Alemanha: o bom uso das palavras

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31 Março 2021

 

"A Igreja alemã é simplesmente um ponto de evidência de que atrasar a estratégia pastoral e cultural da Igreja Católica está fadada ao fracasso. O mundo católico e sua Igreja estão ocupados demais consigo mesmos para perceber que todas as nossas referências se tornaram irrelevantes para a vida das pessoas", escreve Marcello Neri, em artigo publicado por Settimana News, 30-03-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

Com referência à Igreja Católica alemã, em nível internacional da informação, o clichê do "cisma" se repete cada vez com mais frequência – sobre o qual também sussurram vozes dentro do episcopado que não veem com bons olhos o caminho sinodal empreendido pelo catolicismo local.

Tudo reforçado pela sugestão histórica de ser a pátria de Lutero, como se isso implicasse uma tendência cismática quase inscrita nos genes da fé, por um lado, e propositais tomadas de posições parciais tomadas por bispos, grupos teológicos ou padres, pelo outro. Como se o recente responsum da Congregação para a Doutrina da Fé sobre a bênção dos casais do mesmo sexo só tivesse gerado indignação ali, ou que só na Alemanha isso indicaria o nascimento de uma nova Igreja separada de Roma.

Ocultando sob nomes politicamente corretos o cisma latente posto em campo pelo catolicismo conservador estadunidense e por todas as correntes espalhadas pelo mundo generosamente financiadas por aquela fonte: onde continuamente é proposta uma Igreja alternativa àquela que está sob o ministério de Pedro.

Nesse pout-pourri midiático e complacente, as tendências decenais de saída do apoio fiscal público às Igrejas (católicas e evangélicas) são trocadas com o índice atual de uma disponibilidade cismática do catolicismo local. Neste momento, ninguém tem força para criar outra Igreja na Alemanha: nem a corporação teológica, nem as associações de leigos, nem mesmo os bispos. Provavelmente, inclusive, ninguém tem grande desejo por isso.

A Igreja alemã é simplesmente um ponto de evidência de que atrasar a estratégia pastoral e cultural da Igreja Católica está fadada ao fracasso. O mundo católico e sua Igreja estão ocupados demais consigo mesmos para perceber que todas as nossas referências se tornaram irrelevantes para a vida das pessoas.

O Caminho Sinodal alemão, junto com indiscutíveis méritos, também tem o limite de ser mais uma tentativa de um catolicismo preocupado apenas consigo mesmo e tão fascinado pelas sereias de um mundo externo (que não existe mais) que finalmente se teria libertado de todos os empecilhos que entulham a casa católica. Exceto por manter seus pés bem firme dentro dela, para se proteger dos muitos perigos que a navegação em mar aberto traz consigo. Não há absolutamente nada de cismático em tudo isso.

Irmãos (e irmãs) quase gêmeos do oposto estadunidense, apenas um pouco mais fiéis e devotados ao papa - e menos acostumados do que eles àquela independência econômica que é a verdadeira base para qualquer possível cisma, exceto para vê-la imediatamente jogada no jugo de uma nova subserviência. Começar um cisma hoje significa apenas mudar de patrão.

Melhor manter-se o mais liberal, aquele que garante o seu salário e permite que você exiba a sua dissidência sem muitos problemas - e isso, em nossos dias, é permitido em Roma. O catolicismo sugerido pela classe teológica alemã não parece capaz de fazer mais do que isso. Os simples fiéis pegam a porta de saída, talvez tirando a poeira de seus sapatos, e cuidam de suas biografias enquanto economizam algum dinheiro. Os bispos vivem o melhor que podem, sem grandes lampejos de gênio - e certamente nenhum gesto de destemida coragem deve ser esperado deles.

Gostaríamos de ter alguém que fosse capaz de organizar hoje um cisma digno desse nome, como aquele de Lutero, para ser claro: seria bom para toda a Igreja - mas os tempos não são favoráveis nem mesmo para isso.

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