A revanche da história: uma interpretação teológica da Primavera Árabe. Entrevista especial com Henri Boulad

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03 Maio 2011

O padre jesuíta egípcio Henri Boulad viveu de perto a reviravolta, a grande revolução que sacudiu as bases políticas e sociais do seu país. Bases estas que não se moviam há mais de 30 anos, sob a ditadura de Hosni Mubarak. Um "sismo", como afirma, que continua repercutindo em toda a região.

Boulad analisa a revolução sociopolítica egípcia e a chamada "primavera árabe" a partir do ponto de vista de um cidadão comum e católico melquita, em um país, de um lado, com minoria cristã e que, de outro, até pouco tempo impedia qualquer manifestação civil.

Mas Boulad não teme revoluções: diante dos desafios do ambiente digital, esse jesuíta de 80 anos mantém atualizada uma página pessoal no Facebook e uma conta no site de compartilhamento de vídeos Vimeo, para manter-se assim em contato com os jovens, tão lembrados em suas respostas E esta entrevista, concedida por e-mail à IHU On-Line, foi inicialmente pensada para ser gravada pelo Skype, por sugestão do próprio entrevistado.

Em outros campos, além disso, Boulad também pede e luta por uma revolução: na Igreja, por exemplo. Em 2007, ele escreveu uma carta aberta ao Papa Bento XVI, na qual pedia uma mudança na Igreja Católica, por meio de uma reforma catequética, teológica, pastoral e espiritual, sugerindo a convocação de um Sínodo Geral com a participação de todos os cristãos, católicos ou não, leigos e clérigos, para analisar os pontos críticos da Igreja.

Henri Boulad é padre jesuíta egípcio-libanês do rito greco-católico melquita. Doutor em psicologia, é ex-diretor do Collège de la Sainte-Famille, conhecido como Colégio dos Jesuítas, no Cairo, Egito, e ex-superior dos jesuítas de Alexandria, no Egito. De 1984 a 1995, foi diretor da Cáritas Egito. E, entre 1991 e 1995, foi vice-presidente da Cáritas Internacional para a África e o Oriente Médio. Boulad tem mais de 30 obras publicadas em 15 idiomas, especialmente francês, árabe, húngaro e alemão. Em português, publicou Deus e o Mistério do Tempo (Loyola, 2006) e O Homem Diante da Liberdade (Loyola, 1994).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Tendo vivido os conflitos políticos no Egito in loco, como o senhor avalia o que vem ocorrendo no seu país nos últimos meses, do ponto de vista político e social?

Henri Boulad – Neste momento, reina no Egito um clima de insegurança, de instabilidade e de inquietação. O momento inicial de euforia passou, e o povo se encontra agora diante de enormes problemas que ele realmente não estava preparado para enfrentar.

Em primeiro lugar, um grave problema de segurança: saques, banditismo, roubos e assassinatos se multiplicaram perigosamente, criando um sentimento de grande insegurança. Cada dia traz sua nova história, verdadeira ou falsa: bandidos atacam os transeuntes, as lojas... Há mortos, feridos, incêndios. A ausência da polícia se faz sentir, e o Exército não está preparado para fazer enfrentar isso.

Outro problema: uma economia em crise: inflação, alta dos preços, falta de liquidez, indústrias fechadas ou trabalhando desaceleradamente, turismo em pane... Em vista disso, desemprego, pobreza, insegurança alimentar. O povo humilde, constrangido com ameaças, chega a sentir falta do antigo regime que, apesar de suas carências, pelo menos garantia estabilidade e segurança. Sobre esses dois primeiros problemas se insere o terceiro ponto:

O fundamentalismo muçulmano: os Irmãos Muçulmanos [organização islâmica fundamentalista] e os Salafitas [movimento reformista islâmico] procuram tirar proveito da situação para dizer: "Vejam, é porque vocês não seguiram a Sharia que o país está jogado no caos". Eles atuam lá no alto e desejam a anarquia para mostrar que, sem eles, nada anda. Prometem ao povo o paraíso sobre a terra e soluções milagrosas, com seu famoso slogan "o Islã é a solução".

Mas a juventude não se deixa envolver, e uma recuperação pela corrente integrista me parece difícil. Sucede que o povo humilde não é capaz de pensar e de querer por si próprio, mas tem necessidade de estruturas. Os jovens que fizeram a revolução não representam o conjunto da população, mais do que os Irmãos Muçulmanos. Entre esses dois grupos existe atualmente o braço de ferro. O que absolutamente não significa que nossos jovens sejam antirreligiosos. Longe disso! Eles creem em Deus e rezam, mas recusam cada vez mais uma religião formal, tradicional, obscurantista.

IHU On-Line – Qual o significado daquilo que os analistas chamam de "primavera árabe"? É um movimento que tende a trazer resultados positivos para as populações envolvidas? Em que sentido?

