Confrontos em Jerusalém. “Violência cega e nunca vista”, constata Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém

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14 Mai 2021

 

De Jerusalém, o testemunho do patriarca latino Pierbattista Pizzaballa: "estamos assistindo uma violência cega e nunca antes vista, estamos quase à beira de uma guerra civil". O indicador do patriarca aponta contra "a política de desprezo levadas a cabo por formações extremistas de direita. O desprezo é sempre a antecâmara da violência”. Famílias cristãs agredidas. É urgente "consertar os danos nas comunidades mistas" das cidades outrora lugares de convivência.

A reportagem é de Daniele Rocchi, publicada por AgenSIR, 13-05-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Jerusalém, com o antigo problema dos despejos em Sheik Jarrah, os confrontos na esplanada das Mesquitas justamente na época do Ramadã e, como um efeito dominó, o lançamento de foguetes de Gaza em direção a Israel e a resposta do exército israelense": é esta, declara ao Sir Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, a mistura explosiva que há dias inflama Israel, Gaza e a Cisjordânia.

O número de mortos é atualizado ao som de sirenes de alarme e do assobio dos foguetes e bombas. Na Faixa de Gaza, há pelo menos 82 mortos e 500 feridos, 115 dos quais são crianças e adolescentes. As autoridades israelenses falam de 6 mortos. Não se contam mais as agressões, os linchamentos, as violências - muitas delas veiculadas pelas redes sociais - com protagonistas árabes e israelenses, habitantes também de centros urbanos que até poucos dias atrás eram locais de convivência.

 

Uma violência cega nunca antes vista

 

“Uma violência cega nunca antes vista que envolve tantas cidades com comunidades mistas como Tel Aviv, Jaffa, Lod, Ramle, Haifa”, declara o patriarca ao SIR, acrescentando: “estamos à beira de uma guerra civil”.

"É claro que ainda não chegamos lá e esperamos não chegar". E nem mesmo se trata de uma "terceira Intifada porque comparada àquelas do passado, hoje estamos lidando com gerações que vivem perspectivas totalmente diferentes e em contextos sociopolíticos profundamente mudados, dados os desenvolvimentos políticos em Israel e nos Territórios Palestinos, em Gaza com Hamas. Contextos mudados mesmo estando conectados entre si". Para Pizzaballa, 30 anos de vida passados na Terra Santa, “o que estamos observando hoje é o resultado de anos de política de desprezo e também de abandono”.

Por exemplo, “um dos temas quentes dentro da comunidade árabe em Israel é a segurança contra a criminalidade. Um tema de alguma forma negligenciado pelas instituições israelenses responsáveis. Agora está aparecendo a política de desprezo praticada pelas formações extremistas de direita. O desprezo é sempre a antecâmara da violência”.

 

Medo entre os cristãos

 

Nesse clima de violência generalizada, as comunidades cristãs também estão sofrendo as consequências: “Houve casos de agressão contra algumas famílias, não por motivos religiosos, mas por serem árabes - revela Pizzaballa -. Ouvi um pouco todas as nossas realidades. Fui chamado pelas paróquias que me pediram para fazer alguma coisa, promover encontros com judeus e muçulmanos, a fim de acalmar a situação. Entre as pessoas há tanta surpresa e grande preocupação por uma violência que explodiu de forma muito rápida e inesperada, sinal evidente de um cansaço que já vinha se formando há algum tempo.

O que se percebe é uma inadequação por parte de muitos israelenses e palestinos que não conseguem enfrentar esta situação: por um lado, querem continuar a viver juntos no respeito mútuo e, pelo outro, se sentem puxados - dilacerados - por forças extremistas que antes eram latentes, mas agora emergiram com uma virulência dramática”.

 

Recuperar os danos começando pelas escolas

 

“Recuperar esses danos não será fácil - admite o patriarca – reconstruir a confiança levará muito tempo e, sobretudo, exigirá uma ação comum”. Em primeiro lugar, por parte da política: “não será mais possível permitir que uma política, mesmo de alto nível, use a linguagem do desprezo e do antagonismo como já aconteceu muitas vezes por parte de alguns elementos que se sentam também no Parlamento".

“É igualmente importante que as comunidades e os líderes religiosos trabalhem nessa direção. Reconstruir a confiança é um trabalho longo e não devemos ter muitas ilusões esperando resultados rápidos. É um trabalho que parte de longe, das escolas, em primeiro lugar, ensinando convivência, o respeito, a tolerância e o direito”. É o que se faz há décadas nas escolas do Patriarcado e da Custódia. “São frutos que nós não veremos - conclui Pizzaballa - mas que as próximas gerações verão. Mas só se tivermos trabalhado bem”.

 

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