França: polícia invade escritório do bispado de Lyon

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01 Abril 2016

Os investigadores franceses deram um novo e impressionante passo na investigação sobre as supostas omissões de denúncias de abusos de menores que envolvem alguns prelados, incluindo o arcebispo de Lyon e primaz das Gálias, o cardeal Philippe Barbarin.

A reportagem é do sítio Vatican Insider, 30-03-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A polícia realizou nessa quinta-feira uma busca nas sedes do arcebispado de Lyon, residência do cardeal Barbarin, que acabou no meio da tempestade porque foi acusado de ter acobertado, no passado, ao menos um sacerdote responsável, nos anos 1980, de atos de pedofilia em série contra diversos escoteiros.

"No âmbito das investigações preliminares abertas pela Procuradoria de Lyon – afirma o comunicado divulgado pela diocese francesa –, a diocese de Lyon teve que entregar hoje aos investigadores que vieram realizar uma busca os elementos de que a justiça pretendia dispor para jogar luz sobre aqueles acontecimentos dolorosos."

O cardeal Barbarin, explicou a diocese, "expressou, em inúmeras ocasiões, a sua vontade de colaborar com toda a transparência com a justiça, da qual ele está à disposição com confiança". "Ele renova a esperança – acrescenta a nota – de que a justiça possa agir na serenidade indispensável para a verificação da verdade e para a cura do sofrimento das vítimas."

O inquérito foi aberto paralelamente às investigações contra um sacerdote, padre Bernard Preynat, acusado de uma longa série de agressões sexuais contra jovens escoteiros que remontam há mais de 25 anos. As vítimas denunciaram Preynat e os responsáveis da diocese como culpados, na sua opinião, de não terem informado a Justiça, embora estando a par dos fatos.

Barbarin sempre rejeitou as acusações, afirmando que, no momento dos fatos em questão, ele ainda não era um bispo, transferindo, em parte, a contestação aos seus antecessores e afirmando que, quando ele teve testemunho direto dos abusos de Preynat, hoje com 71 anos, foi ele, no ano passado, que o suspendeu, antes ainda da denúncia das vítimas à justiça.

Entre estas últimas, no entanto, não faltam aquelas que pedem a renúncia do purpurado, que, em uma das missas da Semana Santa antes da Páscoa, também pediu "pessoalmente desculpas" às vítimas dos padres pedófilos.

Envolvendo um prelado de tão alto prestígio, dentre outras coisas homem de confiança do atual pontífice, o caso causou muito frisson não só na França, e as novas investigações de hoje também intervêm para agitar ainda mais as águas.

Tornou-se até um caso político, depois que o primeiro-ministro socialista francês Manuel Valls advertiu Barbarin, em uma entrevista de rádio, para que ele "assuma as suas responsabilidades". "Se esse debate dissesse respeito ao diretor de uma escola – observou Valls – o que diríamos? Seríamos implacáveis. Um homem da Igreja, um cardeal, o primaz das Gálias tem uma influência moral e intelectual, exerce uma responsabilidade sobre a nossa sociedade, ele deve compreender a dor das vítimas."

E, à severa repreensão do primeiro-ministro a "assumir as suas responsabilidades" e a "falar e agir", o cardeal Barbarin, apoiado pelos bispos da França, teve que reagir imediatamente, assegurando, em uma coletiva de imprensa: "Nunca, jamais acobertei qualquer ato de pedofilia".

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