“Enzo Bianchi está certo em pedir as provas ao Vaticano.” Entrevista com Luigi Bettazzi

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01 Junho 2020

“Não consigo encontrar uma razão sobre o que está acontecendo na Comunidade de Bose. Enzo Bianchi está certo em pedir ao Vaticano para conhecer as provas das suas faltas e para poder se defender de falsas acusações.”

Quem fala é Dom Luigi Bettazzi, 96 anos, bispo emérito de Ivrea e amigo da comunidade. É o único bispo católico italiano hoje vivo que participou do Concílio Vaticano II e foi fundamental no nascimento e no crescimento da comunidade.

Em 1968, foi nomeado presidente nacional do Pax Christi, movimento católico internacional pela paz, e em 1978 se tornou seu presidente internacional até 1985, ganhando, por seus méritos, o Prêmio Internacional de Educação para a Paz da Unesco.

Hoje, ele mora em Albiano di Ivrea, a poucos quilômetros de Bose, que costumava frequentar até alguns anos atrás.

A reportagem é de Alex Corlazzoli, publicada em Il Fatto Quotidiano, 28-05-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Dom Bettazzi, o que está acontecendo com a Comunidade Bose?

Eu acredito que Enzo está certo em pedir ao Vaticano as razões de tal escolha. Sempre houve dificuldades com os eméritos. Eles também me disseram que seria melhor se eu me afastasse de Ivrea. Mas, no caso de Bose, eu sei que o novo prior, Luciano Manicardi, e o fundador, Bianchi, estavam de acordo em continuar vivendo juntos. Ou, melhor, parece que a própria comunidade insistiu com Enzo para que permanecesse.

Que solução pode ser proposta após uma sentença definitiva e inapelável como a emitida pela Santa Sé?

Eu espero que se possa encontrar um acordo. Esse caso deveria ter ocorrido no silêncio, mas não foi assim. É necessário que o fundador e o prior reencontrem uma sintonia. Entre outras coisas, Enzo vive há muito tempo no seu eremitério, encontra-se com os irmãos e as irmãs para a oração, mas não há motivos para um conflito. Acredito que, neste ponto, toda a comunidade tem direito de saber que culpas têm Bianchi, Lino Breda, Goffredo Boselli e a irmã Antonella Casiraghi.

Não lhe parece que houve uma tentativa de “romanizar” Bose, implementada por ambientes contrários ao papa?

Eu não sei. Nestas horas, ouvi de tudo. Também se falou de investimentos, mas são todos pensamentos sem fundamento. É verdade que a comunidade se expandiu, tem sedes na Úmbria, na Toscana, na Apúlia, mas isso porque muitos cristãos são próximos de Bose e a sustentam. Alguém me disse que estavam prestes a adquirir um edifício em Roma, mas, mesmo assim, não me parece um motivo válido para chegar a tal procedimento.

Ouviu o irmão Bianchi?

Ainda não. Eu era muito amigo de Enzo, mas faz muito tempo que estou distante. O que me surpreende é que tornaram público todo esse caso. Estou convencido de que se trata dos habituais problemas entre o emérito e seu sucessor. Por outro lado, o próprio Enzo, quando deixou o cargo como prior, havia dito: “Não entendo mais os jovens hoje”.

Fica uma ferida dentro da Igreja?

Certamente. Bose é uma comunidade apreciada por todos, sobretudo pelos contatos com o Oriente e os ortodoxos. Esperemos para ver o que acontece. Se Enzo e os outros tivessem que ir embora, não há dúvida de que deveriam encontrar um lugar para serem autônomos e não criar problemas demais.

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