeira coisa é termos campanhas de divulgação, conscientização e explicação nas escolas alertando que a bicicleta também é meio de transporte, que está inserida no trânsito e na sociedade. Nas autoescolas deveria haver aulas explicando essa relação do trânsito com a bicicleta. É mostrar como o motorista deve proceder com um ciclista que está trafegando na sua frente. E, também, como eu, enquanto ciclista, devo me portar. Hoje, há pouco incentivo ao uso da bicicleta. Existe mais incentivo ao uso do carro. Por isso deveria começar a mudar pela base, com as crianças, na escola e, em seguida, na formação do condutor. Também teria de haver mais propaganda incentivando o uso da bicicleta.

IHU On-Line - Ainda na instalação das primeiras bicicletas, houve um choque com a Empresa Pública de Transporte e Circulação - EPTC em Porto Alegre. Uma bicicleta fantasma chegou a ser removida da Av. Érico Veríssimo, em agosto de 2014. A instalação lembrava a morte de uma jovem de 21 anos atropelada por um ônibus. Como é hoje a relação com as autoridades de trânsito?

Eduardo Macedo - Se a gente colocar alguma Ghost em uma placa, o órgão de trânsito vai tirar. Então, identificamos que em postes e árvores eles não têm como tirar. Um amigo já pesquisou e viu que um poste e uma árvore não têm interferência dos órgãos de trânsito. E sempre conversamos com a EPTC, pedindo para deixarem as bicicletas. Até hoje, só retiraram essa da Érico Veríssimo. Alegaram que estava numa placa de trânsito e atrapalhava a visibilidade da sinalização. Então, instalamos a mesma Bike alguns metros depois, numa árvore.

“O trânsito é uma guerra, querendo ou não. Guerra por espaço”

IHU On-Line - Em 2014, segundo a EPTC, 249 ciclistas se envolveram em acidentes de trânsito. Seis morreram. Como vê esse número? A que atribui?

Eduardo Macedo - Eu acho esse número alto. Acho que uma ou duas pessoas já é um número alto. Não deveria morrer ninguém. O trânsito é uma guerra, querendo ou não. Guerra por espaço. As pessoas morrem porque tem alguém dirigindo de uma forma imprudente, ou porque tem alguém num lugar errado ou fazendo algo errado. Se tivéssemos um trânsito com pessoas mais educadas, se tivéssemos uma comunicação visual melhor nas ruas, muitos acidentes e mortes seriam evitados. Só acontecem mortes e acidentes por falta de educação e de respeito ao próximo. E por falta de respeito ao próprio limite de velocidade. Uma morte é, sim, um número muito alto. E estamos com números altos tanto de mortes de ciclistas como de pedestres e motoristas.

"Só acontecem mortes e acidentes por falta de educação e de respeito ao próximo"

IHU On-Line - Qual é a sua relação com a bicicleta?

Eduardo Macedo – Eu vim de uma família em que o pai era corredor de bicicletas. Meu pai andou de bicicleta a vida toda, pedalou até os 86 anos. Desde criança, trabalho numa oficina de bicicleta para ajudá-lo. O pai me levava para treinar de bicicleta. Tive uma cultura em que, aonde fôssemos, na maioria das vezes, era sempre de bicicleta. Vamos visitar um parente? Então íamos todos de bicicleta, não íamos de carro. Sempre tive essa cultura da bicicleta muito enraizada na minha vida. Também sempre tive lojas de bicicletas. Meus exemplos de vida sempre foram pessoas que usavam bicicleta no seu dia a dia. Então, não consigo imaginar minha vida sem a bicicleta.

Muitos de meus amigos, ao fazer 18 anos, corriam para tirar carteira de motorista. Eu não vivia essa cultura. Sempre ganhei o mundo sobre duas rodas. Meus amigos queriam tirar a carteira e diziam: “agora vou poder ir para tal lugar!”. Eu já fazia isso porque ia de bicicleta. Nunca me prendi a ônibus, por ter aprendido a usar a bicicleta sempre. E como vivo e trabalho de bicicleta, estou inserido nisso.

