Por que a tecnologia 5G representa um novo perigo para a vida?

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06 Junho 2019

Em que sentido representa a tecnologia 5G um perigo à vida? Para isso devemos conhecer, com antecedência, no que consiste a nova tecnologia 5G e seus componentes.

Apresentamos o desenvolvimento do tema, com o objetivo de colocar os cidadãos em alerta sobre os riscos à saúde e o que significam as novas tecnologias, principalmente a chamada 5G.

O artigo é de Mario Enrique de León, sociólogo, professor na Universidade do Panamá, publicado por ALAI, 04-06-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Muitas vezes escutamos pelos meios de comunicação as bondades que podem nos trazer as redes sem fios 5G em matéria de comunicação e transmissão de dados. Fazem alusão a quantos filmes ou músicas poderão baixar os usuários de internet em milésimos de segundo ou com quantos usuários poderão estar interconectados simultaneamente por videoconferências sem que estas caiam ou se distorçam.

As discussões midiáticas discorrem entre o banal e o promissor que a tecnologia 5G pode ser para resolver tarefas cotidianas e as novas possibilidades de negócios especuladores na rede. No entanto, poucos explicam no que consiste essa nova tecnologia em desenvolvimento, enquanto aos seus componentes que a configuram, e como poderia afetar os organismos vivos. Isso tem uma explicação muito simples: grupos econômicos (Verizon, AT&T, T-Mobile, Sprint, Huawei, China Mobile, China Telecom, China Unicom), com o apoio de governos (EUA e China) e agências de segurança (CIA, NSA) desenvolvem essa tecnologia sob segredo estrito.

Dentro dessas possibilidades, efeitos e consequências que possam provocar a implementação da tecnologia 5G nos organismos vivos como também os possíveis usos alternativos (controle e vigilância) que darão a essa. Ademais, essas empresas de telecomunicação são grandes pautadoras dos meios de comunicação e importantes doadoras a centros de pesquisa científica. Essas razões explicam o nulo debate a respeito.

Sem nenhuma dúvida a tecnologia 5G representa um lucrativo negócio para esses grupos econômicos aliados aos governos dos EUA e China. Explica Elizabeth Woyke (2019), no MIT Technology Review, que o desenvolvimento da tecnologia 5G é, de fato, operada como política de governo. Nesse sentido, o governo da China em seu décimo terceiro plano quinquenal descreve a tecnologia 5G como uma indústria estratégica emergente e uma nova área de crescimento.

Ademais, em seu plano Made in China 2025 descreve como objetivo do país tornar-se em um líder de fabricação global. Ademais, promete fazer os avanços na comunicação móvel da 5G. Enquanto, em contrapartida, os EUA bloquearam a empresa chinesa Huawei alegando que essa representava um suposto perigo para sua segurança nacional. Esse último confirma que em ambas potência o desenvolvimento da tecnologia 5G são políticas de governo. Entre os negócios em disputa estão a instalação da infraestrutura 5G a nível mundial e sua manutenção, a fabricação dos equipamentos necessários para essa infraestrutura, o desenvolvimento de aplicativos – como fizeram as corporações do Vale do Silício com a tecnologia 4G (Youtube, Uber, Alibaba, Facebook, Waze, etc) – e a fabricação massiva de produtos com capacidade de se conectar à infraestrutura 5G (a internet das coisas).

Esse último inclui desde um relógio ou cafeteira até um maquinário industrial ou equipamentos de cirurgias em um centro médico especializado. De maneira que a magnitude do negócio projetado não tem antecedentes no processo de acumulação do capital dos últimos 200 anos, e por tais motivos, se excluem do panorama público as críticas que podem persuadir a audiência dos possíveis efeitos negativos. Porém, em que sentido representa a tecnologia 5G um perigo à vida? Para isso devemos conhecer, com antecedência, no que consiste a nova tecnologia 5G e seus componentes.

A reposta em termos simples nos brinda Knight (2019), no MIT Technology Review, da seguinte maneira: “as redes sem-fio 5G são uma variedade de tecnologias de rede destinadas a trabalhar conjuntamente para conectá-la a tudo” através de dois intervalos de frequências diferentes. Uma delas é a frequência utilizada pelas redes 4G e Wifi. A outra é uma milimétrica, de maior velocidade a sua predecessor, porém transmitem em intervalos mais curtos. Esse último intervalo de frequência milimétrica necessita de uma superlativa densidade de transmissores por metros quadrados. Isso dará passe a uma multiplicidade de pequenos transmissores – por metros quadrados – em todas as cidades com tecnologia 5G. Esses enjambres de transmissores estarão compostos por uma tecnologia conhecida como MIMO massivo (múltipla entrada, múltipla saída), a qual permitirá o funcionamento simultâneo dos transmissores para alcançar a velocidade esperada pelos desenvolvedores das redes sem-fio 5G (20gb por segundo).

Ademais, da outra tecnologia, conhecida como duplex completo (full dúplex), que permitirá aos transmissores e aos dispositivos (celulares, computadores, etc.) enviar e receber dados na mesma frequência. Não obstante, essa multiplicidade de transmissores será perigosa para todos os organismos vivos expostos à saturação da radiação de radiofrequências.

Existe uma base científica de mais de 10 mil pesquisas referentes à associação de enfermidades cardíacas, e entre outras como o câncer, com a contaminação eletromagnética, segundo o chamamento internacional para deter a implementação da rede 5G na terra e no espaço organizado pela International Appeal. A exposição permanente (24hrs) de níveis de radiação de radiofrequências, centenas de vezes maiores às atuais, provocará efeitos graves em todos os organismos vivos e em seus respectivos ecossistemas.

A tecnologia 5G ademais de conectar e permitir a comunicação ubíqua entre os seres humanos e suas organizações também conectará a todos os objetos (automóveis, lavadoras, micro-ondas, maquinários, câmeras de vigilância, etc.), coroando assim, a internet das coisas e configurando as chamadas cidades inteligentessmart cities. Isso conformará um campo eletromagnético, de enorme potência, que afetará diretamente “as fracas ondas eletromagnéticas que caracterizam os voos dos insetos, por exemplo, porém interferirão também emissões de corpos vivos de maior tamanho, incluídos os nossos... numerosas publicações científicas tem demonstrado que os Campos Eletromagnéticos – CEM afetam os organismos vivos (não somente aos humanos) em níveis muito abaixo da maioria das diretrizes internacionais e nacionais, cujos efeitos incluem maior risco de câncer, estresse celular, aumento de radicais livres danosos, danos genéticos, mudanças estruturais e funcionais do sistema reprodutivo, déficit de aprendizagem e memória, transtornos neurológicos e impactos negativos no bem-estar geral dos seres humanos” (Sabini, 2019).

Entretanto, apesar da ampla documentação sobre os possíveis efeitos negativos dos campos eletromagnéticos sobre os organismos vivos, estão prevalecendo os interesses privados – que gera a tecnologia 5G – sobre os coletivos. Nesse caso, a vida do planeta corre perigo, sobretudo a nossa, em meio a um contexto acelerado de mudança climática, produto de nossas próprias atividades, porém singularmente pelas geradas pelo processo de acumulação privado.

Referências

Knight, W. (2019). Claves para entender por qué EE.UU. teme que Huawei dominine el 5G. Mit Technology Review.

Sabini, L. (2019). 5G: ¿pasaje al cielo comunicacional o al infierno climático y sanitario? América Latina en movimiento - ALAI. Artigo/199457.

Woyke, E. (2019). Cinco argumentos que pueden convertir a China en líder del 5G. Mit Technology Review.

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