Quando a prudência não é timidez ... Papa Francisco na homilia da missa de abertura do Sínodo da Amazônia

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08 Outubro 2019

Com a Eucaristia celebrada ontem, começou o Sínodo especial sobre a Amazônia. O texto da homilia do Papa Francisco (aqui) permite identificar alguns pontos-chave, úteis para orientar o caminho da assembleia episcopal, que inicia seu trabalho nesta segunda-feira. Vamos tentar fazer uma breve revisão desses pontos-chave.

A análise é do teólogo italiano Andrea Grillo, professor do Pontifício Ateneu Santo Anselmo, em Roma, do Instituto Teológico Marchigiano, em Ancona, e do Instituto de Liturgia Pastoral da Abadia de Santa Justina, em Pádua. O artigo foi publicado por Come Se Non, 07-10-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Fazer o Sínodo é um compartilhamento de um dom

"Recebemos um dom para sermos dons": assim, comentando a primeira leitura, Francisco fotografa o primeiro desafio do Sínodo: sair de um imaginário "de funcionários" e redescobrir que o serviço à Igreja não pode ser substituído pelo se servir da Igreja. Ser "servos inúteis" significa ser "servos sem lucro", gratuitamente no serviço do evangelho.

O dom deve ser "reaceso"

"Se tudo permanecer como está, ... o dom desaparece": o dom recebido pelo bispo é um fogo, que deve ser reaceso. Portanto, uma pastoral de "manutenção" contradiz a missão da Igreja. Que precisa do fogo do Espírito, que se renova saindo de estereótipos, seguros, mas autorreferenciais.

Reacender exige espírito de prudência, não de timidez

"Alguns pensam que a prudência é a virtude da 'alfândega', que pára tudo para não cometer erros": reacender o dom de Deus exige prudência, força, caridade. Não timidez, não medo, não indiferença. Não é indecisão, não é uma atitude defensiva, mas "virtude de vida, virtude de governo". Assim, a prudência pode assumir, sem qualquer contradição, a qualidade da audácia, uma vez que está a serviço da "novidade do Espírito". A demanda dessa virtude supera o obstáculo da indiferença e torna-se oração eclesial: "Então, reacender o dom no fogo do Espírito é o contrário de deixar as coisas seguir em frente sem fazer nada. E ser fiel à novidade do Espírito é uma graça que devemos pedir em oração. Ele, que faz novas todas as coisas, nos doe sua prudência audaciosa; inspire nosso Sínodo a renovar os caminhos da Igreja na Amazônia, para que o fogo da missão não se apague".

O presente deve ser oferecido, não imposto

"Quando sem amor e sem respeito se devoram povos e culturas, não é o fogo de Deus, mas do mundo": a evangelização se torna colonização quando o dom não é oferecido, mas imposto, e o seu fogo não dá força, mas consome. É um fogo que atrai e gera unidade, não que devora e homologa as diferenças.

A cruz dos irmãos na Amazônia

"Muitos irmãos e irmãs na Amazônia carregam cruzes pesadas": o caminho sinodal está a serviço do testemunho. Deve reconhecer o martírio e pode fazê-lo retornando ao evento da cruz e ao seu testemunho. O Sínodo é um ato de serviço eclesial à possibilidade de reconhecer plena e integralmente essas igrejas da Amazônia, nas quais outros já deram suas vidas e continuam a oferecê-las "sem lucro". "Para eles, para aqueles que estão dando suas vidas agora, para aqueles que ofereceram suas vidas, com eles, caminhemos juntos".

Esses 5 pontos são o horizonte de um programa de "exercício pastoral da prudência": no seu centro está uma nova assunção de responsabilidade. A prudência significa "exercer autoridade" de uma maneira não apenas negativa. Esse desafio diz respeito principalmente à Amazônia e à sua história particular, mas destaca (e configura a solução para) uma questão que preocupa profundamente a vida de toda a Igreja universal.

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