Gestos bruscos e irritação. Quando o Pontífice perde a paciência

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06 Janeiro 2020

O pontificado é comparável a uma roupa e todo papa, como sabem nos palácios sagrados, consegue adaptá-la à sua própria corporatura. Na maioria dos casos, no Trono de Pedro se sobe, permanecendo caracteristicamente o homem que se era antes da fumaça branca na Capela Sistina, conservando a índole e as mudanças de humor de antes, talvez atenuados pelo efeito da branca batina. Os imprevistos estão sempre à espreita na esquina.

O comentário é de Giacomo Galeazzi, publicado por La Stampa, 02-01-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

No Getsêmani, Pedro, o primeiro Papa, cortou a orelha do servo do sumo sacerdote na confusão da prisão de Jesus. Por séculos, os papas lideraram as tropas no campo de batalha, e a docilidade de espírito nem sempre foi companheira de estrada dos vigários de Cristo. Sem ter que voltar tão longe na história bimilenar pontifícia, os exemplos são inúmeros. Sempre que um padre com vocação manchada aparecia no escritório particular de Pio XI, sua reação era tão franca que causava constrangimento: "Qual é o nome da senhora?". Na cúria de Pio XI, na Secretaria de Estado, o futuro Paulo VI contestava ao outro diplomata no cargo, Domenico Tardini, a titularidade dos principais dossiês, a ponto de repetir um ao outro o rude convite de "ir dormir mais cedo à noite", como observa em seu diário aquele que se tornaria o principal colaborador de João XXIII. O próprio Roncalli foi tudo menos que gentil ao lidar com as acusações contra o Padre Pio.

No IOR, o amável João Paulo I, patriarca de Veneza, levantou a voz com o "banqueiro de Deus" Paul Marcinkus pela administração inescrupulosa da católica Banca del Veneto. Na oração do jubileu pela unidade dos cristãos, João Paulo II (através do secretário P. Stanislaw Dziwisz) afastou de maneira tempestiva o cardeal Fiorenzo Angelini, que em uma transmissão ao vivo inesperadamente se aproximou para oferecer o braço ao Papa claudicante, mostrando involuntariamente sua saúde instável. Não surpreende, portanto, que o latino-americano Bergoglio, que já foi padre e bispo de rua nas favelas de Buenos Aires, expresse de maneira igualmente espontânea e vívida seu incômodo caso lhe aconteça de perder a paciência.

Durante a viagem ao México em fevereiro de 2016, aconteceu em Morelia com um garoto que puxando-o em sua direção estava a ponto de derrubá-lo ("Não seja egoísta!", disse ele furioso) ou na coletiva de imprensa do avião em que ele imitou para os jornalistas um soco que merece quem ofende a mãe.

Até Francisco, às vezes, fica com raiva. As desculpas, no entanto, vieram imediatamente "pelo mau exemplo". Ontem, no Angelus, pediu desculpa publicamente pelo acesso de raiva que teve com uma fiel que o havia puxado na terça-feira na praça. Ele estava se afastando das barreiras depois de cumprimentar a multidão e uma mulher o agarrou com força pelo braço "torcendo-o, realmente machucando-o e forçando-o a voltar", explicam no Vaticano.

A ação deixou nervoso e assustou o Papa, que bateu duas vezes a mão da peregrina para se soltar. Então ele continuou, sombrio, provocando uma chuva de comentários nas mídias sociais. "Eu também perco a paciência", disse ele com uma voz embargada pela emoção.

 

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