EUA. A ascensão da rede católica EWTN: da piedade ao partidarismo

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18 Julho 2019

No Memorial Day, os telespectadores que sintonizaram o programa News Nightly da EWTN para ver “notícias a partir de uma perspectiva católica” receberam duas entrevistas individuais gravadas previamente pela âncora Lauren Ashburn.

A reportagem é de Heidi Schlumpf, publicada por National Catholic Reporter, 16-07-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na primeira, um encontro de 10 minutos com Mike Pence durante sua visita em março à Ave Maria University, na Flórida, o vice-presidente criticou as “elites midiáticas e os liberais hollywoodianos”, chamou os democratas de “o partido do aborto sob demanda, até mesmo o partido do infanticídio”, e descreveu o presidente Donald Trump como “o presidente mais pró-vida da história norte-americana”.

Na segunda entrevista, Ashburn fez perguntas suaves durante 11 minutos para Sarah Sanders, ex-secretária de imprensa da Casa Branca. A âncora da EWTN lavou-se ao falar dos números mais recentes de desemprego e perguntou por que a grande mídia não deu mais cobertura para essa conquista, segurou um livro devocional que ela ficou sabendo que Sanders lê diariamente antes de perguntar sobre liberdade religiosa e terminou com uma pergunta sobre o seu sorvete favorito (de chocolate com menta).

Como parte de uma pergunta que citava uma pesquisa que mostra que os católicos brancos somam 44% de aprovação favorável para Trump, Ashburn destacou: “E eu simplesmente diria que esses 44% poderiam ser muito maiores se ele aparecesse no News Nightly”.

“Vamos trabalhar nisso”, respondeu Sanders com uma risada.

O segmento era uma clara evidência de como um canal de televisão antes dedicado a expressões de piedade católica e de catequese conservadora e apologética se tornou um império midiático verdadeiramente influente, bem conectado com políticos republicanos e com a Casa Branca de Trump. A EWTN, onde a “perspectiva católica” é descaradamente partidária, também se tornou a estrela midiática em uma rede de conexões que inclui doadores católicos conservadores ricos e algumas das forças anti-Papa Francisco mais públicas do mundo católico. Essas conexões, rastreáveis através de um labirinto de organizações sem fins lucrativos, ajudaram a impulsionar o desenvolvimento da EWTN. É uma história complexa que envolve a mistura entre um peculiar ramo católico conservador de estilo norte-americano com ideologia política e teoria econômica conservadoras.

A NCR fez repetidos pedidos durante quase uma semana para ouvir comentários da EWTN, mas a rede disse que não era capaz de indicar ninguém para responder às perguntas antes da publicação.

Se Ashburn conseguisse a entrevista com Trump a respeito da qual ela estava tentando Sanders, não seria a primeira da EWTN. Menos de duas semanas antes da eleição presidencial de 2016 – enquanto Trump ainda estava envolvido na controvérsia “Access Hollywood”, na qual ele foi gravado ao fazer piadas sobre mulheres sexualmente agressivas – o diretor de notícias e âncora da EWTN Raymond Arroyo teve uma conversa “exclusiva” com o candidato no hotel de Trump em Miami.

Arroyo perguntou sobre as gravações e deu a Trump duas chances de pedir desculpas ou de retirar os comentários extremamente obscuros sobre as mulheres, mas o candidato insistiu que era “tudo inventado” e “apenas conversa de vestiário”, acrescentando que “você não pode voltas atrás. Você tem que olhar para a frente”. No fim, ele culpou as “primárias sujas” e a “campanha suja”.

Durante a entrevista de 15 minutos, Trump se recusou a falar sobre a sua vida de oração e divagou sobre o Affordable Care Act como sendo um “desastre” e sobre a liberdade religiosa como sendo “tremendamente problemática”, mas deu respostas claras e sucintas quando se chegou a uma questão que é uma preocupação central para o público da EWTN.

“Você nem sempre foi pró-vida, mas agora é determinado e decididamente pró-vida”, disse Arroyo, não fazendo exatamente uma pergunta.

“Sim, eu sou pró-vida”, afirmou Trump.

“Você disse que vai nomear juízes que são pró-vida”, disse Arroyo, novamente em forma de afirmação.

“Certo”, disse Trump.

Onze dias depois, Trump foi eleito em uma vitória-surpresa, ajudado, de acordo com o Centro de Pesquisa Pew, pelo forte apoio dos católicos brancos, especialmente aqueles que frequentam regularmente a missa – um típico telespectador da EWTN.

