Henry Sobel, o rabino que desafiou a ditadura brasileira, morre aos 75 anos

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25 Novembro 2019

O rabino norte-americano Henry Sobel, ex-presidente da Congregação Israelita Paulista (CIP), morreu na manhã desta sexta-feira, em Miami, aos 75 anos. Sobel marcou a história brasileira por ter se recusado, em 1975, a enterrar Vladimir Herzog na ala de suicidas do cemitério israelita, rejeitando a versão oficial das circunstâncias da morte do jornalista, morto pela ditadura militar.

A reportagem é publicada por El País, 22-11-2019.

Sobel morreu por complicações de um câncer de pulmão e seu enterro será realizado no próximo domingo, 24, em Nova Jersey (EUA). O rabino era divorciado e deixa uma filha, Alisha Sobel Szuster. A Federação Israelita de São Paulo publicou em sua página no Facebook que Sobel se destacou como uma "voz firme em defesa dos direitos humanos no Brasil", conforme nota divulgada pela família.

“Se houvesse um outro caso Vladimir Herzog, eu agiria da mesma forma. Estávamos lutando por um ideal só. A liberdade, os direitos humanos”, afirmou Sobel em entrevista ao G1, em 2009. Só em 2013, a família do jornalista recebeu um novo atestado de óbito confirmando que ele morreu em decorrência de "lesões e maus-tratos sofridos durante o interrogatório nas dependências do segundo Exército DOI-Codi".

Radicado no Brasil nos anos 1970, o rabino participou, ao lado do arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, e do pastor presbiteriano Jaime Wright, de um ato ecumênico em 31 de outubro de 1975, na Praça da Sé, uma semana após o assassinato de Herzog. Os religiosos também se uniram para fazer o Projeto Brasil Nunca Mais, que, clandestinamente, coletou informações sobre as denúncias de repressão política na ditadura militar. O material completo pode ser acessado nos sites do Ministério Público Federal.

 

A carreira como representante da comunidade judaica no Brasil teve uma mancha. Sobel foi preso em 2007, em Palm Beach nos Estados Unidos, acusado de furtar gravatas em uma loja da rede Louis Vuitton. Sobre o episódio, afirmou muitos anos depois que se tratou de uma “falha moral, não doença”, como já havia declarado, inclusive, em sua autobiografia Um Homem, um Rabino (Ediouro, 2008). No livro ele disse que se tratava de um “problema de saúde, que se manifestou em momentos de grave tensão". O ocorrido precipitou a aposentadoria de Sobel, que deixou o rabinato em 2013 para voltar aos Estados Unidos.

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