Henri Boulad – Essas revoluções em cadeia são uma surpresa. Ninguém esperava isso! Sopra um vento sobre os países árabes que, em diversas graus, conhecem um requestionamento do seu modo de governar. O mundo árabe entra inexoravelmente na era da modernidade e nos mostra hoje os sintomas de sua crise de transição. Os motins já conseguiram derrubar dois presidentes – na Tunísia e no Egito – e desestabilizar o governo na Líbia, no Iêmen, na Síria, no Bahrein. A facilidade e a rapidez com a qual as chamas da revolução se propagaram de um país ao outro se deve a um traço comum: o conjunto de seus regimes é dirigido por ditadores que reinam impiedosamente sobre um povo faminto, negligenciado e abusado, que decidiu pôr fim à sua opressão e à sua humilhação.

Essas revoltas têm como primeiro objetivo a liberdade. Não é nem a miséria nem a pobreza que suscitaram esses movimentos, mas sim a carência de liberdade, a aspiração a uma sociedade civil de tipo laico e democrático, o desejo de uma clara distinção entre o religioso e o político, a insistência na cidadania e na democracia.

Põe-se aqui uma grande questão: por qual regime essas ditaduras serão substituídas? Um temor se delineia no horizonte: o dos movimentos integristas que procuram explorar em seu proveito a revolta das populações.

Outra questão: essa estranha semelhança entre as diversas revoluções é um acaso ou haveria por trás disso uma invisível estratégia? Esse cenário idêntico não indica que se trata do mesmo "diretor"? Essas revoluções não esconderiam uma política dissimulada de superpotências sobre o tabuleiro mundial? Não seriam nossos países simples peões para servir às grandes estratégias internacionais, fazendo esquecer o Wikileaks, Julian Assange e Bradley Manning e criando uma diversão que agita o sonho de uma democracia à la americana?

IHU On-Line – Como o senhor vê a participação dos jovens nessas revoluções? A Internet – Facebook, Twitter, blogs etc. – teve um papel-chave, ou as ruas e as praças falaram mais alto?

Henri Boulad – Na origem dessa revolução, temos uma categoria muito específica de jovens de 20 a 35 anos, recém-diplomados, com frequência desempregados, frustrados, desocupados, sem teto, sem perspectiva de futuro. Além de um ensino escolar imbecilizante, de slogans religiosos ocos e vazios, de exigências sociais e morais alienantes, esses jovens, alguns dos quais frequentaram escolas estrangeiras ou a universidade norte-americana, sonham com abertura e modernidade.

Essa juventude de olhos e ouvidos bem abertos absorve, consome, assimila ao longo do dia e da noite tudo o que o mundo de hoje lhes propõe através da Internet, do YouTube, Facebook e Twitter. É essa juventude – aberta, emancipada, capaz de reflexão e de crítica – que organizou e deu à luz a essa revolução.

Hoje em dia, não é nem a escola, nem a família, nem a Igreja, nem a mesquita que moldam o espírito dos jovens, mas sim as mídias e em primeiro lugar a Internet. O jovem de hoje foge do seu ambiente familiar, religioso, escolar... e com frequência sabe muito mais do que seus pais, seus professores e seus líderes religiosos.

A Internet representa um fenômeno radicalmente novo na história, uma verdadeira "mudança de paradigma". Assim como a queda da União Soviética foi obra da televisão, esta revolução foi obra da Internet. Não se trata simplesmente de uma questão de tecnologia ou de aparelhos mais ou menos sofisticados. É algo muito mais profundo.

Um elemento essencial em toda democracia é o que eu chamo de "os contrapoderes" – partidos políticos, sindicatos, associações, mídias, religiões etc. –, sem os quais toda democracia tende a se desnaturar, a se degradar, a se perverter. Em nossos dias, a Internet é, sem dúvida, um dos mais poderosos e eficazes contrapoderes. E é mérito desta revolução tê-lo revelado.

IHU On-Line – Qual foi a participação e a presença dos jesuítas nas manifestações? Houve alguma ação ou medida oficial por parte da Companhia de Jesus no Egito?

Henri Boulad – Todos os jesuítas egípcios que vivem no Cairo se misturaram aos manifestantes da Praça Tahrir, e nós compartilhamos regularmente em comunidade o que se passa. A Companhia de Jesus não publicou nenhum documento oficial sobre a Revolução, mas muitos de seus membros difundiram análises da situação, e um dos nossos jesuítas egípcios, o padre William Sidhom, engajado na ação social e política, difundiu dois comunicados em nome da comissão egípcia "Justiça e Paz" que ele representa. Esses textos deploram a morte de todos os "mártires" da revolução, fazem o elogio de seu caráter pacífico, solicitam aos cristãos que nela se engajem, apoiem suas reivindicações e expressem seu apoio aos valores que ela procura promover: justiça, liberdade, democracia, promoção de uma verdadeira sociedade civil.