O choque da perda

Umas 12 horas antes desse atropelamento do Joel (em fevereiro de 2015, o arquiteto Joel Fagundes, de 60 anos, foi atropelado por um táxi na zona norte de Porto Alegre e morreu. Ele era um cicloativista), eu passei pelo mesmo local. Fui para Capão da Canoa de bicicleta. Saí da minha loja na Avenida Brasil, em Porto Alegre, e fui para Capão. Por uma questão de 12 horas, poderia ter sido eu. Uso a bicicleta todo dia como meio de transporte. Moro distante 20 quilômetros do meu local de trabalho. Saio da Avenida Juca Batista, zona sul de Porto Alegre, e venho todos os dias para as lojas na Avenida Brasil e na Avenida Protásio Alves (zona norte). Assim, estou com a bicicleta diariamente no trânsito. Estou muito inserido nesse meio porque a bicicleta é o meu meio de transporte.

IHU On-Line - E como é essa experiência de atravessar a cidade todos os dias? O que vê no trânsito?

Eduardo Macedo - Eu vejo a falta de informação dos motoristas. Eu não uso muito a ciclovia porque as “ciclocoisas” que temos em Porto Alegre são muito mal feitas. A própria “ciclocoisa” que tem na frente de um shopping na Avenida Diário de Notícias (zona sul de Porto Alegre) tem vários bueiros, tem pavimento irregular, não tem calçada. Não consigo trafegar ali numa velocidade de 20, 25 quilômetros por hora sem colocar em risco um pedestre que está caminhando, um idoso, uma mulher passeando com um cachorro. Além do que, segundo o Código de Trânsito Brasileiro, eu não sou obrigado a trafegar por uma ciclovia. Posso trafegar na pista, compartilhando o trânsito. O que vejo é que muitos motoristas, ao verem uma ciclovia, acham que tenho a obrigação de trafegar por ela e que, se não fizer isso, estou roubando o espaço deles. Só que estão enganados. Será que ninguém explicou isso na autoescola? A bicicleta pode trafegar na via, mesmo tendo uma ciclovia.

Vejo também muita raiva dos motoristas ao me verem trafegando na via. Passam tirando fininho de mim ou me cortam para entrar na próxima rua, dez metros na frente. Assim como também vejo alguns motoristas de ônibus atrás de mim freando bruscamente ou me ultrapassando para parar logo em seguida ou, se ultrapasso eles, ficam bravos. Chegam a pedir para que eu suba na calçada. Falta informação, respeito e boa vontade de querer compartilhar o trânsito. Todos os dias, eu pego as avenidas da zona sul e norte e vejo tudo entupido de carros. Às vezes, um carro passa por mim tirando fininho. Mais na frente, encontro ele parado numa fileira de carros. Tem muita coisa desnecessária. Falta muito respeito e mais educação.

IHU On-Line - Qual sua avaliação sobre as ciclovias? E o ideal seria construir mais ciclovias ou trabalhar nessa inserção das bicicletas nas ruas e avenidas?

Eduardo Macedo - O ideal é uma educação mútua entre ciclistas e motoristas. É o ciclista saber trafegar na via, respeitando o espaço do pedestre e se mantendo em linha, e o motorista respeitando a vida do ciclista, porque ele está dentro de uma caixa protegida, e respeitando o limite de velocidade. As ciclovias são feitas para dar segurança ao ciclista. E ela só existe ou vai existir pela falta de respeito dos motoristas. Se existisse respeito, não haveria nada disso. A ciclovia nada mais é do que nossa sociedade e nosso governante admitindo que os motoristas não têm educação. Infelizmente, têm que ser feitas mais ciclovias para incentivar as pessoas a andarem de bicicleta enquanto nossa sociedade não tiver mais consideração e respeito.

"Falta um pouco de interesse em adotar a bicicleta como meio de transporte"

IHU On-Line - Qual é o papel do poder público nessa briga motoristas x ciclistas?

Eduardo Macedo - O papel deles é levar informação para as pessoas, criar formas de educar as pessoas, melhorar as vias. Muitas ciclovias e faixas estão em estado precário. Nos locais em que passo todo dia, não consigo andar pela via (avenida) na faixa da direita em função dos buracos abertos com o peso dos ônibus. Falta mais planejamento. Falta criação de programas de educação, formação de base de motoristas. Precisamos de vias mais trafegáveis tanto para carro quanto para ciclistas. E falta um pouco de interesse em adotar a bicicleta como meio de transporte.

IHU On-Line - Então, o conselho para os gestores públicos é: construam menos ciclovias e invistam mais na educação e informação?

