Migração e exploração de índios venezuelanos para o Brasil

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17 Outubro 2017

Nos últimos três anos, cresceu de nove para mais de dois mil o número de venezuelanos que pediu o visto de refugiado no Brasil, segundo dados da Polícia Federal. Eles migram para cá entrando pela fronteira com Roraima e adentram ao país pela rodovia BR-174, também conhecida por Manaus–Boa Vista.

Crise econômica e política, queda no preço do petróleo, inflação descontrolada e falta de trabalho e alimento motivam a migração. Os principais refugiados descendem do Delta do Orinoco: são indígenas da etnia warao, segunda maior tribo da Venezuela. Eles vivem basicamente de doações pelas ruas Boa Vista e Paracaima, em Roraima, além de Manaus, no Amazonas, Belém e Santarém, no Pará.

Com a Venezuela polarizada entre um regime que luta para se sustentar e uma oposição que quer arrancar o presidente Nicolás Maduro do Palácio de Miraflores, quem fica no meio da disputa tenta sobreviver à escassez de alimento, falta de assistência em saúde e desemprego. Soma-se a isso a questão da violência (meninas indígenas acostumadas a viver sem roupa são exploradas sexualmente fora de seu habitat) e da falta de trabalho digno. Fora do país, profissionais qualificados, com diploma de médico, professor ou engenheiro, submetem-se a subempregos em troca de recursos para sobreviver.

É o caso de Jorge Zapata: “Necessitamos de apoio; não contamos mais com a Venezuela. Queremos ficar no Brasil”, diz. Outros, viviam em grandes cidades e têm curso superior, como o professor universitário Eduardo, que prefere não se identificar: “Com a inflação de lá, meu salário não dava para nada, então decidi vir para cá”.

Para permanecer no Brasil, há dois caminhos: o visto pode se dar por meio do pedido de residência temporária de até dois anos (o que custa cerca de R$ 300 reais por pessoa, mas em alguns casos, a Justiça Federal dispensa o pagamento). O segundo caminho é pedir refúgio por motivo de perseguição ou violência, o que vem a ser a opção mais escolhida pelos venezuelanos. Neste caso, recebem carteira de trabalho, CPF e têm condições de se integrar à sociedade, na busca por trabalho temporário.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados acompanha de perto a situação dos venezuelanos no Brasil. Governos e entidades sociais se estruturam para fazer frente à questão. E, no Senado Federal, os representantes de Roraima pedem soluções urgentes.
Ouça a reportagem O grito que vem da fronteira na Rádio Senado.

No início do mês, a prefeitura de Boa Vista mandou venezuelanos em situação de rua saírem de praça no Centro da cidade. A abordagem ocorreu por meio da Secretaria Municipal de Gestão Social (Semges) e teve como base pedidos da própria população. Segundo informou a prefeitura, há pedidos de que eles sejam retirados dos locais públicos para eviatr depredação.

Na praça Capitão Clovis, onde a ação começou, estavam mais de 80 pessoas, sendo que aproximadamente 30 eram crianças. As famílias utilizavam os quiosques dos lanches da praça como abrigo. A recomendação dos agentes sociais da Semges foi que os estrangeiros buscassem abrigos ou refúgio em outros locais.

Em Roraima, policiais monitoram presença de venezuelanos em praça pública. Foto Igorh Martins 


Há cerca de um mês, durante jantar realizado em hotel de Nova York, o presidente Michel Temer disse que relatou a Donald Trump "os problemas dos refugiados" venezuelanos que têm chegado ao Brasil. "Temos mais de 30 mil refugiados no Brasil, milhares na Colômbia e alguns até no Panamá. Todos (os presentes no jantar) querem continuar a pressão para resolver, mas a pressão diplomática", disse Temer a jornalistas, na véspera de seu discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU.

Até o momento, cerca de 30 mil venezuelanos entraram no país em busca de proteção ou de melhores condições de vida, segundo estimativas das autoridades estaduais de Roraima e da Polícia Federal (PF). Desses, a PF estima que ao menos 16 mil pediram refúgio, sendo a maioria jovens (72% têm entre 20 e 39 anos) e com boa escolaridade (78% têm nível médio e 32%, superior ou pós-graduação). Alguns conseguem viajar ao Rio de Janeiro e a São Paulo, onde esperam ter mais oportunidades de trabalho.

 

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