No dia seguinte à eleição, pelo menos um vice-presidente da EWTN deixou claro o seu voto. John Manos, conselheiro geral da EWTN (e ex-procurador-geral adjunto do Estado de Michigan), tuitou: “Quando eu fui votar ontem, eu disse ao mesário: ‘Segure a minha cerveja e assista a isto!’”. Seu tuíte incluía as hashtags: #Trump #TrumpTrain #Trumpocalypse #TrumpPresident.

Embora a rede tenha sido amigável no passado ao Partido Republicano por causa de posições compartilhadas sobre o aborto, o casamento gay e questões de liberdade religiosa, o partidarismo político da EWTN se tornou mais visível desde a eleição da Trump, mais notavelmente em seus dois noticiários, News Nightlye The World Over.

Ambos os programas apresentam regularmente, como convidados políticos, conservadores discutindo a política nacional e internacional. Em uma entrevista de 2016, o ex-presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, disse a Ashburn que ele continuaria defendendo os princípios republicanos, como um “católico que exerce um julgamento prudencial na vida pública”.

O ex-conselheiro da Casa Branca de Trump, Steve Bannon, em uma entrevista de 20 minutos com Arroyo em abril, deu suas opiniões sobre questões eclesiais e políticas, defendendo o governo Trump e outros “movimentos populistas, nacionalistas, soberanos” como aqueles que refletem o ensino social católico, mais do que o próprio Francisco.

Em junho, o correspondente do News Nightly da EWTN na Casa Branca cobriu o comício de estreia da campanha “Make America Great Again” de 2020 na Flórida, proporcionando uma cobertura equilibrada ao incluir entrevistas com alguns participantes menos entusiasmados e até mesmo com um crítico de Trump encontrado em uma missa ali perto.

Mas, na Fox News, a cobertura de lançamento da campanha de Trump foi menos equilibrada, pois o seu repórter local chamou-a de “uma exibição incrível” e “uma conquista incrível”. Aquele repórter não era outro senão o anfitrião da EWTN, Arroyo, que também é o biógrafo oficial da fundadora, Madre Angélica.

Desde 2017, Arroyo tem contribuído regularmente com a Fox News e substituiu Laura Ingraham em seu programa de comentários na Fox News. Ingraham provocou uma polêmica considerável ao defender um nacionalista branco, ao zombar de um sobrevivente de um tiroteio em uma escola de Parkland e ao chamar as instalações de detenção de migrantes de “acampamentos de verão”.

Arroyo também se une a Ingraham em seu programa em momentos como “Seen and Unseen”, nos quais ele zomba dos movimentos de mandíbula de Nancy Pelosi, ou “Friday Follies”, nos quais ele ridiculariza o “politicamente correto”.

Os comentaristas estão especulando se Arroyo vai abandonar o navio e se juntar à Fox em tempo integral, mas, por enquanto, a parceria parece estar funcionando para ambas as partes.

Embora existam alternativas seculares à Fox News – de sua contrapartida à esquerda, a MSNBC, a importantes transmissões mais de centro –, não há nenhuma alternativa disponível para a EWTN no mundo católico. Assim que os bispos dos EUA fizeram uma tentativa inicial e imperfeita de formar a sua própria rede, a EWTN rapidamente se tornou a única voz católica principal no cenário da televisão dos Estados Unidos – e essa voz se tornou global.

“Torre da Esperança”

Quando a Diocese de Orange consagrar a sua nova catedral em Garden Grove, Califórnia, neste mês – depois de sete anos e mais de 70 milhões de dólares em reformas – a antiga “Crystal Cathedral” terá sido totalmente transformada a partir do seu uso anterior como set de televisão para o “Hour of Power”, um dos programas protestantes evangélicos mais antigos e populares.

Independentemente se o pastor fundador e estrela da Crystal Cathedral, o falecido Rev. Robert H. Schuller, concordaria com a mensagem, ele poderia apreciar o alcance absoluto do atual habitante da vizinha Tower of Hope. Lá, no oitavo andar, fica o mais novo estúdio da Costa Oeste daquela que é hoje a maior rede de mídia religiosa do mundo, a Eternal Word Television Network.

No seu auge nos anos 1980, Schuller alcançou cerca de 15 milhões de telespectadores semanalmente. As 11 redes da EWTN – transmitindo 24 horas por dia, 7 dias por semana – reivindicam um alcance de mais de um quarto de bilhão de pessoas em todo o mundo em mais de 145 países e territórios. A programação da EWTN está disponível em mais de 6.000 afiliadas de TV, assim como no ROKU, Apple TV, Amazon Fire e YouTube. Além do estúdio em Orange County, a ETWN tem estúdios em Washington e na sede da empresa, nos arredores de Birmingham, Alabama.

