Católicos da Amazônia dão boas-vindas à exortação apostólica pós-sinodal

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Desmonte do SUS: decreto anuncia privatização da atenção básica em retrocesso histórico

    LER MAIS
  • CNBB convida brasileiros a plantarem uma árvore no Dia de Finados em memória dos que se foram

    LER MAIS
  • O Papa, os Gays e o Ídolo da Doutrina Imutável

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


18 Fevereiro 2020

Diante de leis cada vez mais duras contra a Amazônia e seus habitantes, Querida Amazônia, do Papa Francisco, permite aos fiéis sonharem.

A reportagem é de Marie Naudascher, publicada por La Croix International, 17-02-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

“Não é um decreto, mas um convite a sonhar”, disse o arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo.
O arcebispo de 65 anos, que também é presidente da CNBB, enfatizou que este documento papal “nos chama a trilhar o caminho missionário com ânimo renovado”.

O tão aguardado texto de 22 páginas responde às propostas feitas pelos bispos na Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Pan-amazônia, realizado em outubro passado em Roma.

Os católicos da região amazônica ficaram encantados com o fato de a exortação ter sido lançada em 12 de fevereiro, dia que também marcava o 15º aniversário de assassinato da Irmã Dorothy Stang.

A missionária da Congregação de Notre Dame de Namur, nascida nos EUA, era figura importante na luta pela justiça social na Amazônia.

Dar à Igreja “rostos novos com traços amazônicos”

O Papa Francisco apresentou quatro sonhos para a região amazônica: social, cultural, ecológico e eclesial.

O Cardeal Cláudio Hummes, que trabalhou de relator-geral da assembleia sinodal, acolheu o fato de a preocupação com os “pobres, os esquecidos, os excluídos e os abandonados” figurar primeiro entre eles.

Sonho com comunidades cristãs capazes de se devotar e encarnar de tal modo na Amazônia, que deem à Igreja rostos novos com traços amazônicos”, diz Francisco ao descrever o seu quarto sonho para a região.

No entanto, o papa não menciona a ordenação de homens casados para compensar a escassez de padres na região. Esta foi uma das principais recomendações que a maioria dos bispos latino-americanos presentes sínodo de 2019 fez ao papa, em um esforço para integrar homens de comunidades indígenas ao sacerdócio.

“O papa nada disse sobre isso, então a porta não está fechada para estudarmos e debater esse tema. É um assunto importante que não se resolverá da noite para o dia”, disse o bispo da Diocese de Alto Solimões, Dom Adolfo Zon Pereira, missionário xaveriano cuja jurisdição eclesiástica fica a cerca de 1.100 quilômetros da capital amazônica de Manaus.

Mas o Papa Francisco afirma que “‘o modo de configurar a vida e o exercício do ministério dos sacerdotes não é monolítico, adquirindo matizes diferentes nos vários lugares da terra’, diz o prelado espanhol de 64 anos, que atua na região, nas fronteiras com a Colômbia e o Peru, há quase 30 anos.

Francisco convida os leigos a comprometerem-se com uma “nova vida nas comunidades” para “responder aos novos desafios”, contando com as comunidades eclesiásticas de base e grupos de missionários itinerantes.

“No entanto, eu esperava um sinal do papa no sentido daquelas que coordenam 70% das comunidades eclesiais na Amazônia”, disse Dom Evaristo Pascoal Spengler, da Prelazia de Marajó, referindo-se ao papel essencial das mulheres na região.

O franciscano de 60 anos defendeu a ordenação de mulheres ao diaconato durante a assembleia sinodal.

“Estávamos no meio de um processo, e desse texto vamos publicar uma cartilha que iremos ler durante o ano com os fiéis”, disse Spengler visivelmente otimista.

O silêncio de Jair Bolsonaro

Sem citar o chefe de Estado brasileiro, o papa diz que a exploração dos recursos de mineração em territórios indígenas – que o presidente Bolsonaro quer perseguir – é um “crime” e uma “injustiça” que perpetuam “interesses colonizadores”.

Até agora, a CNBB não comentou o projeto de lei apresentado ao Congresso semana passada que autoriza a exploração de recursos hídricos e de mineração em territórios indígenas.

“Somos contra tudo o que prejudica o meio ambiente e os povos nativos (...) e isso em resposta a interesses de desenvolvimento econômico que não se preocupam com os mais pobres. Pelo contrário, os exclui”, disse Dom Oliveira de Azevedo à imprensa.

Além disso, a CNBB criticou a falta de representação da sociedade civil no Conselho Nacional da Amazônia, criado em 11 de fevereiro para responder às críticas internacionais após os incêndios de agosto passado.

Esse novo órgão é liderado pelo vice-presidente do Brasil, Gen. Antônio Hamilton Martins Mourão, que não tem em seu histórico a defesa dos direitos indígenas.

Bolsonaro não comentou o que diz o papa em Querida Amazônia.

Mas antes do Sínodo de outubro passado, o governo Bolsonaro acusou os bispos católicos de procurarem desestabilizar o seu poder de governo e minar a soberania brasileira na região.

O Cardeal Hummes lembrou que a Igreja Católica está aberta ao debate com a sociedade civil e a presidência, se houver “uma disposição para dialogar”.

Entretanto, o cardeal de 85 anos disse que a tomada de poder progressiva do governo Bolsonaro sobre a Amazônia apresenta um “risco para a democracia”.

 

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Católicos da Amazônia dão boas-vindas à exortação apostólica pós-sinodal - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV