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04 Abril 2011

Sim à fé hi-tech. "Os hackers têm muito a dizer aos cristãos. A sua filosofia de vida estimula a criatividade e a partilha". A Civiltà Cattolica, a revista dos jesuítas, cujos esboços são "controlados" pela Secretaria de Estado, reabilita os adeptos da "fé na informática".

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa, 04-04-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Já é convicção comum que "os hackers são sabotadores ou criminosos da informática". Mas, ao contrário, "devem ser diferenciados dos crackers, operadores de ilegalidades". Questionando "os modelos de vida e de pesquisa intelectual-hacker fundamentados na criatividade e na partilha", a Civiltà Cattolica decreta a sua compatibilidade com uma visão cristã da vida, "como demonstra a experiência dos hackers, que fazem da sua fé um impulso ao trabalho criativo".

O termo hacker é frequentemente referido "para a violação de segredos, códigos, senhas, sistemas protegidos". No caso do Wikileaks, "até se falou de hackers em ataque ao mundo", identificando em Julian Assange, o seu fundador, o "hacker incendiário da Web".

Ao contrário, "os hackers constroem as coisas, os crackers as destroem". Hacker é quem "se empenha para enfrentar desafios intelectuais para desviar ou superar criativamente as limitações que lhe são impostas nos seus âmbitos de interesse". O termo "hacker" se refere a especialistas em informática, mas, por si só, "pode ser estendido a pessoas que vivem de maneira criativa muitos aspectos das suas vidas".

Enfim, "a filosofia dos hackers é uma filosofia de vida, uma atitude existencial, jocosa e comprometida, que estimula a criatividade e a partilha, opondo-se aos modelos de controle, competição e propriedade privada". Portanto, "estamos diante não de problemas de ordem penal, mas sim de uma visão do trabalho humano, do conhecimento e da vida que coloca interrogações e desafios mais do que nunca atuais".

A Civiltà Cattolica "reconhece uma `vida abençoada` no código genético da visão hacker da vida", isto é, a intuição de que o ser humano é chamado a uma outra vida, a uma "realização plena e completa da sua própria humanidade".

O hacker "não é o homem do ócio, ao contrário, busca suas próprias paixões e vive de um esforço criativo e de um conhecimento que jamais tem fim". Além disso, "outras experiências também demonstram que, entre fé e ética hacker, podem ser criadas sintonias".

 

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