Hospitais de Manaus ficam sem oxigênio, dois dias depois de Pazuello pressionar por cloroquina

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15 Janeiro 2021

Pelo menos um hospital e serviços de pronto-atendimento estão sem oxigênio em Manaus. A denúncia foi feita pelo pesquisador e epidemiologista da Fiocruz Amazonas, Jesem Orellana, à colunista da BandNews Mônica Bergamo. Vídeos encaminhados pelo pesquisador à jornalista relatam a situação dramática dos pacientes de covid-19 na capital amazonense.

A reportagem é de publicada por Rede Brasil Atual, 14-01-2021.

Na segunda-feira o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, esteve em Manaus e se encontrou com prefeito da cidade, David Almeida (Avante) e com o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC). O Ministério pediu autorização para fazer uma ronda nas Unidades Básicas de Saúde para encorajar o uso de remédios comprados em larga escala pelo governo de Jair Bolsonaro, como a cloroquina e a ivermectina, mas sem eficácia comprovada pelos doentes atingidos pelo novo coronavírus. Em documento enviado à secretaria de Saúde de Manaus, o ministério de Pazuello trata como “inadmissível” a não utilização desses remédios.

O documento, no entanto, não trata de nenhum tipo de auxílio ou socorro a Manaus que começa a ficar sem oxigênio para o tratamento de seus doentes. Segundo médicos que não quiseram se identificar, a situação na capital amazonense é ainda mais grave do que vem sendo divulgado. “Pacientes ficam pelos corredores sem oxigênio até morrer. Tem gente ‘internada’ dentro de ambulância.”

Uma médica relatou: “Hoje uma catástrofe está acontecendo no HUGV, desde as 7 horas não há oxigênio para os pacientes internados e estamos tentando fazer o possível para dar suporte, mas já tivemos fatalidades. Com isso estamos pedindo apoio à população que se tiver algum cilindro de oxigênio que traga ao hospital para que consigamos aguentar o máximo possível. Precisamos de vocês!”, pediu.

Pessoas desesperadas

Destinatária do ofício, a secretária de Saúde de Manaus, Shadia Fraxe, disse ao Painel da Folha de S.Paulo que somente distribuirá medicamentos cuja eficácia tenha sido comprovada por estudos científicos. “Vivemos uma situação muito diferente em Manaus. Existem muitas pessoas que estão desesperadas querendo tentar de tudo. Não posso tirar isso delas”, disse. “Mas essa medicação nem chegou aqui.”

E reforça: “Esses dias têm sido muito difíceis. Nem oxigênio na rede eu estou tendo mais, de tanto que a demanda subiu. As pessoas estão correndo para todos os caminhos”. A secretária informa que a conversa com os representantes do ministério não passou pelo tema do que o governo federal chama de “tratamento precoce”.

Morte em casa

Segundo levantamento inédito da Arpen-Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais do Brasil), o número de pessoas mortas em domicílios aumentou 38% no Amazonas entre 2019 e 2020, durante a pandemia do novo coronavírus. O total de mortos em residências passou de 3.201 pessoas, em 2019, para 4.418 no ano passado. De acordo com Jesem Orellana, o local da morte é sinal da incapacidade do sistema hospitalar de internar, intubar e tratar os pacientes com covid-19. Ele ressalta que o colapso segue em 2021.

“Há pessoas literalmente morrendo sufocadas em suas casas”, disse o especialista. “São centenas de pacientes em fila para internação em leito clínico e de UTI [Unidade de Terapia Intensiva]. Na terça-feira recebi dois chamados desesperados de conhecidos pedindo alguma dica para internar parentes deles em Manaus. É o colapso. Um parente meu, com 80% de saturação, estava praticamente sem respirar. E não tem a menor possibilidade de internar em leito. Estou revivendo o que assisti em abril de 2020. É simplesmente uma repetição, mas em uma escala maior”, disse Orellana em reportagem da Folha de S.Paulo.

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