Pesquisa da UFRGS analisa impactos de linhas elétricas na biodiversidade

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21 Junho 2019

Poluição do ar, alteração na qualidade do solo, risco de incêndios e perda do habitat natural são algumas das consequências da instalação de linhas de transmissão de energia elétrica reunidas pela bióloga Larissa Donida Biasotto em sua pesquisa sobre os possíveis efeitos das linhas elétricas na biodiversidade.

Desenvolvida ao longo do Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com orientação do professor Andreas Kindel, a pesquisa consiste em uma revisão de outros 206 artigos e 19 estudos científicos já publicados sobre como a instalação, a operação e a manutenção de linhas elétricas afetam a biodiversidade em diversos países ao redor do mundo.

A reportagem é de Annie Castro, publicada por Sul21, 20-06-2019.

Segundo a pesquisadora, o Brasil não costuma desenvolver estudos sobre a interação das linhas de transmissão com a natureza. “Além de a gente não ter informações, a gente usa muito pouco as informações que já possui para tomada de decisões na instalação de linhas elétricas”, afirma Larissa. No Brasil, atualmente, existem 141.388 quilômetros de linhas de transmissão de energia elétrica, de acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Ao todo, a pesquisa de Larissa observou nos estudos científicos analisados 28 impactos da presença de linhas elétricas. A bióloga explica que os efeitos foram divididos em abióticos e bióticos: “Os impactos abióticos focam em mudanças mais químicas ou físicas no ambiente, levando em consideração a presença nas linhas de transmissão. Já os impactos bióticos são um resultado da influência dessa mudança no ambiente abiótico, e influenciam em nível individual as populações e em comunidades da biodiversidade”.

De acordo com Larissa, os impactos mais estudados pelos pesquisadores são a colisão de aves nas linhas de transmissão de energia e a eletrocussão que os animais geralmente sofrem ao colidir com as linhas. “Esses impactos são avaliados durante a fase de instalação e, no caso das electrocussões, ao longo da operação da linha. Mas é importante lembrar que a gente vai ter impactos enquanto a linha estiver lá”, pontua. Para a pesquisadora, há uma deficiência de estudos que analisem os efeitos em espécies de menor mobilidade, como anfíbios, ou a perda de habitat na região em que a linha é instalada.

Para a bióloga, é preciso entender todos os impactos que envolvem a instalação e a existência de uma linha elétrica em um determinado ambiente, uma vez que elas são cada vez mais necessárias para as sociedades. “A linha de transmissão é fundamental para transportar energia de uma área geradora até um centro consumidor. Então, onde há um empreendimento de geração de energia existe a necessidade da implantação de uma linha de transmissão”, afirma Larissa. Ela destaca ainda que, embora a utilização de energias sustentáveis, como fotovoltaica e eólica, esteja crescendo, esses empreendimentos também necessitam de linhas de transmissão.

Além do meio ambiente, Larissa acredita que a sociedade, de forma geral, é impactada pelos efeitos da instalação de linhas elétricas em locais equivocados, onde não houve um licenciamento ambiental para analisar todos os possíveis impactos no habitat. “O corredor de uma linha de transmissão também pode ter influência em alguns serviços ecossistêmicos que são bem importantes pra nós enquanto sociedade”, diz. A bióloga ainda pontua que até mesmo empresas são afetadas pelos impactos das aves nas linhas de transmissões. “As electrocussões causam uma série de danos econômicos para as empresas, tanto de desligamentos de rede, de manutenção de linha, alguns casos de incêndio. Esses danos econômicos poderiam ser evitados se houvesse uma atenção especial aos danos ambientais e a maneiras de evitá-los”.

Para Larissa, a abordagem da hierarquia da mitigação poderia ser utilizada como uma forma de diminuir os efeitos da presença de uma linha de transmissão. Segundo ela, essa abordagem é dividida em três fases que apontam o que é melhor, do ponto de vista ambiental, para a instalação de um empreendimento. “O evitamento do impacto é a principal e a primeira medida que deve ser feita, ou seja, é tu instalar o empreendimento em uma região que não comprometa áreas importantes para conservação. A segunda fase é a minimização do impacto, diminuir a extensão e a duração dos impactos ambientais Por último, depois que foram esgotados todos os esforços de evitar e minimizar, é feita uma compensação ambiental do que foi impactado”, explica.

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