Papa Francisco pede que bispos ensinem os fiéis a discernir nas eleições, na política

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23 Janeiro 2020

Às vezes, as escolhas políticas que as pessoas têm a fazer podem parecer uma escolha entre apoiar uma “cobra” ou apoiar um “dragão”, mas o Papa Francisco disse a um grupo de bispos americanos que o trabalho deles é dar um passo atrás na política partidária e ajudar os fiéis a discernir com base em valores, disse o Cardeal Daniel N. DiNardo, da Arquidiocese de Galveston-Houston.

A reportagem é publicada por Catholic News Service, 20-01-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em um encontro com os bispos de Texas, Oklahoma e Arkansas em 20 de janeiro, o papa mencionou como, em uma eleição, “parecemos estar na situação do tipo em que temos que votar em uma cobra ou em um dragão”, disse DiNardo.

O conselho do papa aos bispos foi: “Ensinem as pessoas a discernir com vocês dando um passo atrás na política partidária” e focando nos valores em questão, disse DiNardo ao Catholic News Service.

Os 26 bispos da região, incluindo auxiliares e eméritos, passaram duas horas e meia conversando com o Papa Francisco em inglês e espanhol. O pontífice respondia em italiano para que o seu auxiliar traduzisse as respostas em inglês.

Os tópicos foram amplos e incluíram a crise de abuso sexual clerical, migração, os desafios de uma cultura permeada pelas mídias e a formação das consciências dos cristãos, especialmente em uma época de divisões políticas profundas.

Dom Daniel E. Flores, da Diocese de Brownsville, no Texas, uma das quatro dioceses texanas na fronteira com o México, disse que todos estes assuntos eram importantes, mas que o mais importante foi ouvir o papa e ser ouvido por ele.

Citando “toda uma série de questões” que discutiram com o Papa Francisco, Dom Edward J. Burns, da Diocese de Dallas, disse: “Estou realmente ansioso para me sentar, digerir, refletir e rezar a partir desse diálogo que tivemos nesta manhã com o sucessor de São Pedro”.

“Foi animador. Foi emocionante”, afirmou.

O Papa Francisco está atento e sabe dos desafios pastorais postos pelos meios de comunicação modernos e pela presença generalizada deles na vida de muitas pessoas, disse Flores, usuário assíduo do Twitter. Mas o papa “demonstra uma calmaria na forma como abordamos isso”, principalmente ao permanecermos verdadeiros à identidade como pastores, proclamando o Evangelho e incentivando as pessoas para que ajam em conformidade.

Flores disse que todos os bispos percebem que devem aprender “como ser um pastor em um mundo midiático, mantendo o foco na justiça, na caridade, no Evangelho”.

As visitas ad limina são “bastante importantes para aprofundarmos o nosso senso de comunhão” pessoal com o Papa, o sucessor de Pedro, disse o religioso. “Não se trata apenas do ofício; tem a ver com um afeto pelo nosso pai espiritual, algo que precisamos cultivar, porque faz parte do dom que é a comunhão da Igreja”.

“A narrativa” segundo a qual o Papa Francisco e muitos dos bispos americanos “possuem ideias divergentes”, segundo Flores, é “exagerada”. Às vezes, esta impressão pode surgir quando um bispo reage a uma notícia ou a uma reportagem nos meios de comunicação em torno de algo que o papa disse. “É nossa responsabilidade ouvi-lo em suas próprias palavras e resistir à tentação que, por vezes, atinge todo o espectro da Igreja a fim de chegar a uma conclusão por causa de alguma frase que fora citada aqui ou ali”.

Mesmo no mundo de ritmo acelerado das mídias sociais, “podemos nos dar o luxo de sermos criteriosos e atenciosos”, explicou o religioso americano. “Faz parte da nossa responsabilidade intelectual”.

O Cardeal DiNardo disse que o papa e os bispos reconhecem o valor e a importância dos meios de comunicação. No entanto, continuou ele, algumas pessoas nas mídias sociais “podem representar um número pequeno de pessoas, mas fazem um barulho enorme. Tentamos superar isso”, tanto no que dizem do papa quanto no que dizem da Igreja e dos bispos.

Flores ficou surpreso pela maneira como Francisco sabia a respeito da vida e do testemunho do Beato Stanley Rother, religioso natural de Oklahoma martirizado na Guatemala em 1981. Após seu nome aparecer em uma lista de morte, Rother voltou para Oklahoma, mas se recusou a permanecer aí.

“Foi comovente ouvir o Santo Padre, o sucessor de Pedro, recontar para nós uma história que tão bem conhecemos”, disse o bispo. Isto mostra a consciência do papa para com “este espírito missionário e o quanto ele está vivo nos Estados Unidos”.
“Ele falou da importância dos pastores que acompanham o seu povo”, acrescentou Flores. “Achei muito encorajador, porque eles são os heróis desconhecidos que acompanham o seu povo, dia após dia”.

O Papa Francisco também incentivou os bispos a serem pastores, em sentido literal, passando um tempo com os fiéis “não só nas confirmações e nos grandes eventos”, disse ele. O papa falou: “O povo tem um faro profundo para a realidade da Igreja, e aí é onde estão os bispos, aí está a Igreja”.

Ainda segundo Flores, as palavras do papa foram “profundamente pastorais, profundamente teológicas e eclesiais”, bem como, obviamente, foram palavras de uma espiritualidade profunda.

Sobre migração, Flores falou que o papa tinha claramente conhecimento a respeito do assunto e mostrou-se feliz pelas décadas de trabalho que a Igreja Católica nos EUA tem feito para acolher migrantes e refugiados, e incentivou aquilo que os bispos vêm fazendo atualmente, em particular quando reafirmam a “dignidade do imigrante e o justo tratamento” destas pessoas.

DiNardo disse que a conversa com o papa tocou também no fato de que “algumas pessoas acham questões desse tipo não têm a ver com o magistério da Igreja, que é política”.

O Papa Francisco, segundo o cardeal americano, incentivou os bispos a passarem um tempo refletindo a respeito e compartilhando com o povo a diferença entre “política como ideologia e ensino social católico, que destaca a pessoa humana e salienta o quanto somos chamados a dar o nosso melhor”.

“Precisamos ser a voz dos imigrantes” que não têm voz, “pressionados como são de muitos e diferentes lados”, disse o cardeal.

A questão da política migratória é complicada, mas os cristãos devem ficar do lado “dos pobres e dos necessitados. Os imigrantes, a certa altura o papa mencionou, “eles representam para nós o rosto de Cristo sofredor. O Jesus sofredor”.

Burns esteve entre os bispos texanos que manifestaram oposição ao anúncio do governador Greg Abbott de que o estado não iria mais reassentar refugiados.

A Igreja como mãe cuida do povo necessitado, disse ele. “E embora cada país tenha o direito de proteger as suas fronteiras, toda pessoa tem o direito a uma vida melhor”.

O que realmente precisamos, disse ele, é uma reforma imigratória. “Está demorando muito!”

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