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14 Janeiro 2020

O Papa Emérito se tornou uma marca que alguns manipulam e gerenciam à vontade? É razoável deixar o status de um pontífice emérito nas mãos de privados que não respondem a ninguém? (LB)

O comentário é de Luis Badilla, publicado por Il sismografo, 13-01-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

O livro escrito a quatro mãos, de Joseph Ratzinger e Robert Sarah, intitulado em francês Des profondeurs de nos coeurs (nas livrarias a partir do dia 15), há 24 horas está no centro de dezenas e dezenas de artigos na imprensa, em particular online. O vaticanista Jean-Marie Guénois, que foi o primeiro a divulgar a notícia ontem à tarde no Le Figaro, propôs, em uma análise detalhada e completa do livro, seus principais conteúdos, bem como as posições mais significativas dos autores, especialmente aquelas da Bispo Emérito de Roma. A imprensa, quase por unanimidade, leu a iniciativa editorial (muito ligada a setores da direita dos EUA e da França) como um verdadeiro torpedo contra o recente Sínodo Pan-Amazônico e um verdadeiro ataque preventivo contra o Papa Francisco na eventualidade de que ele tivesse em mente - como a maioria dos padres sinodais recomendou - abrir algumas possibilidades, circunscritas e regulamentadas, ao sacerdócio dos viri probati (laicos casados) na Exortação pós-sinodal em que ele trabalha há algum tempo e que deve ser publicada nos próximos meses.

O que está acontecendo em relação a esse livro, lançado com grande astúcia no mundo de língua inglesa e francesa, é um evento importante, delicado e decisivo, e ao mesmo tempo para muitos no Vaticano, é "uma iniciativa triste e traiçoeira".

Obviamente não se contesta o direito do Papa Emérito e de Robert Sarah, Cardeal Prefeito de Francisco, de dizer o que pensam sobre qualquer coisa e, obviamente, escrever um, três ou dez livros. São contribuições que enriquecem a ação de toda a hierarquia e a vida das comunidades eclesiais.

Contesta-se sim a operação que está por trás isso e que os organizadores arquitetaram com precisão, mesmo sabendo que se tratava de uma verdadeira ingerência indevida, uma pressão ilegítima sobre o papa, que está trabalhando na redação do documento final da assembleia sinodal.

E qual é essa operação?

Aquela de sempre ... aquela que se aninha há alguns anos no coração e nas ações de alguns clérigos que fazem parte do entorno do Papa emérito, que foi transformado por essa comitiva em uma espécie de marca que eles manipulam e administram à vontade, aproveitando algumas circunstâncias: a primeira, que o bispo emérito de Roma, muito limitado fisicamente (audição, visão e conversação), comunica apenas e exclusivamente através de uma ou duas pessoas desse círculo (detentores da exclusividade) e, segunda, que o Papa emérito, há tempo não está mais em condições de gerenciar autonomamente seus espaços, seus compromissos e projetos (e sempre depende de outros).

A lucidez intelectual de Joseph Ratzinger não consegue compensar suas limitações físicas e, portanto, é uma pessoa frágil e limitada.

Qualquer outra versão é pura hipocrisia e não responde à verdade. Joseph Ratzinger é uma pessoa gravemente doente e, por amor e respeito por sua pessoa, um grande patrimônio e tesouro da Igreja Católica, seria prudente pôr um fim ao uso e exploração do que é e representa para a história da Igreja.

No entanto, a operação do livro a quatro mãos coloca algumas perguntas que, mais cedo ou mais tarde, terão que encontrar uma resposta.

1) Após estes anos passados a partir de 13 de março de 2013, dia da eleição de Francisco, foram pensados modos, regras e mecanismos para gerir - codificar - a relação de um Papa emérito com a Sé Apostólica, com o Papa "reinante", em particular no que se refere à comunicação e à relação do ex-pontífice com a comunidade eclesial e com a opinião pública? A nova Constituição Apostólica que o Conselho de Cardeais está finalizando de alguma forma aborda essa questão? Ou, no futuro, a figura, a presença e o carisma de eventuais papas eméritos serão confiados a comitivas compostas por secretárias particulares e amigos pessoais?

2) No caso atual e sem julgar as intenções de ninguém, logo nos perguntamos: por que o papa emérito escreve e assina um livro com um cardeal como Robert Sarah, que passa a maior parte do tempo como prefeito do papa Francisco viajando pelo mundo, convidado de círculos anti-Bergoglianos, para falar contra o Pontífice, para atacá-lo e desmenti-lo, para arranhá-lo ou dificultá-lo, sendo que depois diz que ama e respeita o Papa e que concorda com ele?

 

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