É assim que a Amazon tenta espionar os grupos privados do Facebook de seus trabalhadores, monitorando seus planos de “greve ou protesto”

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04 Setembro 2020

A Amazon está monitorando de perto dezenas de grupos públicos e privados nas redes sociais administradas por entregadores que levam encomendas para a Amazon Flex nos Estados Unidos, Reino Unido e Espanha, informou a Vice.

A reportagem é de Tyler Sonnemaker, publicada por Business Insider, 03-09-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

De acordo com a Vice, os funcionários da empresa recebem atualizações regulares sobre os posts dos entregadores em grupos fechados do Facebook, bem como tweets públicos e fóruns do Reddit.

A empresa identificou os entregadores que reclamam das condições de trabalho, publicam artigos negativos na mídia e "planejam greve ou protesto contra a Amazon", relatou a Vice.

A Amazon tornou-se cada vez mais hostil em relação à organização dos trabalhadores que aumentou durante a pandemia, tomando medidas como a demissão dos organizadores de protestos, a monitoração das iniciativas sindicais usando um mapa de calor e a interrupção das tentativas dos funcionários de sensibilizar a opinião pública sobre os problemas de segurança.

Na terça-feira, a Amazon postou e depois cancelou uma oferta de emprego para um "analista de inteligência" para monitorar as "ameaças de organização sindical".

Os trabalhadores da Amazon se tornaram mais explícitos sobre as perigosas condições de trabalho durante a pandemia, repetidamente entrando em greve, organizando protestos e juntando-se a colegas para pressionar a empresa a mudar.

Muitas vezes recorrem às mídias sociais para aumentar a conscientização pública ou para traçar estratégias – em conversas privadas – sobre como obrigar a empresa a enfrentar vários problemas, mas aparentemente a Amazon esteve o tempo todo à espreita.

Nos últimos dias, a Vice relatou que a Amazon tem monitorado dezenas de grupos de mídias sociais públicos e privados administrados por entregadores Flex nos Estados Unidos, Reino Unido e Espanha.

A Amazon não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Business Insider.

De acordo com a Vice, os funcionários da Amazon usaram uma ferramenta interna de monitoramento das mídias sociais e compilaram relatórios regulares para controlar os posts dos entregadores, atribuindo a eles categorias, como reclamações sobre "condições de trabalho ruins", publicação de links de cobertura midiática negativa, abordados por pesquisadores para estudos acadêmicos, ou "planejamento de qualquer greve ou protesto contra a Amazon".

A ferramenta monitora as conversas que ocorrem em várias plataformas, incluindo grupos privados no Facebook, subreddits de quem faz entregas para a Amazon Flex e tweets contendo a palavra-chave “Amazon Flex”, relatou a Vice.

Em uma tela de acesso à ferramenta, segundo a Vice, a Amazon descreveu os conteúdos como “confidenciais”, acrescentando: “NÃO COMPARTILHE sem a devida autenticação. A maioria dos screenshots de Post/Comentários dentro do site provém de grupos fechados do Facebook. Isso terá um efeito prejudicial se um de nossos parceiros de entrega acessar essas informações. NÃO COMPARTILHE sem a adequada autenticação”.

Os entregadores e funcionários de depósitos da Amazon tornaram-se mais explícitos nos últimos meses sobre os baixos salários, a falta de benefícios e a pressão a que são submetidos ao trabalhar em condições que consideram não seguras. Eles organizaram greves em Nova York, Califórnia, Minnesota, Illinois, Espanha e Itália.

Mais recentemente, quando o CEO Jeff Bezos – o indivíduo mais rico do mundo com um considerável distanciamento em relação aos demais – viu seu patrimônio líquido ultrapassar US $ 200 bilhões, os trabalhadores se manifestaram diante de sua casa para exigir salários e benefícios melhores.

Mas, enquanto os trabalhadores se tornaram mais unidos para falar sobre como são tratados pela Amazon, a empresa respondeu tornando-se cada vez mais hostil às suas tentativas de se organizar.

A Amazon demitiu pelo menos cinco trabalhadores que se manifestaram publicamente contra a empresa, provocando uma série de investigações por parte dos órgãos reguladores para saber se os atos foram retaliações ilegais. O Business Insider relatou em abril que a Whole Foods, de propriedade da Amazon, usou um mapa de calor para rastrear as potenciais tentativas de sindicalização.

Poucos dias atrás, a Amazon publicou e depois rapidamente excluiu um anúncio de emprego para um "analista de inteligência" que seria encarregado de monitorar "ameaças da organização dos trabalhadores contra a empresa", bem como recolher material para ações judiciais da Amazon contra grupos de trabalhadores que protestavam contra a empresa.

 

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