Não é um sonho do Papa, mas do Concílio. Uma conversa com o cardeal Mario Grech sobre a novidade do Sínodo

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16 Junho 2021

 

O Papa das periferias nunca o considerou de outra forma e o repetiu muitas vezes desde o início de seu ministério: a Igreja é um povo em caminho com seus pastores à frente do rebanho, ou no meio ou atrás, mas em todo caso um povo que tem "faro" para as coisas do Espírito. E esta convicção - que na verdade vem do Vaticano II - é a mesma colocada na base de um itinerário que levará, de uma maneira nova em relação ao passado, a preparar e depois viver a Assembleia Sinodal de outubro de 2023. Um percurso que, como se sabe, deverá permitir nas suas várias etapas atingir e envolver os fiéis de todas as ordens e níveis.

O cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo dos Bispos, reitera aos meios de comunicação vaticanos que o trabalho do Secretariado está se movendo ao longo desta linha e que os encontros na modalidade virtual, que começaram em 14 de junho e marcados até 18, querem tornar concretos aquela escuta e aquele confronto colocados na base do processo sinodal.

A entrevista é publicada por L'Osservatore Romano, 15-06-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis a entrevista.

 

Pode nos falar sobre esta nova modalidade operacional do Sínodo dos Bispos?

Quando fizemos o novo itinerário, que não foi invenção nossa, ouvimos também o que alguns bispos já haviam comunicado à Secretaria nos últimos anos. Além disso, é um itinerário que reflete a vontade do Santo Padre ou, melhor ainda, a natureza da Igreja, porque este não é um sonho do Papa Francisco, mas é o ensinamento do Vaticano II: uma Igreja que é povo de Deus. Com este background, apresentamos a proposta desse novo itinerário sinodal para o qual, como diz a Episcopalis communio, o Sínodo não é mais um evento, mas um processo. Ou seja, não é mais o evento do Sínodo dos Bispos que se celebra a cada três anos em Roma, mas é um processo. Portanto, assim que traçamos o itinerário, antes de publicá-lo, entramos em contato com os presidentes e secretários-gerais das Assembleias Continentais das Conferências Episcopais justamente para ouvi-los, porque se trata de um projeto que também deve ser realizado pelos nossos parceiros, que são os bispos. Depois cuidamos da publicação e sucessivamente embarcamos nesta outra experiência: um encontro com os presidentes, os secretários gerais - e também dirigimos o convite ao Conselho permanente - de todas as Conferências Episcopais do mundo, justamente para programar sinodalmente o processo para um sínodo sobre a sinodalidade.

 

Os primeiros passos que estão movendo nessa direção, nessa gestação, o que lhe sugerem?

Devo dizer que dos encontros que tivemos a reação é surpreendente, muito positiva, e há muito entusiasmo nos bispos que ouvimos. Até mesmo alguns deles já têm experiências de sinodalidade: por exemplo, a Austrália, que está celebrando um concílio plenário, mas também há outros. Então, vamos compartilhar as experiências: com o documento preparatório que será publicado em setembro, queremos também publicar um vade-mécum com as melhores práticas da sinodalidade, porque há alguns que já começaram, mas há outros que ainda estão aos inícios. Então, isso nos ajudará - compartilhando essa experiência eclesial de toda a Igreja, não só do centro - a nos encaminhar por este caminho.

 

Como principal responsável pela Secretaria do Sínodo, como vê o caminho que escolheram do ponto de vista - como o senhor dizia antes - não só do coração do Papa Francisco, mas do Vaticano II, portanto do mais amplo magistério da Igreja?

Talvez a resposta que vou lhe dar seja um pouco surpreendente: sinceramente, não conheço o caminho porque a estrada vai se desenvolvendo dia a dia. Temos algumas linhas gerais, mas estamos abertos. Não é um projeto já fixado, é feito ouvindo os nossos parceiros, porque o Sínodo não é um projeto da Secretaria, mas da Igreja. Estamos fazendo encontros também com os vários dicastérios da Cúria, porque queremos que eles também se sintam partícipes na organização, na celebração desse processo. Por isso, estamos todos dispostos a aprender, também para o bem da Igreja, para modular o caminho que o Espírito nos indica.

 

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