China: métodos horríveis de controle da população uigur são revelados

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02 Julho 2020

Duas amplas investigações sobre os esforços do Partido Comunista da China – PCCh em reprimir a minoria muçulmana uigur, na província de Xinjiang, descobriram práticas horríveis de controle de natalidade, que incluem esterilização, abortos forçados e a inserção forçada de dispositivos contraceptivos em mulheres.

A reportagem é de Michael Sainsbury, jornalista freelancer que mora em Myanmar, com mais de 25 anos de experiência escrevendo sobre negócios, religião, política e direitos humanos na região Ásia-Pacífico, publicada por UCA News, 01-07-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Foi isso o que se descobriu recentemente sobre a campanha do partido chinês realizada contra os uigures e outras minorias muçulmanas da Ásia Central, como os cazaques, grupos étnicos que viram a construção de dezenas de campos de concentração, locais que já receberam mais de um milhão de pessoas.

Os especialistas concordam que o objetivo destes campos é o de apagar o espírito e a cultura dos uigures, cidadãos que costumam ser enviados para outras regiões da China para servirem de mão de obra em suas fábricas.

O governo central intensificou esta sua campanha, que já existe há algumas décadas, para preencher a província outrora fortemente dominada pelos uigures, parte dos quais formavam um país independente chamado Turquestão Oriental, com membros da etnias han. Membros dessa etnia representam, pelo menos nominalmente, mais de 90% da população chinesa.


(Fonte: ShareAmerica)

A população uigur, de cerca de 11 milhões, é minúscula em comparação com os 1,4 bilhão de habitantes da China e agora parece claro que Pequim deseja diminuir ainda mais aquele número com suas medidas de controle populacional.

“Esta política, encabeçada pelos representantes do Partido Comunista da China, busca reduzir a população uigur em Xinjiang em relação ao número de chineses da etnia han, promovendo uma assimilação mais rápida dos uigures à ‘nação chinesa’, meta prioritária da política étnica em nível nacional sob o comando do secretário-geral do PCCh, Xi Jinping”, disse Adrian Zenz, pesquisador de estudos chineses na Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo, com sede em Washington, DC, em um relatório para o Fundação Jamestown.

O crescimento populacional natural em Xinjiang vem diminuindo drasticamente; as taxas de crescimento caíram 84% nas duas maiores regiões uigures entre 2015 e 2018 e caíram mais ainda em 2019. Para 2020, uma dessas regiões definiu a meta quase nula inédita de crescimento populacional: apenas 1,05 a cada milhão de habitantes, em comparação com uma já baixa taxa de 11,45 a cada milhão, em 2018. O objetivo é alcançar estes números através do “planejamento familiar”, lê-se no estudo de Zenz.

Uma investigação em separado feito por jornalistas da Associated Press informou que ex-detentos disseram que “eram forçados a ingerir pílulas anticoncepcionais ou que recebiam fluidos via injeção, geralmente sem explicação. Muitos se sentiram tontos, cansados ou doentes, e as mulheres pararam de menstruar. Após serem libertados e deixar a China, alguns fizeram exames médicos e descobriram que estavam estéreis”.

O relatório observou ainda que, embora não esteja claro o que os ex-detentos receberam com as vacinas que lhes foram aplicadas, as fichas hospitalares de Xinjiang obtidas por jornalistas mostram que as injeções de prevenção da gravidez, às vezes com o medicamento hormonal Depo-Provera, são uma medida comum de planejamento familiar usada em Xinjiang.

Há décadas o PCCh vem implantando métodos semelhantes de controle de natalidade para monitorar a sua “política de filho único”, medida restritiva introduzida por Deng Xiaoping, da qual Pequim começou a recuar cerca de uma década atrás e a encerrou em 2015, quando ficou claro que a China não estava substituindo a sua população através do crescimento natural. Ironicamente, muitas minorias étnicas, entre elas os uigures, estiveram isentas desta política e podiam ter famílias maiores.

O opróbrio internacional em torno das ações do PCCh em Xinjiang está finalmente começando a se impor, pois muitos países ocidentais, frustrados pelo atraso da China em informar o mundo sobre a transmissão humana do coronavírus, começaram a falar publicamente sobre o tema, até agora tabu, dos primeiros campos de concentração em massa do século XXI.

Pequim alega que os campos são necessários para evitar o extremismo e o terrorismo religioso e servem para reeducação. No entanto, documentos vazados revelam que pessoas são enviadas a esses campos por usarem um véu ou deixarem a barba crescer. Revelam práticas sistemáticas de tortura e programas de desculturalização.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse que a repressão contínua de minorias étnicas em Xinjiang é um exemplo de que o PCCh não respeita a vida humana.

“Os Estados Unidos condenam o uso de controle populacionais forçados contra os uigures e outras minorias e pedem ao PCCh que interrompa essa campanha de repressão. A história julgará como agimos hoje”, tuitou Pompeo em 29 de junho.

“Infelizmente, estas revelações chocantes do pesquisador alemão Adrian Zenz têm coerência com décadas de práticas adotadas pelo PCCh, as quais demonstram um total desrespeito à santidade da vida humana e à dignidade humana básica. Apelamos ao PCCh que parem imediatamente com essas práticas horríveis e pedimos a todos os países que se unam aos Estados Unidos para exigir o fim desses abusos desumanos”.

 

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