“Não podemos colocar a questão do celibato acima da celebração da Eucaristia!”, afirma dom Erwin Kräutler

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19 Fevereiro 2020

O bispo emérito do Xingu está “extremamente satisfeito com... três sonhos e meio!”

Erwin Kräutler, bispo emérito do Xingu, explicou sua visão da Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Querida Amazônia”, em uma entrevista concedida ao catch.ch.

A reportagem é de Lucía López Alonso, publicada por Religión Digital, 18-02-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Participante central do Sínodo da Amazônia em Roma, bem como da REPAM no Brasil, o missionário conhece perfeitamente as comunidades indígenas e ficou grato pelo papa Francisco as ter tornado visíveis em “Querida Amazônia”.

“Estou extremamente satisfeito com... três sonhos e meio!", disse ele, referindo elogios às seções do documento em que o Papa descreve os seus sonhossociais, culturais e ecológicos” e sublinhando sua “perplexidade” ao chegar no “sonho eclesial”.

“Senti uma ruptura”, confessa o bispo, que esperava que Francisco anunciasse a aprovação do 'viri probati', a ordenação de padres casados.

O bispo emérito do Xingu destacou que, enquanto nas demais seções do texto o Pontífice se expressa enfaticamente, exigindo “proteger a floresta amazônica” e usando os termos “injustiça e crime” para se referir a operações econômicas que operam sem controle na região amazônica, o sonho eclesial precisa aterrissar na realidade.

Erwin Kräutler assegura, a esse respeito, que “muitas pessoas, inclusive eu, acharam esta parte muito estranha porque realmente muda de estilo”, como se a escrita papal tivesse sofrido uma intervenção na parte mais controversa da exortação apostólica. A que reunia expectativas de renovação entre os missionários da Amazônia.

“Senti isso particularmente quando vi que nem o cardeal Claudio Hummes, relator do Sínodo, nem o cardeal Pedro Barreto foram convidados para a apresentação do texto em Roma”, lamenta.

Reconhecendo que continua “sem entender por que essa medida não foi incluída na exortação”, o bispo lembrou que não se deve perder a esperança, pois “a questão continuará sendo levantada, em particular pelos bispos que, como eu, votaram pelos viri probati”. “Afinal – continuou – não esperávamos que o papa concordasse com isso imediatamente. Isso ocorre porque também precisamos chegar a um acordo que seja aceito pela Igreja Católica em todo o mundo”.

Um erro estratégico

Da mesma forma, ele definiu a negação do 'viri probati' como um “erro estratégico”, pois, na sua perspectiva, “a única maneira de resolver o problema da falta de padres é tirar proveito das riquezas da Amazônia”. Os leigos, as mulheres... cujo papel tampouco foi defendido em “Querida Amazônia”, que não deu firmeza para o diaconato feminino.

“Senti isso particularmente quando vi que nem o cardeal Claudio Hummes, que era relator do Sínodo, nem o cardeal Pedro Barreto foram convidados a apresentar o texto em Roma”, lamenta o prelado, descrevendo que na Amazônia os leigos substituem os consagrados em muitas comunidades remotas. “Mas permanece o problema de que eles não podem presidir a Missa. Eles podem celebrar batismos. Eles podem pregar. Eles podem liderar uma comunidade. Mas eles não podem administrar os sacramentos fora do batismo”, diz o bispo Emérito.

Para ele, essa missa não poder ser celebrada onde um padre não chega é negar aos católicos o direito fundamental da Eucaristia. “Não podemos colocar a questão do celibato acima da celebração da Eucaristia!”, afirma. Embora reconheça que neste tipo de comunidades os evangélicos ganham credibilidade, porque vivem neles encarnados em vez de “estarem de passagem”.

Por fim, ele denuncia a falta de destaque feminino: “para dizer a verdade, não sei como explicar isso aos fiéis. Sinceramente, esperava mais avanços nessa questão, porque é uma questão de justiça de gênero”.

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