E essa é apenas a parte da televisão no negócio.

A EWTN também oferece programação de rádio gratuita para mais de 500 afiliadas nacionais e internacionais e para a SIRIUS/XM e iHeart Radio, assim como por meio de sua estação de rádio de ondas curtas de alcance mundial. Ela também possui e opera o maior site católico dos EUA, assim como o jornal National Catholic Register, um serviço de notícias online em inglês e espanhol, um braço de publicação de livros e um catálogo online de artigos religiosos.

É verdadeiramente um império midiático global, tão diversificado e complexo que pode ser difícil estimar seu orçamento total ou patrimônio líquido. Apenas o canal de televisão 501c3 sem fins lucrativos (há pelo menos outros três) tem um orçamento de cerca de 50 milhões a 60 milhões de dólares por ano – sendo que as outras empresas provavelmente contribuem com outros 10 milhões de dólares, segundo documentos fiscais.

Embora tudo isso ainda empalideça em comparação com o orçamento anual de aproximadamente 400 milhões de dólares da Conferência dos Bispos dos EUA, a rede fundada em 1981 na garagem do mosteiro de uma então desconhecida freira clarissa chamada Madre Angélica, provavelmente tem mais influência do que as lideranças da Igreja oficial, especialmente desde que a sua autoridade, já em declínio, foi ainda mais diminuída por sua má gestão da crise dos abusos sexuais clericais.

Os próprios bispos agora são aparentemente moldados pelo império EWTN. De acordo com um estudo recente do episcopado dos EUA, o National Catholic Register pertencente à EWTN é a publicação religiosa lida pela maioria dos bispos: 61% dizem que o leem.

Mas o que os bispos – e outros, católicos e não católicos – estão recebendo da EWTN e de suas organizações afiliadas é uma fatia muito particular do catolicismo, não necessariamente representativa da Igreja dos EUA como um todo. Pesquisas e estudos em curso sobre a população católica dos EUA constatam consistentemente uma diversidade muito maior de opiniões e de tolerância em relação a questões do que nas transmissões da EWTN. A EWTN se tornou a única imagem regularmente televisionada do catolicismo nos EUA.

Ela é “evangélica” no sentido mais amplo da palavra, diz um historiador que estudou os movimentos católicos conservadores.

“Ao adotar essa única abordagem ortodoxa do catolicismo para fora da Igreja e colocá-la na televisão, você está tornando-a mais visível”, disse Michelle Nickerson, professora associada de história da Loyola University Chicago. “Trata-se de declarar para católicos e não católicos que isto é quem nós somos: estamos aqui e estamos apostando nesse campo”.

As partes midiáticas da organização – da EWTN ao Register, passando pela Catholic News Agency – dificilmente são objetivas, fazendo um tipo de “jornalismo” esperado na Fox News, mas não necessariamente naquela que começou como uma rede devocional em que as pessoas podiam encontrar missas televisionadas e outros programas espirituais.

Alguns podem ter pensado que a rede, sob controle de leigos desde 2000, desapareceria ou pelo menos declinaria após a morte da sua carismática fundadora em 2016, mas ela apenas continuou crescendo em tamanho e em aparente influência, especialmente entre indivíduos e grupos com interesse e dinheiro para controlar a narrativa do catolicismo contemporâneo.

Fusão de causas ideológicas, políticas e teológicas

Além da sua cobertura política tendenciosa, a EWTN e suas empresas jornalísticas afiliadas também têm conexões com ideólogos libertários econômicos, incluindo o membro do conselho e principal doador da EWTN, Timothy Busch, que disse apoiar leis de “direito ao trabalho” antissindicais, opôr-se a aumentos do salário mínimo e defender o capitalismo de livre mercado como uma ferramenta para tirar as pessoas da pobreza.

Busch é advogado, gestor de patrimônio, investidor imobiliário (incluindo hotéis e resorts/spas), proprietário de uma vinícola e filantropo sediado no sul da Califórnia. Ele e seus irmãos também são proprietários de uma rede de mercados de comida de luxo, cofundada pelo seu falecido pai em Michigan.

Ele também está por trás do Instituto Napa, que combina teologia conservadora e economia libertária, e sua nova co-organização, o Instituto Legal Napa, que fez da saúde uma prioridade.

