Breves do Facebook. As manifestações antifascistas. Alguns comentários

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08 Junho 2020

 

Silvio Pedrosa

Confesso que estava apreensivo para as manifestações de hoje e suspeitava que o bolsonarismo miliciano poderia estar preparando uma armadilha (para não mencionar o quadro epidemiológico inescapável que vivemos). Felizmente estava errado e parece que o recuo foi uma sinalização pura e simples de fraqueza. As manifestações foram um bom início de conversa e devem ter acendido o sinal de alerta no Planalto de Bolsonaro e seus asseclas. O bolsonarismo deixou cair sangue na água e isso é ótima notícia.

 

Benedito Tadeu César

Segue um breve relato do ator João Campos sobre a manifestação pela democracia contra o racismo e o fascismo e pelo fim do governo Bolsonaro/Mourão hoje em Brasília:

– “Milhares de pessoas se concentraram em frente à Biblioteca Nacional por volta das 9h e seguiram sentido rodoviária-Congresso até o Congresso Nacional.

– A preocupação com a pandemia foi evidente. Não vi um@ manifestante sem máscara e, na medida do possível, o distanciamento foi minimamente preservado. Havia grupos específicos cuidando dessa questão, alertando à todos o tempo todo. Alguns grupos circulavam distribuindo álcool em gel e oferecendo água e sabão para quem quisesse lavar as mãos. Primeiro grande acerto do movimento.

– O desenvolvimento da manifestação foi admirável. Pacífica, unida, diversa, com as bandeiras necessárias levantadas e presentes (pela democracia, contra o racismo e o fascismo, pelo fim do governo Bolsonaro/Mourão e seus desmantelos). Com destaque pra forte presença de pessoas negras, principalmente jovens das regiões periféricas, e das bandeiras do "Vidas negras importam".

– A diversidade estava presente. Apesar da pouca adesão dos movimento sociais tradicionais (sindicatos, partidos políticos e demais organizações), todos os segmentos da luta democrática estavam ali representados (pretxs, indígenas, Lgbts, estudantes...). Um grupo organizado de servidores públicos também. Até um bom número de arrependidxs com a camisa da verde e amarela da seleção. Destaque para presença de muitas torcidas de futebol politizadas (São Paulo, Flamengo, Goiás, Atlético Mineiro, Corinthians...). Foi forte!

– Ao chegar próximo ao Congresso, onde estava a barreira da Polícia Militar (centenas de policiais fortemente armados, cavalaria, cachorros...), a manifestação se manteve por um tempo e na sequencia por meio de um acordo coletivo, virou as costas e seguiu de volta para a rodoviária de forma pacífica. Esse foi o grande trunfo do movimento. Uma atitude inteligente e absolutamente estratégica neste momento.

– Destaco que no outro sentido da Esplanada dos Ministérios se encontravam umas poucas dezenas de bolsominions que, com a ajuda de um potente carro de som (essa era a única voz deles), tentavam a todo momento nos provocar. Era muito claro o incômodo deles com o tamanho e a potência do nosso povo na rua. Foram solenemente ignorados. Outro grande acerto do movimento.

– Considero esse primeiro ato um passo importantíssimo pela retomada do nosso país. Acima de tudo, fica reforçada a impressão de que (apesar da pandemia e da relevância de tantas outras formas de ação) a rua é um caminho necessário para essa ruptura. Houve sabedoria no manifestar a revolta. Uma decisão importantíssima para ganhar a confiança e crescermos na resistência contra o fascismo.

Seguimos! Não Passarão!

 

Maurício Caleiro

Hoje ficou claro que, sem robôs, sem claque contratada, o bolsonarismo raiz, disposto a sair nas ruas pra defender seu ídolo, não chega a um milhar.

E olha que mexeram nas regras para os beneficiar - como, em SP, colocando-os na Paulista, mandando a oposição pro marginal Largo da Batata.

As ruas são da oposição. Se souber superar os ódios acumulados nas últimas eleições, pode começar a reverter essa curta hegemonia da direita, cujos únicos resultados são perdas de direitos trabalhistas, desemprego, agravamento da crise econômica e administração criminosa da pandemia de Covid-19.

 

Carlos Roberto Winckler

Nota sobre manifestações de hoje

A demolição das políticas públicas é anterior aos atos de protesto. Nunca houve a rigor lockdown (vale para classes mais altas e setores da classe média), não há gasto público para valer que mantenha o máximo de pessoas fora das ruas.

A flexibilização do lockdown meia boca já ocorria antes das manifestações da esquerda, dada a pressão empresarial e a política deliberada do governo federal de privilegiar bancos em particular.