Eduardo Macedo - É isso. Se fosse dar um conselho, seria isso. Porque uma coisa é certa: ciclovia acaba em algum momento e o ciclista tem que sair para algum lugar. A educação, a partir do momento que é dada, é levada para o resto da vida. E nem em todos os lugares da cidade vai se conseguir construir ciclovias e, talvez, nem se consiga construir muitas em dez anos. Já em dez anos, investindo em educação, se consegue salvar muito mais pessoas e de forma eficiente. Isso não vai refletir só na vida do ciclista, mas também do pedestre e do motorista.

IHU On-Line - Como avalia o trabalho do poder público hoje, nesse quesito educação e conscientização para um trânsito seguro?

Eduardo Macedo - Ainda está muito atrasado. Deveria investir mais em educação e até em ciclovias, como muitos pedem. Mas não vejo uma força tão grande de investimentos numa coisa ou noutra.

IHU On-Line - Muitas pessoas gostam de andar de bicicleta e fazer isso nas horas de lazer ou como prática esportiva. O que falta para a bicicleta ser vista como meio de transporte?

Eduardo Macedo - O problema é que o carro cria um anonimato. Se tu és uma pessoa frustrada e violenta, o anonimato do carro te deixa expor tudo isso. Pode cortar, buzinar e não vai mostrar teu rosto para aquela pessoa que está diante de ti. Não deixa que tu sintas vergonha. O que poderia romper isso talvez fossem mais punições.

IHU On-Line - Porto Alegre ficou marcada por outro acontecimento envolvendo ciclistas. Em 25 de fevereiro de 2011, o bancário Ricardo Neis avançou o carro sobre 150 ciclistas que participavam de uma manifestação. Pelo menos oito ficaram feridos. O que mudou de lá para cá, tanto em termos de comportamento, legislação e mudanças na cidade para inserção da bicicleta no cotidiano das cidades?

Eduardo Macedo - Eu estava nessa manifestação. Ele já estava transtornado. Quando a gente saiu e passou por ele, já estava transtornado. Queria passar de qualquer maneira. Poderia ter entrado em duas ruas. Estava acelerando, arrancando, freando e cantando pneus. Ele fez isso uns bons metros. E um grupo de ciclistas ficou atrás dele. Não é normal a pessoal acelerar, colocar o giro do carro lá em cima e depois frear. Faz isso para intimidar. Logo em seguida, derrubou dois. Quando levantaram, ele acelerou.

"Infelizmente, teve que acontecer uma tragédia para termos direito ao espaço e promover a bicicleta"

Agora, vou dizer algo terrível sobre isso: ele foi, talvez, uma das pessoas que mais fez pela bicicleta em Porto Alegre. Porque, logo após, a bicicleta ganhou uma visibilidade muito grande. Apareceu na mídia, ganhou muita força e foi mostrado que ela poderia existir como meio de transporte. Mais pessoas conheceram a bicicleta e a vida sobre duas rodas. Infelizmente, teve que acontecer uma tragédia para termos direito ao espaço e promover a bicicleta.

O que mudou

As pessoas estão mais conscientes desde 2011. Logos após o fato, as pessoas alegaram que os ciclistas estavam na rua. Mas foi explicado que a bicicleta tem direito à rua. Aquela manifestação não estava trancando o trânsito. Estava passando, mas na velocidade dela.

IHU On-Line - Qual seu envolvimento com o movimento Massa Crítica e qual a importância de movimentos como esses?

Eduardo Macedo - Eu acredito na ideia Massa Crítica. Não acredito que seja um grupo, mas sim uma ideia. Toda última sexta-feira do mês eu vou lá e faço parte dessa ideia. Eu e mais uma centena de ciclistas ocupamos as ruas e vamos andando na nossa velocidade de 20 por hora, fazendo um trajeto e mostrando que a bicicleta tem direito à rua, tem direito a espaço. Esse tipo de manifestação mostra que nós estamos aqui, que queremos respeito. Merecemos o direito de pedalar na rua. Trancar o trânsito? Nunca vi a Massa Crítica trancar o trânsito. Trancar o trânsito é, no horário de pico, todos os carros quererem sair juntos. Uma Massa Crítica passa. Talvez, ocupe uma grande avenida durante dez minutos. Só que ninguém para e todos trafegam. A Massa Crítica tem que ficar cada vez mais forte, exigir mais espaço e mais respeito.

Por João Vitor Santos

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