O papa emérito se intromete novamente na política da Igreja

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14 Janeiro 2020

O jornal "Bild-Zeitung" fala de "guerra dos papas", o "Frankfurter Allgemeine Zeitung" escreve que "o gênio da divisão da Igreja saiu da lâmpada". Um livro do Papa Emérito Bento XVI desperta fortes reações.

A reportagem é de Ludwig Ring-Eifel, publicada por Domradio.de, 13-01-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Quase sete anos após o histórico anúncio de sua aposentadoria, Bento XVI voltou a ocupar as manchetes nos jornais de todo o mundo. Em um livro escrito junto com o cardeal da Cúria africano Robert Sarah, o papa emérito volta a se manifestar de seu exílio de descanso, escolhido por ele mesmo nos jardins do Vaticano. O tema é o do celibato dos padres e desperta interesse também porque está neste período no centro das controvérsias sobre as reformas da Igreja. Em seu livro, Bento XVI e Sarah defendem a disciplina eclesiástica velha de mil anos do celibato para os padres da Igreja Católica Romana contra os novos pedidos de afrouxá-la ou aboli-la.

Não é a primeira vez que Ratzinger quebra o silêncio por ele mesmo tão louvado. Já na primavera, havia reaparecido algumas vezes com intervenções em questões eclesiais atuais. O emérito de 92 anos foi muito criticado quando, em abril de 2019, escreveu um ensaio sobre o escândalo dos abusos sexuais do clero e atribuiu a maior culpa pela disseminação do mal ao abandono da moral sexual da Igreja e às consequências da revolução cultural de 1968. Mas na época o artigo foi levado em consideração basicamente apenas nos ambientes internos da Igreja.

Desta vez, é diferente: nos comentários da mídia alemã, o ataque ao celibato é considerado uma afronta ao seu sucessor Francisco, que em breve decidirá sobre algumas concessões excepcionais ao celibato. Em outubro, o Sínodo Especial dos Bispos para a Amazônia votou com uma porcentagem de dois terços a favor de conceder exceções ao celibato para territórios que precisam disso do ponto de vista pastoral.

A implementação dessas decisões através de um documento papal de orientação é esperada nas próximas semanas. Diante dessa situação, o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitungscreve escreve que, com essas declarações, Bento XVI golpeia o Papa Francisco pelas costas e comenta: "o gênio da divisão da Igreja saiu da lâmpada". E o Bild-Zeitung publica a manchete "a guerra dos papas".

Totalmente diferente é a apresentação do francês "Le Figaro", que foi o primeiro a apresentar o novo livro. Nele o especialista do Vaticano Jean-Marie Guénois pergunta: “Como essas posições serão recebidas por Francisco? Pode fechar a porta na cara do papa emérito, como fez com os cardeais conservadores que publicamente expressaram dúvidas sobre seu ensinamento?".

No Vaticano, estão sendo feitos esforços para limitar os danos. Numa posição em que o papa emérito não é mencionado, o diretor da sala de imprensa Matteo Bruni lembra que o Papa Francisco, há menos de um ano, havia se declarado publicamente contra a abolição do celibato e havia mencionado apenas exceções em situações especiais extremas. Nas entrelinhas, quer dizer: não há nenhuma afronta, porque tanto o emérito quanto o papa em exercício têm a mesma opinião sobre o assunto. Porém, independentemente das posições sobre o assunto, o atual ataque do papa emérito torna evidente um novo tipo de problema.

Como um documentário da televisão bávara mostrou recentemente de forma chocante, Bento XVI praticamente não tem mais condições de falar de maneira audível ou manter um longo discurso. Nesse estado, pode facilmente tornar-se presa daqueles que querem colocá-lo do seu lado nos debates atuais. É impressionante que desta vez - diferentemente das declarações anteriores do papa emérito - não se falou da publicação de um texto acordado com o sucessor. De novo há também o fato que o papa emérito aparece como autor, junto com um cardeal de tendência conservadora – mesmo que uma longa passagem do livro pareça ter sido escrita apenas por Bento XVI. A ideia básica e a intenção do livro de se opor com força a uma modernização do presbiterado, deveriam corresponder ao pensamento de Bento XVI.

Mas o que não está claro é se ele ainda percebe as distorções que provoca desse modo nos debates dentro da Igreja. Seus "companheiros de armas", ao contrário, sabem muito bem disso.

 

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