IHU On-Line – Ouvimos no Ocidente que a situação no Egito hoje é "caótica". Em sua opinião, que perspectivas de futuro se abrem a partir de agora? Quais estão sendo as conseqüências mais imediatas para a vida social e quais serão, a seu ver, os resultados a longo prazo?

Henri Boulad – Sem ser "caótica", a situação continua precária, e a inquietação é geral, pois a segurança está longe de ser assegurada. Na sexta-feira, 4 de março, em Soul, uma aldeia a uns 50 quilômetros ao sul do Cairo, extremistas muçulmanos puseram fogo em uma Igreja, e os cristãos se manifestaram. Na noite do dia 8 ao dia 9, estouraram tumultos: 13 mortos entre os cristãos. Estes fizeram, então, uma manifestação (um sit-in) diante do prédio da televisão do Cairo. Dois dias mais tarde, incêndios assolaram as instalações da Segurança de Estado, no Cairo e em Alexandria: todos os arquivos secretos da polícia são envoltos em fumaça. Em Alexandria, em pleno dia, pelas três horas da tarde, bandidos penetraram no quarteirão dos ourives. O Exército interveio para impedi-los de saquear tudo. No quarteirão de Choubra, no Cairo, sempre em pleno dia, bandidos bloquearam com carros as duas extremidades de uma rua e entraram em um imóvel para saqueá-lo.

No Alto Egito, as estradas desérticas não são mais seguras. Saqueadores param caminhões de mercadorias, expulsam os motoristas e partem com a carga. Os Salafistas acabam de bloquear durante vários dias a ferrovia que leva aos locais turísticos de Luxor-Assuã, fazendo violentos protestos contra a nomeação de um governador cristão no Quênia.

Todos esses fatos perfazem o dia a dia do Egito. Eles são contados, enfeitados, aumentados, e o povo entra em pânico. Não se ousa mais sair de casa. Muitos pais mantêm seus filhos em casa e não os levam mais à escola.

Todo mundo teme que a antiga equipe no poder, os Irmãos Muçulmanos, ou os antigos partidos de oposição recuperem a situação em seu proveito. A inquietação provém do fato de que ainda não se consegue ver para onde se vai. O que será do amanhã?

Enquanto isso, um novo governo foi instalado, e os mecanismos da administração recomeçam a funcionar. Além disso, as pessoas se mobilizam, novos partidos políticos são criados, grupos informais encontram-se para refletir juntos, avaliar a situação, comunicar-se via Internet, agir sobre a situação.

IHU On-Line – Antes das revoluções políticas, outro problema que afligia o Egito eram os conflitos religiosos, especialmente entre cristãos e muçulmanos (como no massacre de Alexandria). Afirma-se até que, antes, a ditadura era de Mubarak, e a partir de agora será dos fundamentalistas islâmicos. Como o senhor analisa a questão do diálogo inter-religioso no Oriente Médio, especialmente no Egito?

Henri Boulad – Os incidentes confessionais reiniciaram mais intensamente nestes últimos tempos. No entanto, os primeiros dias da revolução tinham sido marcados por uma notável confraternização entre cristãos e muçulmanos, e todo mundo falava de união nacional. A cruz e a lua crescente tinham sido substituídas pela bandeira egípcia, e a revolução pretendia ser "laica, civil, democrática", longe de toda conotação religiosa. Tudo isso constitui agora o sonho e o objetivo dos jovens da revolução, tanto muçulmanos como cristãos. Mas uma radicalização tende a se produzir, e os ataques contra os cristãos e as igrejas se tornam cada vez mais frequentes. Trata-se principalmente da atuação dos Salafistas, seja pelo seu próprio chefe, seja pela instigação do antigo regime que tem todo interesse em suscitar divisão e caos para que se chegue a sentir falta de Mubarak e de sua camarilha. Os cristãos têm medo, e o número daqueles que emigram entre eles está aumentando.

A hierarquia católica encoraja os seus fiéis a se engajarem politicamente, o que muitos fazem, sobretudo entre os jovens. As autoridades ortodoxas, ao contrário, são mais reservadas e adotam a atitude que sempre foi a delas, a da retirada e do gueto. O que não impede que um grande número de ortodoxos, jovens e menos jovens, participem ativamente da vida política e estejam nas primeiras fileiras da contestação. O cristão mais conhecido do Egito, Naguib Sawiris (foto), multimilionário à frente de um império financeiro e econômico, acaba de fundar um partido político, "Os Egípcios Livres", que pretende ser laico e não confessional. São muitos os que nele se engajam, tanto do lado cristão como do lado muçulmano.

