São Francisco e a origem da escolha de Greccio como um local para ambientar a Natividade. O presépio nascido de uma amizade

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28 Novembro 2019

Por que Francisco escolheu Greccio para o "seu" presépio? Além das pessoas comuns, que todos os anos se encantam diante da encenação do nascimento de Jesus em Belém, até os mais sérios estudiosos do franciscanismo já se perguntaram isso e um deles, Luigi Pellegrini (I luoghi di Frate Francesco, Milão, Edizioni Biblioteca Francescana, 2010, p. 256, 16 €), responde com as palavras do biógrafo Tommaso da Celano: “Porque havia naquele condado um homem chamado Giovanni, de boa fama e vida ainda melhor, que era muito próximo do beato Francisco, porque apesar de ser nobre e muito honrado em sua região, estimava mais a nobreza do espírito do que a da carne".

O artigo é de Egidio Picucci, publicado por L'Osservatore Romano, 24-12-2013. A tradução é de Luisa Rabolini.

O motivo da escolha de Greccio é, portanto, a rara disponibilidade de um cristão generoso; a relação de uma amizade verdadeira e profunda entre ele e Francisco e não, como geralmente se pensa, uma atração particular deste último pelo lugar ou por seus habitantes. Nas fontes franciscanas nunca se fala do castrum Grecii antes do Natal de 1223, quando o Pobrezinho disse ao amigo: "Se você quer que celebremos a próxima festa do Senhor em Greccio, vá em frente e prepare o que eu lhe disser: gostaria de lembrar aquele menino que nasceu em Belém e de alguma forma ver com os olhos do corpo as dificuldades que enfrentou devido à falta das coisas necessárias para um recém-nascido; como ele foi deitado em uma manjedoura e como ele ficou no feno entre o boi e o jumento."

Naqueles dias, Francisco não estava em Greccio, mas em um local não especificado em que convocou seu amigo Giovanni, que, assim que ficou sabendo do desejo de seu amigo, "apressou-se com a maior solicitude e preparou no local mencionado acima com tudo aquilo que santo havia indicado a ele”.

Tudo isso aconteceu quinze dias antes do Natal. A história da celebração feita por Tommaso da Celano se passa em tons de uma melodia profundamente evocativa: multidões de devotos descendo do castelo à luz dos firmamentos e de "muitos frades convocados de diferentes partes", não para um local de culto, mas entre as árvores de um bosque, ao ar livre, além e fora de qualquer norma litúrgica. Ao diretor da reconstituição, Francisco, interessa reviver e fazer reviver a Natividade, não apenas como narrada por Mateus e Lucas, mas com todos os detalhes com que a tradição a enriqueceu. Tudo acontece sob a luz fria das estrelas; no lugar da igreja, a solenidade das árvores seculares; no lugar do altar, uma manjedoura, na qual, segundo São Boaventura, foi celebrado o "sagrado sacrifício", com o feno, o jumento e o boi que Francisco quer ao lado da manjedoura, conforme a tradição aceita pelo evangelho apócrifo de pseudo-Mateus. "Se a vontade de Francisco de reproduzir e reviver a cena evangélica não fosse conhecida, embora com algumas referências folclóricas - escreve Pellegrini - teríamos a impressão de uma dessacralização: um estábulo em vez de uma igreja, uma manjedoura em vez do altar, feno em vez das vestes litúrgicas da mesa do altar e, além disso, um jumento e um boi”.

O fato deve ter surpreendido o próprio Boaventura, que, para evitar interpretações distorcidas, se apressa a divulgar que tudo acontece com o consentimento do Papa. Somente mais tarde, e como consequência daquela extraordinária "reconstrução", foram construídos os elementos essenciais para um local de culto: um altar e uma igreja, tudo depois da morte do Pobrezinho e depois de sua canonização, necessária para que uma igreja pudesse ser dedicada em homenagem ao novo santo. Em Greccio, portanto, teria sido construída uma das primeiras igrejas dedicadas a Francisco.

Antes disso, no entanto, floresceram os milagres, ligados pela mentalidade popular às relíquias que fazem referência, em uma relação mais ou menos direta, com o corpo de um santo ou com um evento prodigioso, para o benefício da alma ou do corpo. Em Greccio, a estranha relíquia consiste do feno espalhado sobre a manjedoura que, segundo o hagiógrafo, é zelosamente conservado e com o qual se obtêm curas prodigiosas de animais, além de consideráveis vantagens para as gestantes em risco, sobre as quais o feno é devotamente espalhado.

Não sabemos até quando as coisas permaneceram no estado inicial em Greccio, antes da construção do locus (termo clássico para uma residência estável dos frades) conventual. Parece, no entanto, que em 1246 já tivesse sido construído porque naquele ano teria saído de Greccio uma carta dos "Três companheiros" (Leão, Ângelo e Rufino) que acompanhava um texto que passou à história como a Lenda dos três companheiros, escrita justamente lá.

São notavelmente tardias as descrições que Celano faz das estruturas internas do eremitério, incluindo a localização de uma cela reservada a Francisco; aquela de episódios relacionados à aldeia, liberada da ferocidade dos lobos e dos granizos que periodicamente destruíam as lavouras; aquela da visita de "alguns frades que vieram de longe para ver o santo e receber sua bênção".

E aquela, finalmente, da contestação do Santo pela farta mesa festiva preparada pelos frades no Natal no locus em que Francisco chega como um pobre peregrino que entra, senta no chão e humildemente pede esmolas. As evoluções subsequentes do local foram marcadas pela presença de Giovanni da Parma (ex-Ministro Geral da Ordem), Ubertino da Casale e outros religiosos, empenhados em uma rigorosa e rígida defesa da pobreza.

 

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