América Latina. Para Enrique Dussel, os grupos evangélicos são a nova arma dos EUA para os golpes de Estado.

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19 Novembro 2019

O filósofo e teólogo Enrique Dussel sustenta que os Estados Unidos propiciam uma “guerra santa” para derrubar governos na região. “Se exige que o homem deixe seus costumes ancestrais e se proponha a entrar na sociedade capitalista, consumista e burguesa”, refletiu.

A reportagem é publicada por Resumen Latinoamericano, 14-11-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Não há ferramentas intelectuais suficientes para analisar a guerra santa que está utilizando os Estados Unidos para sustentar golpes de Estados em países da América Latina. Assim se pode resumir a tese de Enrique Dussel, acadêmico, filósofo, historiador e teólogo, ao analisar a derrubada de Evo Morales na Bolívia e o panorama político regional.

Entrevistado pela jornalista mexicana Carmen Aristegui e reproduzido pelo portal Explícito, Dussel recordou que “a Bolívia era o país mais pobre junto com o Haiti, e aumentou sua porcentagem de riqueza como nenhum outro. Ninguém podia esperar uma reação. Um primeiro problema é por que reage um setor de uma classe que estava na pobreza e graças aos governos progressistas ingressaram a uma classe média. Possuem outras aspirações que não são sair da pobreza. Há uma mudança na subjetividade. Se passa à subjetividade consumista que acredita que certos projetos de direita poderiam solucionar suas novas aspirações”.

Católicos vs. Evangélicos

O teólogo acrescenta que “aqueles que saíram da pobreza na Bolívia são sujeitos que no fundo aspiram a serem consumistas neoliberais. E aí entra um fator: em um golpe de Estado como o de Pinochet, os que dirigiram esse processo, e assim como os militares argentinos, diziam que tinham que afirmar uma civilização ocidental, cristã, católica e de direita contra o comunismo”.

“Um novo fenômeno são as igrejas evangélicas que estão apoiando o processo brasileiro e na Bolívia, com um homem desaforado como Luis Fernando Camacho, que diz algo essencial 'Vamos tirar a Pachamama dos lugares públicos e vamos impor a Bíblia”. Porém essa Bíblia não é a católica, é a dos grupos evangélicos. Toma a cultura popular dos povos originários como um horrível paganismo que o cristianismo deve substituir rigorosamente.

É uma Bíblia evangélica que vem das seitas norte-americanas que muda a subjetividade. Se propõe que o homem deixe seus costumes ancestrais, deixe as festas e se proponha a trabalhar para entrar na sociedade consumista, capitalista e burguesa” destacou Dussel.

Além disso, o racismo

Somado a esses fatores, destaca Dussel que “na Bolívia de um lado está a branquitude, o branco que despreza o indígena e as cholas, que o faz com a doutrina da OEA e de seu secretário-geral Luis Almagro. Isso dá um panorama da América Latina, que precisa ser abordado com muita seriedade”.

“As tradições aymaras, que vêm sendo influenciadas por cinco séculos de catolicismo, se enfrentam agora com os evangélicos. Será uma espécie de luta religiosa, porém que é essencialmente política. Isso explica outra coisa: a teologia da libertação, que é cristã, porém se apoia nos pobres contra os ricos. ‘Bem-aventurados os pobres, malditos os ricos’. Isso é o contrário nos grupos evangélicos. Eles propõem uma revisão histórica e teórica que a esquerda não está habituada, porque propôs o ateísmo como condição transformadora. Se deparava com o indígena, e como esse tinha toda sua condição religiosa, não sabia como trata-lo e o rechaçou. E agora precisa assumi-lo para enfrentar um evangelismo pró-Estados Unidos”.

Evangélicos e a OEA

Os evangélicos, aponta Dussel, “lhes dão um sentido: ‘deixe todos esses costumes nefastos, faça-se um homem austero, trabalhador, bem organizado e sairás da pobreza porque Deus vai te abençoar com uma riqueza aceitável’. A riqueza é considerada, como no antigo calvinismo, uma benção de Deus. A Pachamama é a origem da pobreza”.

“Essa Bíblia reinterpretada a partir de um homem moderno norte-americano é a origem da possibilidade de uma nova Bíblia, e isso é usado hoje pela OEA e a nova política norte-americana que está se retirando do Oriente Médio. Haviam se afastado da América Latina, porém como no Iraque e no Irã foram derrotados, voltam à América Latina e querem recuperá-la. Eram sutis nos métodos, porém voltamos aos golpes de Estado”, finalizou Dussel.

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