Pequenos e médios proprietários tem também suas dificuldades em acessar crédito, a isso se soma a crença em soluções fáceis. Trabalhadores já estavam antes na rua por absoluta necessidade. Se é que saíram em algum momento.

Partindo disso, imagino que lutar contra fascismo e contra as políticas darwinistas é tb. lutar pela saúde pública. Confluíram nas manifestações as justíssimas reivindicações do movimento negro dado o racismo estrutural presente na repressão cotidiana e no fato de serem as maiores vítima do Covid 19. Nem sempre podemos escolher as condições de luta social. Se tomou o possível de cuidados nas manifestações e se solicitou que grupos de risco não comparecessem. Difícil, sem dúvida. Mas não me imagino censurando quem foi para a rua.

O clima é de no future. O que se tem a perder mais? Autodefesa em condições extremas, essa a experiência de hoje.

 

Silvio Pedrosa

Junho... de novo.

Durante a Revolução Russa, Lênin cunhou a noção de "dualidade de poderes" a fim de descrever a convivência de duas fontes de poder existentes em paralelo na Rússia após a Revolução de Fevereiro de 1917: os conselhos operários chamados de sovietes e o governo provisório russo. O que estamos vendo acontecer no Brasil em junho se 2020 faz lembrar, em um enquadramento histórico e institucional totalmente diferente, a mesma situação (talvez a situação contemporânea mais parecida seja a da Venezuela, embora com um equilíbrio de forças maior).

Não há qualquer harmonia institucional entres os poderes da república e eles parecem caminhar como se não houvesse perspectiva dessa necessidade à vista no curto prazo. O STF e os governos da maioria dos estados vão criando uma rede institucional paralela ao governo federal para fazer a gestão da crise social e sanitária do coronavírus, enquanto esse último sabota constantemente essa rede paralela (que formalmente porém permanece conectada a ele) negando recursos, sabotando informações e agindo na contramão de todos os protocolos recomendados pelas organizações e profissionais de saúde. As soluções dessa rede paralela, então, acabam por ser a constipação de mais autonomia -- gerando, por exemplo, essa plataforma de atualização das informações da pandemia.

Enquanto isso a única preocupação de Bolsonaro é comprar deputados do centrão com dinheiro público enquanto espera que os militares tornem seu governo funcional (o Marcos Nobre usa a expressão "partido militar" para se referir a essa presença dos militares que vai vertebrando o governo Bolsonaro à falta de um partido político capaz de fazê-lo). Bolsonaro compra deputados, mas sabe que está de fato comprando tempo, pois o centrão não está à venda, mas pode ser alugado pelo tempo combinado -- com a cláusula de possível abandono caso a pressão popular torne os valores desvantajosos.

O problema para Bolsonaro é que essa situação de impasse institucional pode ser perturbada e dinamizada pela mobilização social contra o seu governo. Em plena pandemia as pessoas saíram às ruas de forma considerável porque o intolerável estava também dentro de suas casas. O intolerável é Bolsonaro. E o que é intolerável na escala do que o bolsonarismo caminha dia após dia para ser não pode sobreviver por muito tempo quando pressionado pela mobilização das pessoas. Não vai ser da noite pro dia (o governo Dilma demorou todo o ano de 2015 para sucumbir), mas com paciência e perseverança, a queda de Bolsonaro não é impossível. Junho... de novo.

 

Idelber Avelar

Jair esconde o total de mortos e de infectados e alardeia o n˚de curados como se não existisse relação entre os três. Genocida!

 

Idelber Avelar

A pauta hoje foi toda anti-Jair e há dias ele controla menos a narrativa. Valeu a pena sair do cercadinho ou não, imprensa?

 

Maurício Caleiro

Para não perdermos a dimensão do que é normalidade:

"A de hoje foi uma noite de quase comoção na Argentina. O motivo: hoje aconteceu o recorde no país no número de mortes por covid em 24 horas: 25 mortos (vinte e cinco mortos). Às 20:30, o Presidente Alberto Fernandez, o prefeito de Buenos Aires Horacio Larreta (direitista) e o governador da província Axel Kicillof (esquerdista) entraram em pronunciamento ao vivo para toda a população, seguido de uma conferência de imprensa transmitidos ao vivo para todo o país. Assim seguiram até às 22:00. Uma hora e meia de muita seriedade, afinação, harmonia, sobriedade e muita informação técnica e científica. Com o recorde de 25 mortos as 3 esferas de governo juntas decidiram estender a quarentena até o dia 28 de junho. No mesmo dia, hoje, o Brasil registrou estarrecedores 1.473 mortos em 24 horas. O resto da história a gente já sabe. Há algo de profundamente errado com nosso país. Nos tornamos uma espécie de aberração política."

Antonio Lisboa, via Álvaro Wolmer.

(Do mural de Itala Povoleri)

 

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