A nova geografia do Império chinês

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01 Abril 2019

A crescente influência chinesa está chamando a atenção do mundo para as disputas territoriais que Pequim tem com seus países vizinhos. Assim, até mesmo os mapas sem Taiwan e Arunachal Pradesh acabam virando alvo.

A reportagem é de Stefano Vecchia, publicada por Mondo e Missione, 30-03-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Os funcionários chineses da Alfândega da cidade de Qingdao destruíram 30 mil mapas do mundo em que a República Popular da China aparecia "incompleta" de acordo com as indicações oficiais. Destinados à venda no exterior, conforme relatado pelo tabloide pró-governo Global Times, neles não constavam como parte integrante da China o estado de Arunachal Pradesh, no nordeste da Índia, e a ilha de Taiwan. O primeiro era originalmente parte do Tibete. Foi invadido pelas tropas de Mao em 1950 e definitivamente anexado em 1959 com a fuga do Dalai Lama para a Índia. As tensões se acentuam periodicamente quando membros do governo de Nova Déli visitam a região, violando, segundo Pequim, o controle exclusivo da China.

Existem, também, outras áreas de menor extensão hoje incluídas na Índia independente que Pequim reivindica como suas. São sobretudo as regiões norte-ocidentais e norte-orientais do grande vizinho indiano, delimitadas pela "linha de controle atualizada". Esta linha é uma delimitação do armistício traçada após o breve conflito de 1962, que viu uma invasão chinesa temporária chinesa das áreas setentrionais da Índia; tem 3.488 quilômetros de extensão e as 21 rodadas de negociações até agora realizadas não conseguiram convencer as partes a assinar um tratado.

Com Taiwan, o litígio é mais conhecido e remonta à fuga de tropas do governo nacionalista para a ilha após o abandono dos japoneses, para os quais havia sido originalmente cedida pelo império Qing em 1895. Após um longo período de tensões à beira do conflito aberto, um consenso foi assinado entre as duas margens do Estreito de Formosa em 1992. Se isso inicialmente prefigurava um movimento gradual para a reunificação, na realidade deu origem a uma fase de relações alternadas, mas Pequim nunca deixou de confirmar o pertencimento de Taiwan à República Popular da China e de ameaçar sua invasão no caso de movimentos contrários. Tudo isso apesar do apoio militar dos EUA para Taipei.

O de Qingdao não é o primeiro caso de retaliação, inclusive clamorosas por uma interpretação que não em conformidade com aquela – aliás, mutável - da geografia e da história chinesas. A crescente influência do país no plano internacional, assim como o nacionalismo usado como instrumento político, por um lado levam a uma grande publicidade desses eventos, mas, pelo outro, geram pouca ou nenhuma reação crítica.

Como observou o acadêmico Liu Wenzong, professor de Direito Internacional na Universidade de Relações Exteriores que tem sede na capital, "O que a China faz no mercado dos mapas geográficos é absolutamente legítimo e necessário, porque a soberania e a integridade territorial são essenciais para um país. Tanto Taiwan quanto o sul do Tibete (ou seja, os territórios reivindicados por Pequim) fazem parte do território chinês que é sagrado e inviolável de acordo com o direito internacional".

Já é um fato consolidado que nas últimas décadas Pequim tenha constantemente estendido seus limites territoriais baseando-se praticamente em suas próprias fontes históricas - como as viagens do Almirante Zheng He que no século XV alcançaram várias costas do Pacífico e da África e poderiam ter levado navios chineses para as costas americanas antes de Colombo. Um movimento que causou resultados controversos foi a aplicação da chamada "linha dos nove traços", que nos últimos vinte anos ampliou unilateralmente os interesses chineses no Mar da China meridional.

As ilhotas nas águas limítrofes à China são reivindicadas por outros países e atravessadas pela principal linha comercial marítima do mundo. Pequim expandiu, fortificou e equipou com pistas de pouso, baterias de mísseis e portos uma série de ilhas e atóis, indiferente aos protestos internacionais e do risco de um confronto direto com os Estados Unidos.

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