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25 Agosto 2012

O mercado começa a discutir o futuro do ensino a distância (EAD), segmento que nos últimos cinco anos praticamente triplicou de tamanho e hoje já conta com cerca de 1 milhão de alunos. Uma das tendências em debate é a substituição do atual modelo por cursos de graduação ministrados totalmente por meio da internet - modalidade em que o aluno só precisa comparecer à sala de aula para as provas ou disciplinas práticas.

A reportagem é de Beth Koike, publicada no jornal Valor, 24-08-2012.

Atualmente, pelo formato mais usual, além de acessar o conteúdo pela web de casa, o estudante vai aos polos das instituições espalhados pelo país assistir a aulas ministradas ao vivo por videoconferência (transmitidas via satélite). Em cada sala, há um tutor que envia as dúvidas dos estudantes ao professor. O conteúdo pedagógico fica disponível na internet para consultas posteriores e o aluno também pode enviar suas dúvidas.

Os consultores especializados em educação Carlos Monteiro, João Vianney e Ryon Braga acreditam que o setor vive hoje um período de transição e que a partir de 2015 começará uma migração para cursos de graduação realizados exclusivamente pela web. "Daqui alguns anos haverá uma concorrência entre cursos transmitidos pela internet e por satélite", disse Carlos Monteiro, sócio da consultoria CM. "O custo de cursos pela internet é muito menor", afirma Ryon Braga, fundador da Hoper.

O mercado financeiro também está de olho nessa tendência. A HSBC Corretora enviou, este mês, um amplo relatório de 80 páginas para investidores destacando os cursos focados na web. A corretora acredita que já a partir de 2014 inicia-se essa migração.

Hoje alguns grupos de ensino já investem em cursos totalmente on-line. Entre eles, estão, por exemplo, a carioca Estácio e a catarinense Unisul, que juntas têm mais de 55 mil alunos. A Cesumar, de Maringá (PR), não tem cursos de graduação formatados especialmente para a internet, mas cerca de 20% (4 mil) dos seus estudantes de ensino a distância só vão à faculdade em dias de prova ou aulas práticas. A Uninter, do Paraná, uma das maiores em EAD, está desenvolvendo um projeto para ter esse tipo de graduação. "Hoje, um dos problemas dos cursos totalmente on-line é a evasão. É preciso ter um acompanhamento muito próximo para que os alunos continuem se sentido parte da instituição, mesmo estando distantes", explicou Benhur Gahio, diretor da Uninter, que tem 80 mil matriculados em graduação a distância.

Nesse cenário futuro, a corretora do HSBC acredita que o grupo mais afetado será a Kroton, uma vez que 30% dos seus alunos estudam a distância com o modelo de aulas via satélite. A Anhanguera também seria prejudicada porque trabalha com o mesmo sistema. Na outra ponta, a mais beneficiada seria a carioca Estácio, cujas aulas são todas transmitidas pela internet.

"Em 2014-15, esperamos que o MEC tenha concluído o ciclo de avaliação dos cursos de EAD totalmente baseados na internet (...). A nosso ver, a expansão desses cursos será o começo do fim dos cursos baseados na transmissão de satélites e de outros cursos que exigem o comparecimento semanal de alunos nos polos de EAD", informa o relatório da HSBC Corretora, assinado pelos analistas Luciano Campos e Caio Moscardini.

O relatório destaca ainda que no curto prazo, ou seja, pelo menos até o próximo ano, o cenário continue favorável para a Kroton. Porém, esse sucesso só seria mantido se a instituição de ensino mineira tiver capacidade para migrar seu atual modelo para aulas totalmente on-line. "Acredito que o modelo que adotamos, com aulas 80% a distância e 20% telepresenciais, ainda vai persistir por mais 10 a 15 anos. A evasão em cursos a distância com interação presencial é muito menor quando comparada aos cursos 100% a distância", disse Rodrigo Galindo, presidente da Kroton. A companhia investiu R$ 1,8 bilhão na compra de duas faculdades de EAD. "Não acho que a Kroton será prejudicada nesse novo modelo. Ela continua tendo como vantagem o grande volume de alunos já estudando a distância", complementou Braga.

O relatório da HSBC Corretora também questiona o desempenho da Anhanguera, que cresceu pouco em EAD porque está focada na integração da Uniban, comprada em setembro de 2011. A Anhanguera terminou o segundo trimestre com 86,7 mil alunos na graduação, aumento de apenas 6% em relação a um ano antes. Já na Estácio, o crescimento foi de 38,2%. Os analistas preveem que a Anhanguera retomará a expansão, mas questionam como isso será feito. "Não temos certeza que a Anhanguera está convencida de que precisa mudar as características de seus cursos em EAD, portanto, pode ou não adotar o caminho que acreditamos ser o correto", informa. "Não acredito nesse formato. O modelo consagrado que atingiu 1 milhão de alunos é o atual, um mix de internet e satélite. Já vi vários cursos baseados só em web que quebraram", diz Ricardo Scavazza, presidente da Anhanguera.

Preferida pelos analistas da HSBC, a Estácio foi a última entre as empresas de educação com ações em bolsa a entrar no mercado de ensino a distância. "A Estácio pode ter que melhorar sua oferta de EAD, mas pelo menos em relação a outras empresas listadas e outras grandes empresas, já oferece a conveniência de um número mínimo de visitas a polos de ensino, e parece já estar preparada para competir com um número limitado de polos. Portanto, em nossa opinião, a Estácio deve ser a mais beneficiada pelas mudanças potenciais na dinâmica competitiva", segundo o relatório "Nosso modelo é resultado de uma reflexão de dois a três anos. Não há polos. Os alunos fazem as provas trimestrais no próprios campi da Estácio. Acreditamos na conveniência deste modelo, principalmente, em cidades grandes em que o deslocamento é complicado", disse Rogério Melzi, presidente da Estácio.

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