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25 Abril 2019

Ato contra extinção da Funai, municipalização da saúde indígena e a construção de hidrelétricas em terras Indígenas reúne povos de oito etnias. Grupo pretende acampar no Centro Cívico da capital.

A reportagem é publicada por G1 Roraima, 23-04-2019.

Índios de várias regiões de Roraima deram início na manhã desta terça-feira (23) a uma mobilização na praça do Centro Cívico, região central de Boa Vista, em defesa dos direitos dos povos indígenas.

O ato ocorre em apoio ao Acampamento Terra Livre (ATL), previsto para se iniciar nesta quarta (24) em Brasília. A estimativa é que até o final do dia o evento reúna 800 pessoas, segundo a organização.

O movimento é contra a extinção da Fundação Nacional do Índio (Funai), a municipalização da saúde e a construção de hidrelétricas em Terras Indígenas.

Eles ficarão acampados até o dia 25 de abril com realização palestras, audiências públicas, marchas e apresentações culturais. Ao todo, indígenas de oito etnias participam do protesto.

Ao final do ato, deve ser elaborado um documento solicitando a garantia dos direitos indígenas, que será enviado aos órgãos reguladores do estado.

Segundo Edite Andrade, uma das lideranças do movimento dos indígenas, as medidas sinalizadas pelo governo federal representam “um retrocesso na conquista obtidas pelos povos indígenas ao longo dos anos”.

“A Funai tem que ser fortalecida, pois foi tirada dela a competência de fiscalizar as terras. Com a extinção dela, qual o órgão que vai tratar sobre isso? Somos a favor do fortalecimento dela para que ela continue desenvolvendo suas atividades”, disse.

Em janeiro deste ano, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) transferiu a atribuição de identificar, delimitar e demarcar terras indígenas e quilombolas para o Ministério da Agricultura.

Além disso, há pouco mais de um mês indígenas protestaram em frente a Assembleia Legislativa de Roraima, no Centro da capital, após o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sinalizar uma possível extinção da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

Outro assunto bastante discutido dentro do movimento são as obras do Linhão de Tucuruí que atravessa a terra indígena Waimiri Atroari.

“Os povos indígenas têm que ser consultados. Não é simplesmente passar na terra deles e destruir esse espaço que pra gente é sagrado”, declarou. O linhão é a única alternativa para que a energia de Roraima passe a ser fornecida via Sistema Interligado Nacional.

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