O Papa e a recusa ao beija-mão, a polêmica na web enfurece, mas o porta-voz do Vaticano explica: "Razões higiênicas"

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29 Março 2019

Ele estaria com algum corte nos dedos? Não, deve ser uma maneira de favorecer uma interpretação mais humilde da figura do Papa. Talvez ele só estivesse com pressa. Ou, espere, é mais um esforço para libertar o papado de incrustações monárquicas. Oh Deus, uma falta de respeito pelos fiéis.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 28-03-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

As conversas nas redes sociais e nos editoriais se entrelaçaram para encontrar uma explicação por trás do gesto do Papa Francisco em retirar sua mão para impedir que uma longa fila de pessoas em Loreto beijasse seu anel de prata.

O vídeo, publicado por vários meios de comunicação, em que Bergoglio tira a mão repetidamente – no final com um ritmo cada vez mais rápido - criando um efeito quase hilário, se tornou viral em uma hora, acabando nas mais prestigiadas home pages ou objeto de "memes" e paródias. No final, todos ficaram intrigados sobre a razão por essa relutância do pontífice argentino sempre afeito a fortes abraços, selfies e gestos antiprotocolares.

Por um lado, havia aqueles que trovejavam contra uma atitude irreverente - ou até mesmo "inquietante", como alardeava um site norte-americano - de um Papa em relação ao papel por ele ocupado. Pelo outro, aqueles que ficaram empolgados com essa última "virada” (a ser adicionada à lista dos sapatos pretos, da residência em Santa Marta e dos almoços com os pobres) que finalmente redimensiona a imagem do Pontífice, Bispo de Roma e não imperador romano.

Alguém, no meio disso tudo, também tentou lembrar que o próprio Bento XVI havia manifestado em várias ocasiões que não gostava do beija-mão dos fiéis, pelo menos não de longas filas de pessoas. E, indo ainda mais longe, o próprio João Paulo II - lembraram alguns usuários - havia pedido a seus colaboradores, por ocasião de uma audiência com um grupo de cinquenta peregrinos, que evitassem o beija-mão e a genuflexão.

Para revelar o mistério do "kiss-gate" (como alguém o chamou, ironizando a grande repercussão dada principalmente pela mídia dos EUA), evento que monopolizou as informações sobre o Vaticano nos últimos três dias, chegando quase a obscurecer até mesmo a breve, mas intensa, visita do Papa ao santuário mariano de Loreto, no qual ele anunciou a publicação da exortação apostólica após o Sínodo dos jovens, pensou nesta quinta-feira o diretor interino da Sala de Imprensa do Vaticano, Alessandro Gisotti.

Ao final de uma audiência pela manhã, o porta-voz perguntou diretamente a Francisco as razões de seu gesto, depois de lido e ouvido "interpretações de todos os tipos". E a resposta foi desarmante justamente por causa de sua simplicidade: "Higiene".

Sim, realmente higiene: «Quando há longas filas de fiéis, o Santo Padre quer evitar o risco de contágio. Não para si mesmo, mas para os próprios fiéis", disse Gisotti a jornalistas na Sala de Imprensa do Vaticano. Nenhum problema para pequenos grupos ou indivíduos: "Quantas pessoas beijam a mão do Papa! Sabemos disso e não é de hoje... Vimos ontem com a Ir. Maria Concetta Esu (religiosa italiana que foi missionária na África durante sessenta anos, ndr) que beijou com grande ternura a mão do Papa. O Santo Padre tem alegria em abraçar e ser abraçado pelas pessoas".

Uma escolha plausível - aliás adotada pelo Papa em outras ocasiões - diante de uma fila de quase sessenta pessoas, todas prontas para se atirarem de joelhos e colocarem seus lábios no mesmo ponto. O vídeo transmitido na mídia mostra apenas 22, mas olhando para a gravação integral percebe-se que havia muitos mais fiéis esperando para cumprimentar o Papa, que, deve ser lembrado, imediatamente depois também tinha que ir a um salão próximo para cumprimentar os doentes, entre os quais várias crianças.

Nem todo mundo pensa assim. Já há aqueles que gritam "meras desculpas" nas páginas do Facebook ou aqueles que se afeiçoaram à lógica do "gesto de humildade" e de ruptura com práticas antigas e ultrapassadas. O debate provavelmente continuará por mais alguns dias: é mais fácil que um Papa tire a mão em respeito à saúde de seus fiéis, do que os internautas retirarem as suas dos teclados.

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