Cardeal sueco considera as restrições à missa em razão da covid-19: “existem grandes sofrimentos no mundo”

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28 Novembro 2020

Um cardeal sueco pôs as restrições impostas pela covid-19 aos cultos litúrgicos em perspectiva, afirmando que “existem grandes sofrimentos no mundo”.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Novena News, 26-11-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O cardeal Anders Arborelius, bispo de Estocolmo, fez a observação em uma carta pastoral de 23 de novembro recomendando novas restrições que foram aplicadas na Suécia na quarta-feira, limitando as reuniões públicas para um máximo de oito pessoas.

Arborelius disse que as novas limitações às aglomerações são para os católicos “um golpe severo” que causa “grande dor”. “Não somente a mim”, reconhece o prelado sueco, admitindo que o golpe, que supõe um senso de comunidade, “está entre os mais dolorosos que ele já viveu como bispo”.

No entanto, o cardeal destacou aos fiéis que “é importante não serem pegos nas suas próprias preocupações durante a pandemia”.

“Em muitas partes do mundo, as pessoas têm vivido grandes sofrimentos: Honduras, Armênia, Etiópia, Iêmen, Líbano”, disse, pedindo aos católicos para rezarem pelas pessoas desses países – os quais sofrem desde desastres naturais a crise política ou guerra total – e para “apoiá-las financeiramente” com doações.

Próximo de casa, o cardeal urgiu aos fiéis para “rezarem por todos os doentes e seus familiares e para todos que sofrem com o isolamento e a solidão”, e também convidou-os para terem “gratidão” pelo altruísmo e os heroicos trabalhadores da saúde do país.

“Nós estamos especialmente compromissados com a assistência aos pobres e aos sem-teto que estão no tempo mais vulnerável”, acrescentou Arborelius, também pedindo aos católicos para que usem o tempo de oração, penitência e reflexão no Advento para “se abrirem mais a Cristo e ao próximo”.

“Devemos levar mais a sério o nosso apelo ao arrependimento, para não cair no egoísmo, na mesquinhez e na autocomiseração”, sublinhou o cardeal.

Alta nos casos significa que “esta medida drástica deve ser tomada, mesmo que alguns tenham dificuldade em entendê-la”

O cardeal Arborelius relativizou ainda mais as restrições ao coronavírus na Suécia, lembrando que elas devem durar apenas quatro semanas.

O prelado acrescentou que teve oportunidade de explicar ao primeiro-ministro Stefan Löfven e à ministra da cultura Alice Bah Kuhnke “como é difícil para os nossos fiéis não poderem participar nos serviços religiosos como de costume”.

“Ao mesmo tempo, a propagação da infecção aumentou tanto que essa medida drástica deve ser tomada, mesmo que alguns tenham dificuldade em entendê-la”, argumentou Arborelius, acrescentando que “junto com todas as igrejas e congregações, queremos fazer tudo o que podemos para evitar que a infecção se espalhe ainda mais ”.

Embora as autoridades suecas tenham inicialmente adotado uma abordagem sem bloqueio e “imunidade de rebanho” para controlar a pandemia, elas foram forçadas a mudar o curso por uma alta do número de casos em novembro que trouxeram mais de 50 mil novas infecções do total do país até o momento de cerca de 231 mil, com 6.555 mortes.

Os bispos franceses lamentam o limite de 30 pessoas nas missas: “completamente desrespeitoso”

A abordagem prudente do cardeal Arborelius às restrições à pandemia de comparecimento à missa contrasta com a adotada por bispos em outros lugares que estão ativamente fazendo lobby junto aos governos para que retornem as atividades litúrgicas o mais rápido possível, mesmo colocando em risco a saúde pública.

Um exemplo dessa abordagem mais combativa às restrições da covid-19 está vindo atualmente da França, onde os bispos, em 24 de novembro, disseram que estavam “decepcionados e surpresos” por um novo limite imposto pelo governo de 30 participantes nas missas, e também pediram uma “medida mais realista” sobre o número de participantes.

O anúncio do governo francês na terça-feira do limite de 30 pessoas nas igrejas “não está de acordo com as discussões que ocorreram nas últimas semanas com os ministros em questão”, lamentou a Conferência dos Bispos da França em um comunicado.

“Com efeito, esta medida irreal e inaplicável é totalmente desrespeitosa da realidade da prática religiosa dos católicos”, lamentaram os prelados.

O bispo de Châlons, François Touvet, chegou ao ponto de chamar de “ridículo e absurdo” o limite de 30 pessoas em um espaço como sua catedral. Touvet escreveu no Twitter que sua catedral “tem 96m de comprimento e 25m de largura (40m de transepto) por 30m de altura. Total = 2500m²: com 4m² por pessoa, cabem 600 pessoas!”.

“Vocês precisam aprender a contar!”, bravejou o bispo às autoridades.

Na noite da última quarta-feira, a França ainda lutava em meio à segunda onda da pandemia, com 2,15 milhões de casos no total e 50.237 mortes.

 

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