Como entrevistar o Papa com exclusividade

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30 Março 2019

Era 2013 e Jorge Mario Bergoglio acabava de ser nomeado Sumo Pontífice, quando a equipe do programa Salvados tentou, pela primeira vez, solicitar uma entrevista com ele. O primeiro pedido foi como alguém que tenta a sorte na loteria, depois foram se encorajando. Enviaram recados através de pessoas que poderiam conhecê-lo, enviaram cartas, enviaram até um DVD. "Quando você fala com um político espanhol ou com uma celebridade, sabem o que é Salvados para o bem e para o mal, mas quando você se aproxima de alguém como o Papa, que não sabe o que você faz ou quem é, torna-se muito difícil que seja levado em conta", explica ao jornal El País Màrius Sánchez, chefe de redação do programa Salvados.

A reportagem é de Natalia Marcos, publicada por El País, 29-03-2019. A tradução é do Cepat.

Há dois anos, Jordi Évole enviou uma carta pessoal ao Papa, acompanhada por um DVD do primeiro programa que dedicaram ao barco Astral, da ONG Proactiva Open Arms, sabendo que era um tema que lhe interessava em especial. "Sabemos que esta carta foi recebida em mãos, e depois de três dias, Évole recebeu uma mensagem do Papa dizendo que um dia se sentaria com ele", diz Sánchez. "Celebramos isso como se já fosse uma realidade, com a decepção de ver o tempo passar e nada acontecer".

As trocas de correspondência com o Vaticano se intensificaram. Évole e Sánchez foram a Roma para se encontrar com a equipe de comunicação do Papa. Foram convidados para uma missa, presidida por ele, para os refugiados e imigrantes que morrem no Mediterrâneo. "No final, houve um momento em que os participantes chegaram e apertaram a mão do Papa, e Jordi [Évole] disse que era jornalista e que em algum momento gostaria de entrevistá-lo". O momento ainda não tinha se concretizado.

Até um mês atrás. Uma mensagem eletrônica do Papa especificou a data e o dia: sexta-feira passada, 22 de março. Foi um encontro de quase 75 minutos, durante o qual o Sumo Pontífice falou inclusive de abuso sexual de crianças por padres. "Sabíamos que lhe interessava falar sobre refugiados e imigração, em especial. Pediram para que lhes enviássemos algumas perguntas previamente, mas especificamos que queríamos fazer mais do que nós mandássemos, algumas entrariam e outras não.

Quando nos reunimos com eles, sentimos a necessidade de dizer que iríamos perguntar sobre o abuso sexual dentro da estrutura da Igreja. Eles estavam preocupados que a manchete do dia seguinte não fosse sobre refugiados, que é a mensagem que desejavam enviar. Mas, entenderam que nem para eles, nem para nós, era positivo não fazer perguntas sobre esse assunto", explica Sánchez sobre a entrevista que ‘La Sexta’ transmite neste domingo (21h30).

Não só o processo saiu da norma. Também a gravação da entrevista foi diferente do habitual. Era uma condição indispensável para gravar com as câmeras do Vaticano, então os aspectos técnicos estavam a cargo do Centro de Televisão do Vaticano. Eles também apontaram o local onde a entrevista foi realizada, mas, por outro lado, deixaram que a iluminação e o cenário (mesa, cadeiras, ornamentos ...) ficassem a cargo do programa.

"Chamou-me muito a atenção que, quando Jordi pediu conselhos a sua equipe de comunicação, os mais próximos do Papa lhe disseram para que esquecesse do protocolo e o tratasse como se fosse um amigo", conta Sánchez. "Também pensávamos que Jordi teria que usar um terno e gravata, porque tínhamos visto que em quase todas as entrevistas, o entrevistador se vestia assim, e eu pensei que seria bem estranho. Nós perguntamos e eles disseram que não, que fosse vestido como desejasse. O complicado foi chegar até ele, mas uma vez que disse sim, tudo foi fácil", acrescenta o editor.

Segundo Sánchez, esta entrevista e a primeira que fizeram com Nicolás Maduro, em novembro de 2017, foram as mais difíceis de conseguir para a equipe do programa. Agora, procuram por um novo desafio. "Mas não há outro nome que tenha estado tantas vezes na lista de tarefas pendentes como o Papa. Agora sinto um vazio", ri Sánchez.

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