União Europeia. Fundo de Recuperação de 750 bilhões de euros: esta é a Europa da solidariedade, constata cardeal Hollerich

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23 Julho 2020

Após a aprovação do plano extraordinário de ajudas da UE para os países mais afetados pela pandemia, o cardeal presidente da Comece expressa sua apreciação sobre a decisão que permitirá a retomada econômica: não existe Europa comunitária, se não entre países que se ajudam.

A entrevista é de Giancarlo La Vella, publicada por Vatican News, 22-07-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

O histórico acordo firmado sobre o Fundo de Recuperação pelos líderes europeus ao final de uma negociação que durou quatro dias e quatro noites representa uma virada importante, não apenas pelos efeitos concretos que terá que sair da crise causada pela pandemia, mas porque oferece ao futuro da União Europeia uma nova maneira de gerir as relações entre os países membros.

O Fundo de Recuperação tem um orçamento de 750 bilhões de euros, dos quais 390 bilhões em subsídios e 360 bilhões em empréstimos. Os estados beneficiários terão que começar a reembolsar as quantias até o final do próximos septênio de balanço da EU, ou seja, até 2027.

O premier holandês, Mark Rutte, disse estar satisfeito com os "descontos maiores" decorrentes dos Rebates e definiu o plano aprovado "um bom pacote para os Países Baixos e a Europa". Rutte foi o líder dos países frugais.

"Com 209 bilhões, temos a oportunidade de fazer repartir a Itália com força e mudar a cara do país. Agora temos que correr", foram as palavras do primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte. Para a Itália irão 28%.

O primeiro-ministro espanhol Sanchez também ficou satisfeito: "Hoje lançamos as bases para uma resposta à crise da Covid-19 sem esquecer o amanhã", declarou.

A chanceler alemã Merkel também está muito satisfeita. É um dia histórico para a Europa, afirma o presidente francês Macron.

A Europa do compartilhamento

Também o cardeal Jean-Claude Hollerich, presidente da Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia (COMECE), comentou positivamente a virada do Fundo de Recuperação, na entrevista concedida ao Vatican News. Trata-se de uma abertura significativa da Europa a uma lógica de solidariedade, que certamente será refletida inclusive além das fronteiras continentais.

Ouça a entrevista com o cardeal Hollerich, em italiano.

"Podemos dizer que a Europa escolheu a solidariedade, embora muitos esforços tenham sido feitos para alcançar esse resultado. Estou feliz que os 27 tenham chegado a isso. A União Europeia deve expressar - é da sua natureza – a solidariedade. Faz parte do DNA da União Europeia. Penso que a Europa hoje tenha problemas: a Europa não é mais o centro econômico do mundo com os Estados Unidos. O mundo mudou e acredito que a crise do Covid acelerou essa mudança. Ainda vamos carregar as consequências dessa pandemia, mas espero, especialmente para os jovens, que isso lhes permitirá ter sua vida, em paz e sempre conscientes do fato de que devemos ajudar os outros".

Eis a entrevista.

O papel da Igreja, das igrejas é importante neste momento?

Sim, porque devemos sempre estar do lado dos mais pobres. Devemos expressar nossa solidariedade, devemos também dar recursos às pessoas que precisam. Nesse sentido, estou muito feliz com a ajuda prestada aos países mais atingidos pela pandemia, ou seja, Itália, Espanha e França. Sinto-me profundamente europeu e não consigo imaginar uma Europa que não seja solidária. Estamos todos na mesma situação. E acredito que ajudar os outros também será uma bênção para a própria economia.

Uma Europa com as dificuldades causadas pela pandemia ainda será acolhedora para aqueles que buscam uma vida melhor, os migrantes?

Este para mim também é um tema muito importante, porque é muito fácil dar algo que nos é supérfluo. Nós cristãos não somos chamados a algo a mais. Somos chamados a compartilhar o que é necessário para ajudar as outras pessoas. Ontem recebi uma família iraquiana em minha casa. Durante esse período de pandemia, fizeram máscaras para muitas outras pessoas. É uma ideia muito bonita e pode-se ver que, assim, a Europa também recebe muito se estiver aberta a dar algo.

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