Papa escreve a Bartolomeu: “Em um mundo de guerras e violências, os cristãos devem ser exemplo de diálogo”

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01 Dezembro 2020

Em um mundo afligido por guerras e violências e, há meses, pela indomável pandemia do coronavírus, os cristãos e, em geral, todas as tradições religiosas são chamados a fortalecer o diálogo, dando um exemplo de “respeito recíproco” e “cooperação prática”.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 30-11-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Papa Francisco escreve a Bartolomeu, o patriarca de Constantinopla, aquele a quem várias vezes definiu como “querido irmão” e de quem tem uma fotografia sobre a sua escrivaninha na Biblioteca Apostólica. A ocasião é a festa desta segunda-feira, 30 de novembro, de Santo André, fundador da Igreja de Constantinopla e padroeiro do Patriarcado Ecumênico.

Como tradição há mais de meio século, isto é, a partir do histórico abraço de 1964 entre Paulo VI e o Patriarca Atenágoras em Jerusalém, que pôs fim às excomunhões recíprocas, realiza-se uma troca de delegações entre a Santa Sé e o Patriarcado nas respectivas festas dos padroeiros. No dia 29 de junho, em Roma, na festa de São Pedro e São Paulo, e, no dia 30 de novembro, em Istambul, na festa de Santo André.

Não poucas vezes, no passado, o próprio Bartolomeu foi a Roma em junho, assim como, em nada menos do que três vezes, na festa de Santo André, três papas foram ao Fanar: João Paulo II em 1979, Bento XVI em 2006 e Francisco em 2014.

Uma longa tradição que foi interrompida no dia 29 de junho passado por causa do coronavírus. As restrições anti-Covid-19, ainda em vigor e rigorosas um mês após o fim do confinamento, impediram a viagem da representação patriarcal a Roma. E o papa viu-se celebrando a solenidade com um pequeno grupo de fiéis em São Pedro.

Nessa segunda-feira, porém, enquanto a situação continua alarmante, mas mais sob controle, uma delegação oficial da Santa Sé pôde ir até Istambul e participar da Divina Liturgia na Igreja de São Jorge no Fanar. Liderada pelo cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, junto com o secretário, Mons. Brian Farrell, e o subsecretário, Pe. Andrea Palmieri, a delegação chegou nesse domingo à noite à sede do Patriarcado, onde se encontrou com Bartolomeu. As fotos divulgadas pelo site Patriarchate.org mostram todos eles juntos de máscara.

Na manhã dessa segunda-feira, durante a Liturgia, o cardeal Koch leu publicamente e depois entregou nas mãos do primaz ortodoxo a mensagem autografada do pontífice, na qual Francisco renova o desejo, definido como um “objetivo”, da “retomada da plena comunhão expressada por meio da participação no mesmo altar eucarístico”.

No seu texto, o papa recorda a difícil realidade deste tempo ferido pelos “desafios postos pela atual pandemia” e pela guerra que “continua afligindo muitas partes do mundo, enquanto novos conflitos armados surgem para roubar a vida de inúmeros homens e mulheres”.

“Sem dúvida, todas as iniciativas tomadas pelas entidades nacionais e internacionais para promover a paz são úteis e necessárias, mas os conflitos e a violência nunca cessarão enquanto todas as pessoas não alcançarem uma consciência mais profunda de que têm uma responsabilidade recíproca como irmãos e irmãs”, escreve Jorge Mario Bergoglio.

“À luz disso, as Igrejas cristãs, junto com outras tradições religiosas, têm o dever primordial de oferecer um exemplo de diálogo, de respeito recíproco e de cooperação prática.”

Esse é o desejo invocado pelo pontífice e pelos líderes das religiões mundiais no dia 20 de outubro passado na Praça do Capitólio, em Roma, onde foi realizado o Encontro Inter-Religioso de Paz organizado pela Comunidade de Santo Egídio.

Bartolomeu estava entre os presentes e sentou-se ao lado do papa, com quem, poucos minutos antes, havia celebrado uma vigília de oração ecumênica na Basílica de Santa Maria em Ara Coeli.

Poucos dias depois, no dia 23 de outubro, Bartolomeu também recebera um diploma honoris causa em Filosofia com foco em Ecologia Integral pela Pontifícia Universidade Antonianum de Roma. No entanto, não podia regressar à Turquia sem saudar o papa que o recebeu no Vaticano para uma audiência privada de cerca de 50 minutos, que terminou com o presente, por parte do patriarca, de um ícone de Santa Marta pintado no Monte Athos. para que “proteja” a Domus do Pontífice.

Na sua carta dessa segunda-feira, Francisco recorda este e todos os outros encontros com o seu “irmão”, durante os quais diz ter experimentado uma profunda “fraternidade”. O papa agradece a Deus pelos passos dados nas relações mútuas e reconhece que “o desejo de uma proximidade e compreensão cada vez maiores entre os cristãos se manifestou no Patriarcado Ecumênico de Constantinopla antes que a Igreja Católica e as outras Igrejas se engajassem no diálogo”.

Um diálogo que continua hoje, embora “permaneçam obstáculos”, admite o papa. O primeiro é precisamente o da “plena comunhão” eucarística: um “objetivo” que pode ser alcançado “caminhando juntos no amor recíproco e buscando o diálogo teológico”. Francisco se diz “confiante” em relação a isso.

 

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