O Papa: a sinodalidade não é um slogan. Expressa a natureza, o estilo da Igreja

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21 Setembro 2021

 

"Para o Papa, o tema da sinodalidade não é o capítulo de um tratado de eclesiologia, muito menos uma moda, um slogan ou o novo termo a ser usado ou instrumentalizado", escreve Stefania Falasca, jornalista, em artigo publicado por Avvenire, 19-09-2021 comentando o importante discurso do Papa Francisco proferido no dia 18 de setembro e que pode ser lido, na íntegra, aqui. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

"Existem muitas resistências para superar a imagem de uma Igreja rigidamente distinta entre chefes e subalternos, entre quem ensina e quem deve aprender, esquecendo que Deus gosta de inverter as posições ... A Igreja sinodal restaura o horizonte de onde surge o sol de Cristo: erigir monumentos hierárquicos significa cobri-lo ... Quando a Igreja é testemunha, por palavra e por atos, do amor incondicional de Deus, de sua amplitude hospitaleira, expressa verdadeiramente sua própria catolicidade... Ser Igreja é um caminho de entrar nesta amplitude de Deus...”.

Um discurso intenso que o Bispo de Roma quis dirigir ontem à sua diocese fundada pelo sangue de Pedro e Paulo. Uma intervenção articulada que, penetrando na Escritura, focaliza os pontos-chave da natureza e da missão da Igreja e na qual o Papa várias vezes levantou os olhos do seu texto escrito para inserir ressalvas improvisadas que pretendem fazer entender a fonte e a importância do caminho sinodal a que a Igreja é chamada em vista da Assembleia do Sínodo dos Bispos de 2023. “Seria um papelão para o Papa e para a diocese se não se empenhasse neste caminho”, começou brincando com os participantes do Congresso da Diocese de Roma reunidos na Sala Paulo VI após a breve saudação do Vigário de Roma, Cardeal Angelo De Donatis. Mas indicando mais uma vez os Atos dos Apóstolos como texto paradigmático ao qual convém se reportar para reconhecer as fontes e a natureza própria da missão a que é chamada a comunidade eclesial, imediatamente observou: “Este itinerário foi concebido como dinamismo de escuta recíproca, envolvendo todo o povo de Deus.

Não se trata de recolher opiniões, porque não se trata de um levantamento, mas de ouvir o Espírito Santo”. Para o Papa, o tema da sinodalidade não é o capítulo de um tratado de eclesiologia, muito menos uma moda, um slogan ou o novo termo a ser usado ou instrumentalizado: “Não! A sinodalidade exprime a natureza da Igreja - afirmou - a sua forma, o seu estilo, a sua missão. E por isso falamos de Igreja sinodal, evitando, no entanto, considerá-la um título entre outros, um modo de pensá-la que oferece alternativas. Não digo isso com base numa opinião teológica, nem mesmo como pensamento pessoal, mas seguindo o que podemos considerar o primeiro e mais importante “manual” de eclesiologia, que é o livro dos Atos dos Apóstolos”. “O livro de Atos - explicou - é a história de um caminho que começa em Jerusalém e termina em Roma.

Esta estrada conta a história em que caminham juntas a Palavra de Deus e as pessoas que àquela Palavra dirigem a sua atenção e fé. Todos são protagonistas, ninguém pode ser considerado mero figurante. Naquela época, os ministérios ainda eram considerados autênticos serviços. E a autoridade nascia da escuta a voz de Deus e das pessoas - nunca os separar! - que mantinha ‘em baixo’ aqueles que a recebiam. O ‘baixo’ da vida, à qual era necessário prestar o serviço da caridade e da fé”. O Papa, portanto, se deteve em explicar para não discriminar ninguém, para não fazer da paróquia um clube e sobre o fato de que “o Espírito é o grande protagonista”.

E para explicar como este dinamismo não é um contrato para pessoas especializado porque "o impulso e a capacidade vêm do Espírito", assim como disse o próprio Cristo, o Bispo de Roma afirmou que "Igreja Sinodal significa Igreja sacramento desta promessa" e de improviso reiterou: “Seremos Igreja se prosseguirmos neste caminho ... Haverá sempre discussões, mas as soluções - retomou - devem ser procuradas dando a palavra a Deus e às suas vozes entre nós; orando e abrindo os olhos para tudo o que está ao nosso redor; praticando uma vida fiel ao evangelho; interrogando a Revelação segundo uma hermenêutica peregrina que sabe salvaguardar o caminho iniciado nos Atos dos Apóstolos ”. “Essa hermenêutica - perguntou então o Papa - começou com o Concílio Vaticano II? Não! Tudo começou com o primeiro Concílio dos Apóstolos”.

Voltando assim ao Concílio de Jerusalém, o primeiro da história da Igreja, exortou a recordar sempre o que ali disseram os apóstolos: "Nós decidimos, o Espírito Santo e nós" para não cair em um "parlamento diocesano" e escapar da “tentação de fazer sozinhos, como se, tendo subido ao céu, o Senhor tivesse deixado um vazio a preencher”.

O Papa Francisco retomou então santo Agostinho para dizer o lugar que o pastor deve ocupar no rebanho e voltou à feliz fórmula de São Vicente de Lérins para explicar que o "depósito da fé" não pode ser conservado sem fazê-lo progredir. As modalidades concretas de realização do caminho sinodal deverão evitar também a tentação de conceber e apresentar paróquias, movimentos e comunidades eclesiais como se fossem clubes exclusivos: “Recomendo - disse o Bispo de Roma - deixem portas e janelas abertas, não se limitem a levar em consideração apenas aqueles que frequentam ou pensam como vocês ... que serão 4 ou 5 por cento ... Permitam que todos entrem...

Permitam a vós mesmos ir ao encontro e se deixar questionar, que suas perguntas sejam as vossas perguntas”. “Vim aqui para vos encorajar a levar a sério esse processo sinodal e para vos dizer que o Espírito Santo precisa de vós”, disse o Papa. Escutem-no escutando-vos. Não deixem ninguém fora ou para trás. Será bom para a diocese de Roma e para toda a Igreja, que não se fortalece apenas reformando suas estruturas, dando instruções, oferecendo retiros e conferências, ou por força de diretrizes e programas, mas se redescobrirá sendo povo que quer caminhar junto, entre nós e com a humanidade”.

 

 

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