Teólogos pedem à Igreja para que abandone a resistência a transgêneros e intersexuais

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07 Dezembro 2020

Dois conhecidos teólogos estadunidenses pediram para a Igreja abandonar a discriminação mal informada contra pessoas transgênero e intersexo, e, em vez disso, optar pela imitação de Cristo, pela acolhida e aceitação delas.

A reportagem é de Kevin Molly, publicada por New Ways Ministry, 05-12-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Michael G. Lawler e Todd A. Salzman, ambos teólogos da Creighton University, defensores da população LGBTQ, argumentam contra documentos católicos como “Homem e Mulher os criou”, de 2019, da Congregação do Vaticano para a Educação Católica, e “Compaixão e Desafio”, de 2020, da Arquidiocese de St. Louis, Missouri. Esses documentos não compreendem as vivências de transgêneros e intersexuais. Por causa dessa incompreensão, as conclusões tiradas pela Igreja representam mais discriminação contra um grupo que já é alvo.

O ensaio de Lawler e Salzman, intitulado “A Igreja Católica precisa ouvir transgêneros e intersexuais”, foi publicado pelo National Catholic Reporter (e traduzido ao português pelo IHU).

Lawler e Salzman tratam particularmente do documento da Arquidiocese de St. Louis, o qual tem como subtítulo “Reflexões sobre a Ideologia de Gênero”. Eles afirmam que o documento carece de considerações das ciências sociais e biológicas contemporâneas sobre gênero, sexo e sexualidade. Apesar da declaração da Igreja enfatizar sobre o diálogo, a dupla identificar uma ausência grave de diálogo com a ciência e o pensamento moderno sobre gênero. Eles pontuam que o papa João Paulo II ensinou que “a Igreja valoriza a pesquisa sociológica e estatística” e que o subtítulo do documento do Vaticano “Para uma via de diálogo sobre a questão do gender na educação” são sinais de que a Igreja não deve estar apenas em diálogo com a ciência moderna, mas também com as experiências reais vividas por pessoas transgênero e intersexo.

Os teólogos identificam a dissonância entre a necessidade declarada de diálogo e a real tomada de decisão de cima para baixo apresentada nos documentos. Quando a Igreja diz que quer diálogo, parece que só quer que as pessoas LGBTQ em geral, e as pessoas trans e intersexo em particular, ouçam o que a igreja diz que sua realidade deveria ser.

Ao ignorar a realidade vivida pelas pessoas trans e intersexo e focar no binário masculino-feminino apresentado em Gênesis, um texto não científico que antecede qualquer compreensão formal de sexo e gênero, a Igreja diminui a humanidade dessas pessoas que são, igualmente, maravilhosamente criadas por Deus.

Os teólogos afirmam que confiar no relato do Gênesis de um binário homem-mulher combina consistentemente sexo biológico com gênero socialmente construído e diminui o misterioso poder de Deus, limitando Deus a criar apenas homem ou mulher. Ao diminuir o incompreensível poder criativo de Deus, esses documentos diminuem a humanidade e a dignidade da própria criação de Deus.

Lawler e Salzman apontam que os documentos da Igreja pressupõem que as pessoas transgênero e intersexo tomam decisões sobre sua identidade com base em sentimentos irreverentes ou desejos passageiros. Essa falta de diálogo com pessoas reais leva os oficiais da Igreja a presumir erroneamente que confirmar o sexo de uma pessoa é uma manifestação de um desejo casual, em vez de uma necessidade real de indivíduos.

Na visão dos teólogos, esse pensamento leva à ideia de que confirmar a identidade de gênero de uma pessoa (se não corresponder ao sexo biológico atribuído no nascimento) é imoral. Todos os mal-entendidos encontrados nos documentos da igreja sobre pessoas trans e intersexo, juntamente com a relutância da Igreja em realmente ouvi-las, levam a Igreja a condená-las como pecadoras, causando danos a um grupo de pessoas já marginalizadas. O resultado é que as pessoas trans e intersexo são vistas como uma ameaça à Igreja que precisa de correção, em vez de aceitação.

Lawler e Salzman, por outro lado, recusam-se expressamente a condenar as pessoas trans e intersexo como pecadoras, reconhecendo em vez disso sua bela existência como maravilhosamente criada por Deus. Essas pessoas condenadas ao ostracismo, ameaçadas e intimidadas devem ser vistas como ovelhas perdidas no “deserto católico”.

O que a Igreja precisa fazer é imitar Jesus mais de perto, dizem Lawler e Salzman. É hora de a Igreja “ir em busca delas, encontrá-las, aceitá-las e respeitá-las, e parar de intimidá-las e discriminá-las”. Ao encontrar essas ovelhas que estão perdidas e respeitá-las como filhas maravilhosamente criadas por Deus, os teólogos dizem que criaremos, como disse Jesus, “mais alegria no céu”.

 

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