Entenda por que a fome se alastrou pelo país

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27 Julho 2021

 

"Pelas implicações na cadeia produtiva, no emprego e na arrecadação fiscal, trata-se de um problema de país. Não se viu um movimento sequer de Guedes para sequer analisar o problema. Nisso, é extremamente parecido com Bolsonaro, se se eximir de qualquer responsabilidade em relação ao país, como se fossem observadores anônimos de cenários”, escreve Luís Nassif, jornalista, em artigo publicado por Jornal GGN, 26-07-2021.

 

Eis o artigo.

 

A história ainda haverá de fazer justiça a Paulo Guedes, e entronizá-lo como o pior Ministro da Economia da história. A sucessão de atos errados e omissões amplificou enormemente a crise provocada pelos erros das políticas de saúde.

O primeiro grande erro foi não ter impedido a dolarização dos preços de commodities – especialmente alimentos e combustível. Houve um impacto imediato nos preços ao produtor e no Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), que serve de parâmetro para a fixação da taxa básica de juros.

Qualquer Ministro, com um mínimo de capacidade de análise, trataria de reduzir os danos, seja atuando sobre o mercado de câmbio, ou impondo taxas de exportação ou – no caso do petróleo – obrigando a Petrobrás a usar como referencial de preços os custos de prospecção.

As altas impactaram diretamente a mesa dos pobres, criando uma tragédia humanitária sem paralelo no país. Além disso, trouxeram de volta a inflação levando o BC a aumentar os juros, com impacto direto sobre a dívida pública.

Não fica nisso sua inércia. O principal setor da economia, o automobilístico, está parando devido à falta de chips. Pelas implicações na cadeia produtiva, no emprego e na arrecadação fiscal, trata-se de um problema de país. Não se viu um movimento sequer de Guedes para sequer analisar o problema. Nisso, é extremamente parecido com Bolsonaro, se se eximir de qualquer responsabilidade em relação ao país, como se fossem observadores anônimos de cenários.

Abaixo, um pequeno levantamento do IPC-15 de julho – a prévia do IPCA.

No mês, a alta foi de 0,72%. A última vez que o índice de julho bateu nesse patamar foi em 2015, com a economia abalada pelos choques de câmbio e tarifa do pacote Joaquim Levy.

No IPCA-15, a maior variação anual foi de Transportes, Artigos de Residência, Alimentação e Bebidas e Habitação.

Quando se analisa sob a ótica do impacto no índice final, percebe-se que, dos 8,59% de alta em 12 meses, 3,02% foram decorrência da alta dos combustíveis, 2,60% de Alimentos e 1,57% de Habitação.

Quando se desdobram os gastos com Habitação, 0,35% foram decorrência do Aluguel – diretamente impactado pelo câmbio, por ser corrigido pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), com forte influência do câmbio.

No item Transportes, Combustíveis de Veículos registraram 46,8% de aumento, com impacto sobre toda a cadeia de transportes e, por consequência, sobre os custos das mercadorias.

No subgrupo Alimentos no Domicílio fica claro o impacto do câmbio. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 15,26%. Diretamente impactados pelo câmbio e pelas cotações internacionais, Óleos e Gorduras aumentaram 55%, carnes aumentaram 35,13% e Cereais e Leguminosas 30,39%

Analisando-se o impacto sobre o IPCA, Alimentação afetou em 2,17% o índice acumulado. Nela, só a carne impactou em 0,92% e Cereais e Leguminosas em 0,25.

Repare que esses dados se referem ao IPCA como um todo, com uma grande gama de serviços que ajudam a derrubar o índice final. Para famílias de baixa renda Alimentos e Aluguel têm um peso expressivo.

No IPCA geral, Alimentos e Bebidas tem peso de 20%. Portanto, a alta de 12,83%têm um impacto de 2,60% no índice final. Supondo famílias de baixíssima renda, em que a Alimentação representa, digamos, 60% de seus gastos mensais. Nesse caso, o impacto da alta equivaleria a uma inflação de 7,70% apenas nesse item, sem contar os impactos da alta de aluguéis e transportes.

Esse dados explica a terrível tragédia de família não conseguindo sequer ter renda para alimentação básica.

 

Nota do Instituto Humanitas Unisinos – IHU

 

No dia 29/07, quinta-feira, o Prof. Dr. Sérgio Amadeu, da UFABC, ministrará a palestra Tecnologia e fome. A uberização do alimento e as big techs na digitalização do agronegócio. O evento será transmitido ao vivo pela página inicial do IHU, YouTube, Facebook e Twitter. Mais informações podem ser consultadas aqui.

 

Tecnologia e fome. A uberização do alimento e as big techs na digitalização do agronegócio

 

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