Centenas de pastores evangélicos morrem na América Latina por desobedecerem às normas de proteção contra o coronavírus

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28 Agosto 2020

Na Bolívia mais de cem pastores já faleceram por causa da covid-19.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 27-08-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Na América Latina, uma região tradicionalmente católica, mas com uma crescente presença evangélica, as igrejas cristãs seguem difundindo o Evangelho, apesar das medidas governamentais destinadas a frear a propagação do coronavírus.

Em muitos países, desobedeceram às normas de saúde pública ao realizar serviços em pessoa ou deram ministério pessoalmente aos membros da Igreja em lares e outros entornos.

Em pelo menos dois países, os pastores evangélicos morrem em quantidades alarmantes durante a pandemia.

Na Bolívia, onde mais de 100 pastores evangélicos faleceram, seus líderes mantiveram um contato estreito com suas congregações, oferecendo serviços e dando apoio aos doentes, apesar de que seus templos tenham sido fechados por decreto do governo.

Na Nicarágua, onde o governo minimizou a epidemia e evitou impor restrições, os serviços evangélicos continuaram em algumas igrejas, inclusive quando as igrejas católicas deixaram de receber missas com público.

Evangélicos e coronavírus na América Latina

“Houve muita desinformação”, expressou Raúl Valladares, quem se encarregou da congregação depois da morte de seu pai e de outro pastor em 05 de junho. “Somente em nossa denominação Assembleias de Deus, morreram 20 pastores. E em Bethel temos um pastor, meu pai, e 25 irmãos falecidos pela Covid-19”. Indicou que a igreja investigou o ocorrido e não acredita que tenham se contagiado durante os serviços.

No Brasil, a conferência de bispos católicos suspendeu as missas quando a pandemia chegou ao país, em março, porém a maioria dos evangélicos seguiram oferecendo serviços. As autoridades começaram a relaxar as restrições em junho e algumas Igrejas católicas reabriram, com muitas precauções.

Alguns líderes evangélicos do Brasil falam de curas milagrosas ou dizem que o vírus é uma praga que mata a quem não tem fé, e insistem em oferecer serviços. Tem o forte apoio do presidente Jair Bolsonaro, que conta com numerosos evangélicos entre seus partidários. O mandatário declarou em março que as cerimônias religiosas eram vitais durante a pandemia e permitiu que as igrejas permanecessem abertas e que seus trabalhadores pudessem se deslocar. Alguns estados, não obstante, aplicam restrições.

Beto Marubo, líder indígena do vale Javari, uma região na fronteira com o Peru, disse que os serviços presenciais aumentam os perigos para seu povo.

“Alguns assistiram a serviços evangélicos na cidade de Atalaia do Norte e trouxeram o vírus para nossas terras”, destacou.

Muito depois de que o vírus apareceu na Nicarágua, em março, o governo de Daniel Ortega segue organizando e promovendo grandes missas. As escolas permanecem abertas e continua a temporada de beisebol. Ortega, assim como Bolsonaro, disse que o país não pode se dar ao luxo de parar as atividades.

As igrejas evangélicas da Nicarágua, grandes e pequenas, permaneceram abertas, ao menos de início.

Bethel esteve aberta até que a Conferência das Assembleias de Deus, a qual pertence, disse à maioria de suas igrejas que fechassem de imediato em 12 de maio até 1º de junho, devido à propagação do vírus. A partir do 1º de junho se deixou livre o critério dos líderes das igrejas a decisão de reabrir ou não.

Ovidio Valladares, patriarca da família e diretor da Rádio Restauração de Bethel, foi hospitalizado em 26 de maio e nunca se recuperou.

Bethel permaneceu fechada até 02 de agosto, e quando reabriu exigiu o uso de máscara, desinfetantes para as mãos na entrada e espaço entre os assentos em um grande recinto com capacidade para 1500 pessoas, que agora admite muito menos.

A Aliança Evangélica Nicaraguense, que nucleia a maioria das mais de 100 denominações cristãs do país, diz que pelo menos 44 pastores faleceram desde março. Devido à falta de provas, não se sabe se todas as mortes podem ser atribuídas ao vírus.

Nicarágua e Bolívia, focos

Pastores evangélicos na Bolívia tentam manter contato com seus fiéis, apesar do fato de que as igrejas na maior parte do país permanecem fechadas.

“Eles foram orar para ver os enfermos. Eles morreram nessa obra”, disse o pastor Luis Aruquipa, do Conselho Nacional Cristão, segundo o qual mais de 100 pastores evangélicos morreram durante a pandemia.

Entre eles o reverendo Roberto Arismendi, fundador das Igrejas Evangélicas da Bolívia. O pastor aymara, de 79 anos, morreu no dia 20 de julho por complicações relacionadas à covid-19, segundo seu filho Javier Arismendi.

“Meu pai nunca parou de ajudar as pessoas, ele sempre esteve perto de sua congregação, levando-lhes fé, mas também comida e paz”, disse o filho, que assumiu a igreja após a morte de seu pai. “Não sabemos quando foi infectado, mas levou o vírus a toda a família”. Oito parentes foram infectados e todos se recuperaram.

A igreja, que fica em um bairro humilde de La Paz, viu muitos fiéis padecerem. “30% da nossa congregação de quase 100 pessoas foi afetada”, disse Javier Arismendi.

Ao todo, este país de 11,5 milhões de habitantes registrou mais de 108.000 infecções e quase 5.000 mortes confirmadas pelo governo.

Na Nicarágua, muitas igrejas evangélicas foram reabertas, algumas tomando precauções, como a Bethel, onde os fiéis são convidados a trazer seus próprios desinfetantes para as mãos. As medidas foram recomendadas pelo Valladares pai antes de falecer.

Na igreja Oasis de Paz, em Masaya, ao sul da capital, cerca de 70 fiéis aglomeram-se, sem máscaras, em um pavilhão aberto e cantam e gritam enquanto uma banda de rock cristão se apresenta atrás do pastor. Na entrada há frascos com água para as pessoas lavarem as mãos, mas ninguém parece usá-los.

“Estamos passando por tempos difíceis”, disse o fiel Maynor Campos. “É hora de buscar a presença de Deus”.

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