Diocese de Lyon enfrenta emergência midiática

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06 Abril 2016

A associação La Parole libérée, em 12 de janeiro, revelou o comportamento do padre Bernard Preynat, contra vários meninos de um grupo de escoteiros de Lyon, e questionava a manipulação deste caso pela diocese. Desde então, a situação tornou-se cada vez mais complicada para o Cardeal Philippe Barbarin.

A reportagem é de Marie Malzac, publicada por La Croix, 04-04-2016. A tradução é de Ramiro Mincato.

Em uma entrevista ao La Croix, de 11 de fevereiro, o arcebispo de Lyon disse ter sido informado "em 2007-2008". Daí a decisão das vítimas, com La Parole libérée, de fazer uma queixa pela "falta de denúncia", e por "colocar outras pessoas em perigo".

As revelações então começaram. Em meados de março, quando se abriu a Assembleia Geral dos Bispos, em Lourdes, apareceu o testemunho de Pierre, agora alto funcionário de um Ministério, que denunciava assédio sexual contra ele pelo padre Jérôme Billioud, quando ele tinha 16 anos e depois 19 anos de idade. Ele também apresentou uma denúncia contra o Cardeal Barbarin, algumas semanas mais tarde.

Dois dias depois, a imprensa torna público o caso de um sacerdote da diocese de Rodez, nomeado para Lyon, depois de ter sido condenado em 2007, por abuso sexual de seminaristas maiores. Então, em 30 de março, a AFP revela a condenação ocorrida em 12 de fevereiro de Guy de Gérentet Saluneaux, de 81 anos, de agressões sexuais cometidas contra oito meninas, entre 1989 e 2000. Neste caso, o Cardeal Barbarin tinha sido ouvido como testemunha, e tinha definido o padre como de fato “pervertido".

Ficaram algumas perguntas. Por que o teria recebido em 2004, quando o padre já tinha sido removido do ministério e excluído dos Maristas dois anos antes, sem aviso à justiça dos fatos relatados.

Último caso, em ordem de data, a revelação midiática, na última sexta-feira, de uma investigação preliminar do tribunal de Lyon, com relação a um padre bem conhecido na cidade. Este último decide seguir a linha da transparência, publicando explicações em seu blog paroquial, dizendo ter sido objeto de queixa apresentada em 2006, arquivada depois de ter havido um confronto entre ele, que era, então, um seminarista, e uma menina de cerca de 15 anos. Uma nova testemunha desta pessoa, por fatos que remontam a 1995, e a requalificação da denúncia, teriam permitido aos juízes retomar em mãos o dossiê.

"Ouve-se falar de cinco casos de pedofilia. Mas, de fato, os casos são muito diferentes uns dos outros", diz-se na diocese de Lyon. Um funcionário da Igreja de Lyon considera oportuna a ação legítima das vítimas, mas diz estar muito desconfortável com "a emergência midiática", por uma "perversa divulgação", pouco respeitosa das pessoas, que se parece com "acerto de contas".

Diante dos amálgamas, da confusão, "as pessoas não entendem mais nada, os paroquianos não sabem mais o que pensar".

Deveríamos crer que esta sucessão de revelações é resultante do despertar repentino das vítimas?

No caso de Guy de Gérentet Saluneaux, definitivamente. A associação La Parole libérée foi contactada recentemente por uma vítima daquele ancião ex-padre, que testemunhou o estupro sofrido. Sua ação e a midiatização desses casos encoraja outras vítimas. Segundo um funcionário da diocese, a revelação destes fatos desviantes de padres, confirmados ou não, "tem uma forte ressonância nas pessoas, porque a proporção de pessoas envolvidas de uma maneira ou outra, ao problema da violência sexual, em geral, é enorme". Uma vítima reconhece que "o prisma midiático" é forte, mesmo com "excessos", mas não aceita a ideia de um "encarniçamento" contra a diocese de Lyon.

"Há um duplo efeito: as vítimas acordam e a imprensa, cavando para exumar os casos, coloca o Cardeal Barbarin em face das suas contradições, depois de suas tomadas de posição moral muito fortes". Hoje, é o "silêncio culpável" da Igreja responsável por esta exposição, sustenta uma outra vítima, que afirmou estar pronta para “fazer explodir a diocese".

O entourage do Cardeal Barbarin disse afrontar esta pressão pelo tempo em que a justiça demorar em determinar se os erros de gestão, em parte reconhecidos, constituem um erro ou um reato.

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