Conflitos na fronteira Brasil - Venezuela

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27 Fevereiro 2019

No domingo pela manhã, nós do CIMI, Pastoral Indigenista e o Conselho Indígena de Roraima (CIR), estivemos no Hospital Geral de Boa Vista visitando os indígenas Pemon feridos na fronteira venezuelana. Infelizmente dois foram mortos, 08 internados (dois deles muito graves) e ontem estavam esperando novas ambulâncias com remoções de feridos, a maior parte deles indígenas. Nesta ambulância chegaram mais 14 indígenas. As informações sobre novos feridos e mortos são muito imprecisas, fala-se de mais vítimas. O primeiro conflito se deu na comunidade Pemon-Taurepang de Cumaracapay; os outros conflitos se estão acontecendo na cidade fronteiriça de Santa Helena, onde há muita população indígena e inclusive a comunidade Marakîrî. A perspectiva em Santa Helena é muito preocupante, bloqueada e com disparos nas ruas. Em último áudio recebido, uma mulher liderança Pemon alerta do acirramento dos conflitos.

O comentário é de Luiz Ventura, Missionário, publicado por CIMI Regional Norte 1, 26-02-2019. 

Tudo o que está acontecendo é muito complexo e não caberia aqui uma análise com todos os elementos. Amanhã fomos convocados em Boa Vista para uma reunião com a CUT e a Via Camponesa para avaliarmos juntos. O conflito político e econômico perpassa os povos indígenas e seus territórios, criando divisões em alguns casos e estratégias de proteção territorial em outros. A região sul, fronteiriça com o Brasil, é uma região extremamente invadida pelo garimpo e mapeada há vários anos para a grande mineração. A proteção do território é um desafio gigante para os Pemon, Ye´kuana.

Agora, o círculo Trump-Duque-Bolsonaro levantou falsamente uma bandeira de “ajuda humanitária”, aumentaram a pressão nas fronteiras e acenderam um conflito – já armado – na região. É o roteiro que eles queriam e de fato já têm pessoas na fronteira pedindo essa intervenção. Estamos em contato direto com o CIR e com o Vicariato de Santa Helena, tentando ter informações atualizadas. Segundo informações dos médicos e enfermeiros que, por outro lado, estão atuando como bons profissionais e correção.

Mesmo que nesta hora ajuda pouco, eu creio que, do lado brasileiro, deveríamos entrar com algum pedido formal de informação sobre a "ajuda humanitária" que teoricamente o Estado brasileiro ia oferecer. As informações oficiais sobre esta ajuda são muito imprecisas. Na minha opinião, tudo faz parte de uma cortina de fumaça para aumentar a pressão nas fronteiras e alimentar o plano de Trump de uma intervenção externa. A questão chave é que essa promessa de "ajuda humanitária" (que mesmo existindo não tinha absolutamente nenhum plano de como poderia ser distribuída depois) levou às pessoas a arriscar sua vida, como é o caso dos Pemon. Arriscaram a vida e a perderam. E se essa ajuda não existia, há uma responsabilidade moral, se não criminosa, do Estado.

A leitura que eu faço (pode estar enganada) é a seguinte:

(a) a ajuda humanitária não existia, pelo menos não no volume que foi anunciada;

(b) a ideia era criar um fato nas fronteiras com a Colômbia e com Brasil, daí a presença dos presidentes colombiano, chileno e do Paraguai em Cúcuta e do Ministro Araújo em Santa Helena;

(c) a intenção, acender conflitos na linha de fronteira para depois justificar uma intervenção maior e militar. Eles estão seguindo cada passo deste roteiro. Qualquer reunião com o Exército brasileiro deveria incluir um questionamento sobre a operação de ajuda humanitária, uma solicitação de informação veraz sobre ela, uma chamada à irresponsabilidade de um plano que poderia gerar conflitos internos sem nenhuma alternativa de distribuição dos mantimentos (caso tivessem conseguido passar).

O número de mortos aumenta. Temos que ver isto com cautela. Alguns já pedem a intervenção de Brasil e dos EUA: é isso o que Trump-Bolsonaro-Duque queriam, e por isso o ambiente festivo - e até sorridente - ontem na fronteira com a Colômbia. Algumas mensagens são minhas, postadas em outros grupos.

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