Gustavo Gutiérrez defende que se declare São Romero ''doutor da Igreja''

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21 Março 2019

Um dos fundadores da teologia da libertação na América Latina disse apoiar um esforço para declarar São Oscar Romero como doutor da Igreja Católica.

A reportagem é de Rhina Guidos, publicada em Catholic News Service, 20-03-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Durante uma transmissão ao vivo de um evento no dia 18 de março que celebrava o santo salvadorenho canonizado em outubro, o padre dominicano Gustavo Gutiérrez, considerado por muitos como o pai da teologia da libertação, disse que a ideia de nomear São Romero como doutor da Igreja era uma proposta “excelente”.

Embora alguns valorizem os escritos ou o histórico acadêmico de uma pessoa, quando se trata de declarar um santo como doutor da Igreja, “o amor por outra pessoa vale mais do que todas as teologias”, disse Gutiérrez, lembrando algo que leu de outro teólogo. Ele estava falando via internet para as pessoas reunidas no “Romero Days”, um evento promovido pela Universidade de Notre Dame.

A festa de São Romero é no dia 24 de março.

Os santos que são declarados doutores da Igreja “provavelmente podem ser mais bem considerados como doutores no sentido ‘Ph.D.’ da palavra”, disse o Pe. Larry Rice, explicando o termo em 2015 no site da Conferência dos Bispos dos Estados Unidos.

“Através de sua pesquisa, estudo e escrita, eles fizeram avançar o conhecimento da Igreja sobre a nossa fé. Ser declarado doutor da Igreja não implica que todos os seus escritos estejam livres de erros, mas sim que todo o corpo da sua obra, tomado em conjunto, serve para fazer avançar a causa de Cristo e da sua Igreja”, escreveu.

São Romero foi um prolífico escritor, e pode-se extrair muita coisa das suas obras, explicou Gutiérrez, que disse ter se encontrado com o santo salvadorenho no início dos anos 1970. Mas, ao contrário da crença de que muitos promulgaram que o próprio São Romero era um seguidor da teologia da libertação e do seu compromisso com a “opção preferencial pelos pobres”, não há muito que ajude a sustentar isso, disse Gutiérrez.

“Não podemos dizer isso”, afirmou, porque São Romero fazia uma jornada diferente e já havia encontrado um mundo de pobreza no leste de El Salvador em 1970, quando atuou lá. O livro do Pe. Gutiérrez que deu destaque à teologia da libertação só foi publicado em 1971. Na época, São Romero estava fazendo “avanços” por conta própria por causa da pobreza que via no meio do seu povo, disse Gutiérrez.

Pouco antes da beatificação de São Romero em maio de 2015 em El Salvador, o Pe. Pablo Richard Guzmán, um conhecido teólogo da libertação na América Latina, disse ao Catholic News Service que, embora o arcebispo salvadorenho não fosse um seguidor da libertação, “ele nos influenciou”.

Embora possa ter ouvido falar da teologia da libertação, São Romero estava passando por um “processo”, não a tão falada conversão que outros afirmam, acredita Gutiérrez.

“Muito já foi dito sobre a conversão de Romero, e as pessoas têm o direito de dizer o que pensam”, disse Gutiérrez. “Eu só quero dizer que não concordo com isso.”

Em vez de uma “conversão”, Gutiérrez disse acreditar que o “processo” de São Romero foi guiado pelas injustiças que ele testemunhou. Então, ele teve a humildade de dizer: “Eu preciso aprender”, disse Gutiérrez.

Ele parecia, sim, mostrar um pouco de “desconfiança” em relação a certos movimentos dentro da Igreja na América Latina, disse Gutiérrez, mas estava sempre disposto a manter a mente aberta.

Ele disse que, mais tarde em sua vida, leu as anotações do santo sobre o encontro com ele. São Romero escreveu: “O padre Gustavo era diferente do que as pessoas me contaram”.

Testemunhar a sua canonização décadas depois não foi uma surpresa, disse Gutiérrez.

“Foi um grande prazer, mas, como muitos, eu tinha certeza que isso estava vindo”, disse.

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