Dois meses depois da posse de Trump, Busch aproveitou a ocasião para uma missa de abertura para um congresso, na escola de negócios da Universidade Católica da América que leva seu nome, para elogiar a nova presidência.

Falando no início da missa – televisionada pela EWTN – no santuário da Igreja da Cripta da Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington, Busch chamou o momento de “uma época em que muitos de nós, católicos, a viam como um tempo de escuridão e agora vemos um tempo de luz”.

“No dia seguinte, ficaremos sabendo mais em nossos corações e em nossas mentes aonde esse próximo mandato nos levará e nós rezamos para que ele tenha a grandeza de restaurar o nosso país”, disse Busch, de acordo com uma reportagem do NCR.

A escola de negócios, batizada em homenagem a Busch depois do seu presente de 15 milhões de dólares para a universidade, também já recebeu o liberal Charles Koch em um evento copromovido pelo Instituto Napa.

Além do Napa e da EWTN, Busch está envolvido em outras organizações e causas católicas conservadoras, inclusive como “cooperador” do Opus Dei, uma organização leiga e clerical conservadora, e como membro de longa data da Legatus, uma organização para líderes empresariais católicos ricos. Ele também cofundou e preside a diretoria do Magis Center, que se descreve como um instituto de fé e razão.

O Magis (e sua organização parceira de apologética, Credible Catholic – ambos ministérios do ex-reitor da Gonzaga University, o padre jesuíta Robert Spitzer) tem sua sede no terreno da Crystal Cathedral, apenas um andar acima dos estúdios da EWTN, o que levou uma publicação a chamar o prédio de “Catholic Super Center”.

Outros vizinhos na Tower of Hope incluem o Instituto Augustine, com sede no Colorado, uma organização dedicada à “nova evangelização” e fundada por vários graduados da Franciscan University of Steubenville a pedido do então arcebispo de Denver, Charles Chaput.

Também no nono andar está a Dynamic Catholic, especializada em conteúdo católico e criação de recursos. Ela foi fundada pelo palestrante motivacional Matthew Andrew, cujos clientes de consultoria empresarial seculares incluem o Departamento de Defesa, a Marinha e a Força Aérea dos EUA, o McDonald’s, a Procter & Gamble e a FedEx.

O plano é tornar o terreno da catedral no lar de “múltiplos movimentos” na Igreja, disse Busch a um repórter do Breitbart em 2014. “Isso vai criar grandes sinergias entre esses ministérios, para colaborar com bases de doadores e estrutura organizacional”, afirmou.

De fato, a ideia da diocese de comprar a Crystal Cathedral foi de Busch, de acordo com um artigo que detalha o envolvimento de múltiplos membros da Legatus na decisão e no financiamento. “É como ir a uma reunião da Legatus”, disse um membro da Legatus sobre as reuniões da Cathedral Guild, um grupo de grandes doadores para o projeto.

E o antigo escritório de advocacia de Busch, o Busch & Caspino (que se dividiu logo depois) representava a diocese no tribunal para a compra da catedral, chegando até a convencer Schuller a aceitar a proposta menor da diocese de 57,5 milhões de dólares para a propriedade estimada em 500 milhões.

Busch, que ingressou no conselho da EWTN em 2017, é um firme defensor do Partido Republicano e de seus candidatos. Uma análise de suas recentes contribuições políticas indica apenas os beneficiários do Partido Republicano, incluindo candidatos e organizações no Missouri, Virgínia, Carolina do Norte, Massachusetts, Idaho, Vermont, Oklahoma, assim como na Califórnia.

O alinhamento da EWTN com Busch, o colega de conselho Frank Hanna III e outros indivíduos, assim como com organizações como a Fox News e a Universidade Católica da América, foi feito ou conscientemente como uma estratégia, ou a rede está sendo usada involuntariamente por pessoas de fora, disse um teólogo que estuda religião e história.

De qualquer forma, “é um jogo perigoso”, disse o padre jesuíta Mark Massa, diretor do Centro Boisi para a Religião e a Vida Pública Americana, do Boston College

“Embora eles afirmem que estão simplesmente tentando formar católicos na piedade útil e em uma forte vida espiritual, eles estão sendo usados por pessoas da direita para seus próprios propósitos”, disse Massa ao NCR. “Ou eles são insinceros ou não estão acordados.”

Essa fusão de causas ideológicas e políticas com as teológicas é preocupante. Disse Massa: “Quando a religião se liga a causas políticas, isso sempre acaba mal para a religião”.

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