Papa Francisco, a verdadeira resposta para Matteo Salvini vem das religiões

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17 Setembro 2019

A verdadeira resposta para Matteo Salvini veio do Papa Francisco. "É insensato - escreveu Bergoglio - na perspectiva do bem das pessoas e do mundo, fechar os espaços, separar os povos, aliás, opor uns aos outros, negar hospitalidade àqueles que precisam e a suas famílias". Uma afirmação contida na mensagem enviada pelo Papa aos participantes da 33ª reunião internacional de oração pela paz promovida pela Comunidade de Santo Egídio e pela arquidiocese de Madri. Ainda mais explícito foi Francisco explicando que "dessa maneira o mundo é despedaçado, usando a mesma violência com a qual se arruína o meio ambiente e se deteriora a casa comum que, ao contrário, pede amor, cuidado, respeito assim como a humanidade invoca paz e fraternidade".

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada por Il Fatto Quotidiano, 16-09-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Para o Papa, de fato, "a casa comum não suporta muros que separam e, menos ainda, que contrapõem aqueles que a habitam. Em vez disso, precisa de portas abertas que ajudem a se comunicar, a se encontrar e a cooperar para viver juntos em paz, respeitando a diversidade e reforçando vínculos de responsabilidade. A paz é como uma casa de muitos quartos que todos somos chamados a habitar. A paz é sem fronteiras. Sempre, sem exceções”. Palavras que também podem ressoar como uma bênção para o governo do Conte II, mas que certamente marcam uma satisfação, por parte de Bergoglio, pela inversão da política italiana em termos de acolhimento dos migrantes.

Conforme explicou o próprio fundador da Comunidade de Santo Egídio, Andrea Riccardi, "o problema não é a existência de fronteiras. Em vez disso, é como viver nas fronteiras de um mundo, grande e às vezes terrível. Frequentemente fronteiras que repelem ou impregnadas de ódio despedaçam o mundo, criam um insidioso clima de conflito”. Para Riccardi "a questão que nos preocupa é a paz. Alguns dirão que, colocado assim, é genérica, que deveria ser articulada em perspectivas específicas. Será ingênuo, mas deixe-me dizer que a visão unitária da paz é aquela herdada das religiões: uma paz que abraça a todos e vai do fim dos conflitos às relações entre as pessoas até a dimensão do coração".

A mensagem do Papa, no entanto, vai muito além das fronteiras da Península e se dirige em especial à Europa e todas as confissões religiosas, naquele espírito de diálogo recíproco entre todas os credos afirmadas enfaticamente por São João Paulo II, em Assis, em 1986. Um espírito que a Comunidade de Santo Egídio seguiu nesses anos sem jamais cair no sincretismo, fobia da qual era afeito Bento XVI, mas mostrando que o diálogo parte do conhecimento mútuo e da oração pela paz. Esse é o ponto crucial do encontro dos líderes de todas as denominações religiosas. Sem medo, sem fechamentos e sem preconceitos, sem esconder a própria identidade, em muitos casos bastante diferente. Mas não por isso acreditando que o diálogo seja impossível.

O próprio Francisco explicou que "na tradição desses encontros internacionais de oração pela paz, dos quais participei em Assis em 2016, a oração que se eleva a Deus ocupa o lugar principal e decisivo. Ela nos une a todos, em um sentimento comum, sem qualquer confusão. Próximos, mas não confundidos! Porque comum é o desejo de paz, na variedade de experiências e das tradições religiosas". Não é por acaso que o Papa frequentemente se refere a um texto muito contrastado na estreita geografia católica. Trata-se do documento sobre a fraternidade humana pela paz mundial e convivência comum, assinado em Abu Dhabi, em 4 de fevereiro de 2019, por Bergoglio e o grande imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb.

Um texto no qual os dois líderes reiteram que "as religiões nunca incitam à guerra e não instigam sentimentos de ódio, hostilidade, extremismo nem convidam à violência ou ao derramamento de sangue". Palavras filhas do Concílio Ecumênico Vaticano II e da declaração Nostra aetate sobre a relação da Igreja Católica com as religiões não-cristãs. Não são apenas palavras, embora de extraordinária importância, especialmente na época do fundamentalismo religioso que causa inúmeras mortes com os criminosos ataques terroristas, mas de uma verdadeira bússola para orientar a presença dos crentes no mundo.

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