Com Francisco ou fora da Igreja. O duro desabafo do presidente da CEI

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27 Janeiro 2020

O cardeal Bassetti contra a deriva protestante e o "destrutivismo" dos anti-Bergoglio. "Se alguém não gosta, é livre de escolher outros caminhos." Enquanto isso, o Papa se reúne com Saleh e reitera que quer ir ao Iraque em breve.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada por Huffington Post, 25-01-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Ele o chama de "desabafo", mas se chegamos a uma reação assim do presidente da Conferência Episcopal Italiana (que é a única da qual o Papa participa, como bispo de Roma), o cardeal Bassetti, um homem calmo e cuidadoso em medir as palavras por natureza e não apenas por função, significa que o copo está cheio.

E assim Bassetti convida aqueles que não apenas não pensam como o Papa Francisco, mas não perdem a oportunidade de atacá-lo ou minar sua autoridade, para "fazer outras escolhas".

Bassetti, encontrando-se com a mídia em Perugia, por ocasião das celebrações dos jornalistas pelo padroeiro São Francisco de Sales, não mede as palavras sobre os contínuos ataques ao Papa.

"Se alguém não gosta desse papa pode falar, porque é livre para escolher outros caminhos. Criticar é justo, mas essa destrutividade não", disse o arcebispo de Perugia-Città della Pieve.

"Tem gente demais - acrescentou - que fala do Papa e a alguns eu já disse 'escolha ser evangélico, se a Igreja católica não combina com você, se este barco for muito apertado. Nossos irmãos protestantes não têm nem papa nem bispo, cada um faz suas escolhas. Desculpem pelo desabafo, mas o objetivo de todos deve ser buscar respostas para o bem da Igreja e da humanidade".

Em suma, Bassetti contesta a deriva protestante que parece ter contaminado a Igreja Católica vinda dos EUA.

As "dúvidas" contra Francisco começaram com a exortação apostólica de 2016, Amoris Laetitia, mas nas redes sociais católicas de direita chegou-se a escrever que ele é marxista, comunista e até idólatra. Os índios levam uma estátua amazônica da Pachamama ao Vaticano e um hipercatólico austríaco a rouba e a joga nas águas do Tibre. O Papa fala da necessidade de acolher os migrantes e é acusado de querer vender a alma da catolicidade em favor dos muçulmanos. Ele publica uma encíclica sobre a defesa da criação e se responde que o verdadeiro problema é o choque entre civilizações. Sobre a pedofilia, o ex-núncio apostólico nos Estados Unidos Carlo Maria Viganò o acusou de encobrir o agora expulso cardeal McCarrick e o convidou publicamente a renunciar.

Francisco convocou um sínodo sobre a possibilidade de conceder - em casos muito excepcionais - o sacerdócio a homens respeitados, mas casados, e eis que essa manobra é vista como um cavalo de Tróia para conseguir que os padres se casem (porque essa foi a verdadeira mola que desencadeou a dialética polêmica sobre os "dois papas" e o livro publicado na França em 15 de janeiro com uma assinatura dupla de Bento XVI e do cardeal Sarah).

Ainda nesta manhã, na audiência de abertura do ano judicial da Rota Romana, Francisco reiterou que a Igreja não pode "resignar-se" a ser "uma Igreja de poucos", "não pode se fechar em um círculo de perfeitos", sendo "apenas fermento isolado" e um novo impulso à pastoral pode vir de casais cristãos que, com suas vidas, testemunham a fé. "A ação apostólica das paróquias pode ser iluminada pela presença de cônjuges", como ocorria nas primeiras comunidades cristãs, seguindo o exemplo de Áquila e Priscila (discípulos de São Paulo) que "nunca estavam parados, estavam sempre em movimento, certamente com os filhos", pela forma como são representados na iconografia.

A necessidade de convivência pacífica entre as diferentes crenças no Iraque e o caminho do diálogo para fazer "prevalecer a paz, a segurança e a estabilidade da região" foram os temas discutidos pelo Papa e presidente iraquiano Barham Salih, recebido em audiência pela manhã. Em nota no site da Presidência iraquiana, também há uma referência ao fato de Bergoglio e o Presidente terem discutido a "possibilidade de uma visita do papa a Bagdá e à cidade de Ur, o berço do patriarca Abraão".

Foi o próprio Bergoglio, alguns meses atrás, que anunciou que queria visitar o Iraque em 2020.

 

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