IHU On-Line – Tunísia, Egito e Líbia, mediados pela intervenção militar de países como os EUA e a França: a democracia terá a palavra final no Oriente Médio? E, em sua opinião, que tipo de democracia será essa?

Henri Boulad – O complô desencadeado pelo Wikileaks parece se confirmar dia após dia. O Islã radical – Irmãos Muçulmanos, Salafistas, Qaeda, Hamas –, provoca ou recupera as diversas revoluções em curso na região. É triste dizer, mas a "coalizão" ocidental – com um temível maquiavelismo – apoia essas rebeliões contra os regimes existentes na Síria, na Jordânia e na Líbia, sob o pretexto de encorajar a liberdade e a democracia, das quais zombam perdidamente. A única coisa que conta para eles são os interesses econômicos e estratégicos. A opinião pública se deixa influenciar pela nossa mídia podre, e nós todos caímos na armadilha.

Na Jordânia, os Salafistas acabam de apunhalar 34 policiais que tentavam restabelecer a ordem. Estranha democracia que se impõe pela violência!

Quando a polícia ou o Exército tentam intervir, uma decisão da ONU ou da Otan – ambas vendidas ao Ocidente – vem chamá-los à ordem em nome da sacrossanta democracia. Não é em nome dessa mesma democracia que a França contribuiu para estabelecer um regime islamista no Irã, que os EUA invadiram o Iraque para ali promover o caos, instalando Bin Laden e sua camarilha no Afeganistão e criando o Hamas na Palestina, em conivência com Israel, contra o Fath laico?

Tudo isso não é totalmente claro e deixa a porta aberta a todo tipo de interpretação.

IHU On-Line – Em suma, em uma análise mais profunda, qual o significado desses “sinais dos tempos” com relação à política e à democracia na contemporaneidade?

Henri Boulad – À guisa de conclusão, gostaria de arriscar uma interpretação "teológica" dessa "Primavera árabe" que vivemos hoje em dia na nossa região. Para mim, tratar-se-ia, nem mais nem menos, de um "sopro do Espírito Santo". Tal leitura "espiritual" pode ser esclarecida por certas mutações análogas que a humanidade conheceu no passado.

Relendo a história, constata-se que existiram, em certas épocas, reviravoltas radicais, momentos de virada que correspondem a um estado de maturação da humanidade no qual ela experimenta o que hoje se convencionou chamar de "mudança de paradigma".

Penso notadamente no século VI a.C., que foi um século extraordinário de renovação, de criatividade e de inspiração. Temos Confúcio na China, Buda na Índia, Zaratustra na Pérsia, Ezequiel, Isaías, Jeremias e os grandes profetas do Antigo Testamento em Israel, Heráclito, Parmênides, Sócrates e seus discípulos na Grécia... Essa época conheceu uma movimentação de porte universal que sacudiu o planeta inteiro, gerando espiritualidades, religiões, correntes de pensamento propriamente revolucionárias.

A Europa, no final da Idade Média, conheceu o mesmo tipo de fenômeno com a Renascença, a Reforma e a Revolução Francesa. Foi esse despertar que fez com que a história passasse para o que se chama de "modernidade".

Há cerca de 40 anos, essa modernidade retomou sua atualidade com a famosa explosão do "Maio de 68". No mesmo momento, em todos os recantos do planeta – de Paris a Tóquio, passando por San Francisco, Berlim, Oxford, Roma, Madri e em todas as universidades do mundo –, os jovens estudantes explodiram em uma espécie de revolta, exigindo a liberdade total e rejeitando quadros, estruturas, obrigações, religiões, tradições.

Como explicar tal fenômeno? Parece que a humanidade conhece, em certos momentos de seu desenvolvimento, mutações, mudanças em profundidade, nas quais o Espírito – esse Espírito que na origem pairava sobre as águas primordiais – faz estalar a casca do planeta e suscita reviravoltas inesperadas e imprevisíveis.

Não seria um fenômeno análogo que vivenciamos hoje no nosso mundo árabe? Com efeito, constatamos atônitos que, sem plano preconcebido, uma série de revoluções ocorre na Tunísia, no Egito, no Iêmen, no Bahrein, na Líbia, na Argélia, no Marrocos, na Síria, na Jordânia etc. Esse sismo que sacode a nossa região não seria fruto do mesmo Espírito que suscitou as grandes reviravoltas que a história conheceu no passado?

Isso mostra que não se pode comprimir impunemente o Espírito, esmagar a liberdade, pisotear a justiça, brincar com os valores fundamentais do homem e da sociedade. Chega um momento em que a história faz a sua revanche, e talvez seja a isso que estamos assistindo hoje em nosso mundo árabe.

(Por Moisés Sbardelotto)

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