Mina Guaíba, no RS: Carvão de Troia

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28 Mai 2019

"Em época de mortes de pessoas e rios, decorrentes da mineração, surge a proposta de 'desenvolvimento econômico' para o RS com a Mina Guaíba que, perto da divisa entre Charqueadas e Eldorado do Sul, promete 'novas tecnologias' e afirma que, ao contrário de Brumadinho, 'não tem barragem'", escreve Montserrat Martins, médico, em artigo publicado por EcoDebate, 27-05-2019.

Eis o artigo.

 

Projeto Mina Guaíba. 

Em época de mortes de pessoas e rios, decorrentes da mineração, surge a proposta de “desenvolvimento econômico” para o RS com a Mina Guaíba que, perto da divisa entre Charqueadas e Eldorado do Sul, promete “novas tecnologias” e afirma que, ao contrário de Brumadinho, “não tem barragem”.

Os riscos de contaminação da água do Jacuí – e de toda bacia do Guaíba – são graves e preocupantes. A população em geral desconhece, o mais dramático no tratamento da água é a retirada de micropartículas de dejetos minerais, pois além de ser extremamente difícil que elas sejam filtradas, o seu efeito no corpo humano é cancerígeno.

Na Mina Guaíba, pelo projeto em processo de licenciamento junto à Fepam, é possível prever duas formas de contaminação da água. A primeira é a da água das chuvas sobre as chamadas “pilhas secas” que será canalizada pela empresa para desaguar 9 km adiante, no próprio Rio Jacuí, levando junto inevitavelmente uma parte do pó do carvão extraído. A segunda é no rejeito enterrado com previsível contaminação dos lençóis freáticos – que por sua vez também chegam ao rio.

Consta que o método é enterrar os rejeitos nas próprias cavas do carvão extraído, prevendo-se então “rebaixamento do lençol freático”. A mineradora Copelmi promete que os rejeitos ficarão contidos “como que numa panela” com uma camada de “rochas impermeáveis” montada no solo abaixo dos rejeitos. Traduzindo, ao invés de barragens a céu aberto as novas barreiras estariam num “solo subterrâneo”, acima de um lençol freático rebaixado. A extensão de tal barreira “impermeável” abaixo do solo é de mais de 2 mil hectares, que é a área escavada do total de 4,5 mil ha do empreendimento.

O projeto prevê maravilhas, começando por mil empregos diretos (que chegariam a cinco mil com os indiretos) e funcionamento de vinte e trinta anos. Geraria bilhões para a economia gaúcha e impostos municipais, estaduais e federais que socorreriam as finanças públicas.

Façamos os cálculos, quantos bilhões Porto Alegre e o RS já gastaram para tratar a água do Guaíba? E para embelezamento da Orla? Pois a etapa seguinte seria um “Polo Carboquímico”, onde além da água também nosso ar passa a ser ameaçado. Quando você passa pela BR 101 em Tubarão, já reparou como fica o ar naquela cidade? Qual o custo do tratamento de saúde, no futuro, de mil funcionários trabalhando em uma mina de carvão? Após duas a três décadas, quando as minas forem fechadas, seguirá havendo alto custo de manutenção, quem vai arcar com isso?

Se fizermos os cálculos, o lucro será privado e os prejuízos, públicos. É um Cavalo de Troia em forma de carvão que nos ofertam.

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