Nacionalismo é um anátema contra a fé cristã

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21 Agosto 2019

Uma carta assinada por cerca de 30 teólogos proeminentes, no jornal católico liberal Commonweal, rejeita vigorosamente qualquer ligação entre nacionalismo e cristianismo, e afirma que tal conexão pode “ameaçar a integridade da fé cristã”.

A reportagem é de Yonat Shimron, publicada por Religion News Service, 20-08-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A carta, publicada em 19 de agosto, é assinada por importantes teólogos protestantes, católicos e ortodoxos, e por intelectuais públicos. Eles incluem Cornel West, Miroslav Volf, Stanley Hauerwas, o Pe. Greg Boyle, Massimo Faggioli, Anthea Butler e Eddie Glaude Jr.

Fazendo paralelos com os anos 1930, quando muitos pensadores cristãos sérios na Alemanha acreditavam que podiam administrar uma aliança com o nacionalismo que levou à emergência do nazismo, a carta rejeita qualquer tentativa de cooptar a política norte-americana com a fé cristã.

“Cidades, Estados e nações têm fronteiras; a Igreja, nunca”, declara a carta. “Se a Igreja não for etnicamente plural, ela não é Igreja, o que requer uma diversidade de línguas por obediência ao Senhor.”

A carta segue-se a um massacre no qual um homem branco supremacista, procurando deter uma “invasão hispânica” no Texas, matou 22 pessoas em El Paso no início deste mês.

A carta rejeita explicitamente o racismo e a xenofobia relacionados aos refugiados e aos migrantes.

“Uma verdadeira cultura da vida acolhe o estrangeiro, abraça o órfão e cuida das feridas de todos os que são nossos próximos – todos aqueles que jazem sem vida na estrada, enquanto os piedosos passam adiante silenciosamente.”

No rastro do tiroteio de El Paso, muitas publicações conservadoras emitiram condenações ao nacionalismo. A National Review referiu-se à supremacia branca como uma ideologia “maligna” que deve ser esmagada. O Washington Examiner convocou Trump “para nomear e condenar o mal do nacionalismo branco”.

A carta da Commonweal foi uma resposta mais direta a uma carta assinada por outro grupo de cristãos na revista conservadora First Things. A carta da First Things, publicada em março abraçava aquilo que chamou de “o novo nacionalismo” e defendeu um posicionamento junto aos trabalhadores norte-americanos contra os outros. A carta denunciava aquilo que chamou de “sociedade sem alma de riqueza individual” e disse que os conservadores “se curvaram a um multiculturalismo venenoso e censor”.

“Nos últimos anos, alguns argumentaram em favor da imigração dizendo que os estadunidenses da classe operária são menos trabalhadores, menos férteis, em certo sentido menos dignos do que os potenciais imigrantes”, dizia a carta da First Things. “Nós nos opomos a tentativas de desalojar os cidadãos estadunidenses. O avanço do bem comum exige que nos posicionemos junto dos nossos compatriotas, em vez de abandoná-los. Eles são nossos concidadãos, não unidades econômicas intercambiáveis. E, como estadunidenses, devemos uns aos outros uma lealdade distinta e devemos nos colocar uns aos outros em primeiro lugar.”

A carta da First Things foi assinada por um grupo menor de 15 pessoas, incluindo o especialista conservador Rod Dreher e o sociólogo Mark Regnerus.

Anthea Butler, professora associada de religião e estudos africanos na Universidade da Pensilvânia, disse que estava feliz por assinar a carta da Commonweal.

“É uma reação contra aquilo que foi publicado na First Things, que foi basicamente uma aquiescência à supremacia branca”, disse ela. “É hora de dar um basta.”

A carta da Commonweal foi redigida por David Albertson, professor de religião da Universidade do Sul da Califórnia, e por Jason Blakely, cientista político da Pepperdine University.

Uma pesquisa do HuffPost/YouGov publicada na semana passada mostrou que mais estadunidenses descrevem agora o “nacionalismo branco” como uma séria ameaça aos EUA. A pesquisa constatou que 56% dos estadunidenses dizem que o nacionalismo branco representa uma ameaça um pouco ou muito séria para os EUA, acima dos 46% que disseram o mesmo em agosto passado.

O presidente Trump condenou o “racismo, a intolerância e a supremacia branca” em um comentário público após o tiroteio de El Paso, mesmo que ele se rotule repetidamente de “nacionalista” e que o seu governo tenha reprimida imigrantes, refugiados e requerentes de asilo.

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